Este espaço destina-se à divulgação de Noticias, Ideias e Pensamentos e ao debate de temas relacionados com o Mar, a Politica, a Cidadania, o Turismo, a Sociedade e a Cultura em geral. FOI ADICIONADO UM CONTADOR A PARTIR DE NOVEMBRO DE 2010
Quinta-feira, 8 de Novembro de 2018
EU QUERO O FIM DA CAÇA Á RAPOSA.

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EU QUERO O FIM DA CAÇA Á RAPOSA.

A raposa não é um animal que faça parte de qualquer tipo de gastronomia em Portugal, nem mesmo na Península Ibérica, continuar a permitir o abate a tiro, paulada ou por matilhas de cães, só serve para deleite daqueles que possuem instintos assassinos, ou interesses económicos como o comércio mais ou menos obscuro da pele das raposas.

 

A raposa é um mamífero carnívoro, alimenta-se principalmente de pequenos roedores, coelhos, peixes, ovos, frutos e insetos, o seu habitat são regiões de clima temperado, em Portugal a raposa vermelha pode ser encontrada de norte a sul.

A raposa é uma predadora generalista e oportunista, não desperdiça qualquer tipo de alimento. Come desde coelhos, ou ratos, ouriços, escaravelhos, gafanhotos, perdizes, pássaros, répteis, anfíbios, ovos, frutos silvestres, etc.

Quando o alimento natural escasseia costuma recorrer às áreas humanizadas, à procura de animais domésticos, resquícios de alimento nas lixeiras e até aproveitar animais mortos por atropelamentos. Nos períodos de maior abundância de alimento costumam armazenar a comida, enterrando-a, para consumir nas alturas menos abastadas.

Em Portugal nas regiões em que é detectada a escassez de alimentos naturais da raposa o mesmo deve-se á caça excessiva de coelhos, lebre e aves.

Apesar de não existirem estudos concretos acerca da sua abundância, verifica-se que é uma espécie muito comum.

A actual abundancia deste animal deveu-se em parte, à eliminação de alguns dos seus predadores naturais, tais como, a águia-real, o bufo-real, a açor, o lince e o lobo, devido em grande parte á caça predatória, nomeadamente ao lobo ibérico apesar da proibição.

 Os principais factores de ameaça á raposas, estão relacionados directamente com actividades humanas, nomeadamente com as medidas de controlo de predadores implementadas pelas Zonas de Caça dos diversos regimes cinegéticos, a própria caça, já que a raposa é considerada uma espécie cinegética, e a rede viária que leva a que se torne com frequência em vítima de atropelamentos.

Não é verdade que a raposa ataque com frequência as capoeiras comendo as galinhas, tal pode acontecer em alturas de muita escassez de alimentos naturais, e sobre capoeiras que não possuem a segurança devida para a protecção dos animais, ainda assim, alguns ataques a capoeiras atribuídos ás raposas são efectuados por matilhas de cães que vivem de forma selvagem atacando capoeiras devido á fome, situações que mais uma vez só podem ser imputadas ao homem pela sua incúria e desleixe na preservação dos animais no seu habitat natural.

Na Inglaterra, onde a caça á raposa é considerada uma tradição secular, essa prática foi proibida em 2005, não encontro qualquer justificação para que alguém dotado de sensibilidade para a defesa da vida, possa alguma vez concordar que se continue a matar raposas em Portugal.

 

António de Lemos

 

Bibliografia:

https://www.todabiologia.com/zoologia/raposa htm

http://www.terrasdesico.pt/turismo-fauna/raposa

Covão da Ponte, Serra da estrela.



publicado por António Lemos às 17:21
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2018
Que Futuro: um progresso sob a forma de retrocesso?

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SOS SADO·DOMINGO, 4 DE NOVEMBRO DE 2018

O MUNDO ANDA PARA A FRENTE E SETÚBAL VOLTA AOS ANOS 70? 

 

Anda a sociedade civil e os media num corrupio total em volta do tema das dragagens no rio Sado, e o debate que se deve produzir, alto e bom som, parece estar a passar-nos constantemente  por entre os dedos.

Lamentavelmente, as redes sociais, esse imenso potencial de imersão e possibilidade de colaboração colectiva, ocupam muito mais o lugar de uma arena romana do que o de um espaço de diálogo, esclarecimento e edificação colectiva.

Não sendo isto uma novidade, é importante ter presente o papel da contra-informação e do ruído informativo em todo este processo como forma de afogamento da verdade.

Já lá vão os tempos em que a terapia de grupo se fazia à volta de um copo de vinho, a jogar chinquilho, a pescar ou à volta de uma mesa de bilhar. Entre um descargo de consciência, um desabafo e uma informação consistente, venha o diabo e escolha. Porque alguém teme pelo seu emprego na zona portuária, as dragagens passam a ter o valor de uma boia de salvação em alto mar. E não é assim. A queixa pode ser legitima, mas a solução não o é. Tudo se confunde e a solução aparece-nos mascarada de virtude como se nada mais houvesse a fazer. E não é assim que as coisas são, nem é assim que devem ser. Isto, se aquilo a que aspiramos tem por base comum o progresso da sociedade e a melhoria de vida para a generalidade dos cidadãos.

