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MAREMOTO / TSUNAMI
NA NOSSA COSTA COMO SERIA?
Desde o dia 26 de Dezembro de 2004 que muitos comentadores, mais ou menos
credíveis, têm passado pelas nossas televisões, emitindo opiniões sobre
a possibilidade de um maremoto/tsunami poder acontecer na nossa costa.
Estas opiniões são extremamente sucintas sem grandes explicações, o que me leva a
deduzir que ou não se sabe nada sobre este assunto no nosso país, ou não se
pretende divulgar a informação existente.
Fala-se muito mas informa-se pouco. Sobre este assunto ficou claro que em
Portugal apesar de já terem ocorrido alguns maremotos, em períodos mais ou
menos longínquos, não há qualquer sistema de aviso de maremoto/tsunami, pelo
que a acontecer ninguém saberá qual seria a possibilidade de tomarmos
providencias com o mínimo de antecedência!
Também os geólogos portugueses, que mais recentemente falaram na TV sobre a
possibilidade de ocorrência de terramotos e consequentemente maremotos na
nossa costa, aproveitaram a ocasião para lembrar que Portugal continua sem
cartas de risco praticamente em todo o país e que sem esse estudo é
impossível definir planos de prevenção eficazes. O ordenamento do
território e o planeamento da ocupação da zona costeira são imperiosos e
concluíram dizendo que de seguida se deveria apostar em sistemas de aviso e
planear mecanismos de socorro. O SNBPC não tem um plano para fazer frente a
uma situação destas no nosso país!
Foi divulgado na comunicação social um estudo efectuado por universidades
Americanas e Britânicas sobre a possibilidade duma catástrofe desta natureza
poder atingir a costa Portuguesa, bem como as costas de Africa, Espanha e
América segundo se informava no DN de 30 de Dezembro de 2004. Os cientistas
voltaram a alertar para o perigo de um fenómeno semelhante no oceano
Atlântico, desta vez não devido a um sismo, mas a uma erupção vulcânica.
Nas Canárias, uma gigantesca massa rochosa ameaça desprender-se do vulcão
Cumbre Vieja, na ilha de La Palma, indo cair no mar. Quando isso acontecer, uma
gigantesca onda atravessará todo o Atlântico em direcção ao continente
americano, atingindo-o apenas quatro horas e claro está, também a costa portuguesa
será afectada pelas vagas.
Ao ler alguma informação relacionada com estes fenómenos naturais, reparei
que os americanos e os japoneses tem sistemas de aviso de tsunami e que
inclusivamente têm aviões prontos a descolar, depois de emitido o alerta, que
possibilitam acompanhar as ondas, controlando do ar a sua direcção e
velocidade, conseguindo desta forma prever com alguma antecedência o efeito que
se irá verificar aquando da chegada a terra dessas ondas. (USA e Japão são
outra realidade)
Estou convicto que, pela natureza da nossa costa, uma catástrofe com magnitude
da que agora ocorreu no Oceano Indico não seria possível, no entanto, haveria
zonas da nossa costa e de outros países da Europa, que seriam gravemente
afectados. Era de enorme importância que os órgãos de comunicação social,
partidos políticos, bem como a sociedade civil em geral continuassem a
pressionar as entidades competentes para o total esclarecimento das
populações sobre as consequências para Portugal duma catástrofe desta
natureza, bem como das medidas possíveis a ser tomadas para minimizar os
efeitos que daí possam advir.
02 De Janeiro de 2004.
António Lemos