Qual é então a questão que nos escapa quase sempre à análise e que é colocada como objectivo central pelos defensores das dragagens? Observando toda a comunicação veiculada para os media, só há um objectivo claro: a necessidade imperiosa de criação de emprego com vista ao desenvolvimento e à melhoria das condições de vida da população. É esse o argumento central apresentado por todos os defensores das Mega-Dragagens: um mal necessário, assumido, mitigado pela oferta de emprego e pela promessa de desenvolvimento.

De facto, é este o grande argumento da opção política emanada do governo (via Ministério do Mar) secundada localmente com unhas e dentes pelos vereadores maioritários do PCP e do PS (CMS) assim como pela Administração do Porto de Setúbal SA.

Naturalmente, no abstracto, nenhum cidadão de bom senso se opõe a tal objectivo. Quem se opõe à melhoria das condições de vida das populações? É óbvio que todos desejam o desenvolvimento, sem excepção.

O problema que se coloca não é pois ao nível do objectivo, mas sim ao nível da metodologia escolhida para se atingir o objectivo. Na gíria é o “Como” que importa, algo que podemos identificar como a filosofia política da ideia das Mega-Dragagens.

É então neste ponto que as opções do governo, da CMS e da APSS SA se separam das opções de muitos cidadãos e organizações norteadas pelo bom senso e pelo reconhecimento dos valores do ambiente.

Listadas que estão as múltiplas vicissitudes e as  terríveis consequências desta filosofia em múltiplos artigos de imprensa e nas mais diversas posições das organizações ambientais (das mais formais às mais informais), será importante manter em perspectiva o objectivo central, e discutir de que outras formas ele pode ser atingido. Sendo consensual que todas as partes desejam atingir o desenvolvimento, então, com alguma agilidade política, este processo poderá muito simplesmente ser revertido. Bastará para isso alterar a filosofia (política) das decisões tomadas e encontrar novas formas de atingir o mesmo objectivo, lembrando que uma coisa são os objectivos e outra são os meios para os atingir. Vivendo em Setúbal, podemos todos ter o objectivo de ir a Lisboa ver um concerto de Benjamim Clementine, mas alguns preferirão ir de carro, outros de autocarro enquanto outros preferirão ir de comboio, conforme a condição pessoal de cada um. Ou seja, partilhamos um mesmo objectivo mas temos processos/formas diferentes de o poder atingir. O objectivo não é ir de carro a Lisboa, mas sim assistir a um concerto do Benjamim Clementine. Ir de carro é apenas uma forma de lá chegar, tal como as Mega-Dragagens são apontadas como uma forma de atingir desenvolvimento e ganhar postos de trabalho.

Como muito bem se entende, a solução (forma/processo) defendida pela APSS SA (seguir link sobre volume das dragagens, aqui), secundada em toda a sua latitude pela vereação e presidência CMS, subsidiárias das politicas do Ministério do Mar, aponta para uma transformação massiva da baía de Setúbal num gigantesco parque de estacionamento de navios de grande porte, capazes de transportar 6.000 contentores de uma só vez! E, na ambição dos promotores, com possibilidade de dois desses gigantes se poderem cruzar à entrada do rio. Para quem está um pouco alheado destas dimensões será importante lembrar que estamos a falar de barcos com um comprimento equivalente a 3 ou 4 campos de futebol (300/400 metros, ver exemplos aqui, aqui). Veja-se o gigantismo da coisa. Os simples buracos de rua demoram em Setúbal semanas ou meses a serem reparados, mas de repente já nos achamos capazes de lidar com barcos de 6.000 TEU’s e as respectivas 81 viagens/dia de camiões de grande porte, só para o aterro na zona nascente do Terminal Ro- Ro (nota explicativa, aqui).

De onde virá então tamanha inspiração?

É preciso lembrar que tais camiões e barcos são altamente poluidores da atmosfera e do mar com fortes implicações na saúde humana (notas explicativas aqui, aqui, aqui), constituem um perigo constante para a navegação do rio escravizando a circulação do estuário às suas gigantescas manobras (exemplos de acidentes com sérias implicações aqui, aqui, aqui, aqui)  e que, são perigosas incubadoras de seres estranhos ao nosso habitat de entre os quais se destacam insectos portadores de doenças mortais. Finalmente, mas não menos importante, o perigo constante que os seus lastros representam para o ecossistema do rio. É sabido entre os pescadores que neste momento estão já identificadas cerca de 4 espécies invasoras no rio Sado.

Interessa-nos pois, nesta fase critica do processo, saber o que nos promete a parceria CMS/APSS SA. Assim, analisando o Parecer da Comissão de Avaliação (link, aqui), na página 22 podemos constatar que, em fase de construção, num período estimado entre 3 a 4 anos, a criação de emprego corresponde a “60 empregos diretos e 180 empregos indiretos”. Isto sem que se saiba durante quanto tempo são esses empregos garantidos. Seguindo uma leitura linear, estes empregos extinguem-se após o término das obras uma vez que são empregos de obras, óbvio. Ainda a propósito da criação de emprego, na página 23 do mesmo documento, há um subcapítulo que merece ser transcrito na integra. Diz o seguinte:

Tráfego de Contentores

O acréscimo de tráfego de contentores gerado com a realização do projeto de melhoria dos acessos marítimos será de 86 000 TEU em 2020, aumentando progressivamente para 129 000 TEU em 2030 e até 185 000 TEU em 2040. Originará uma média de criação de emprego de 143 empregos diretos ao ano:

  • Em 2020, 2 anos após a execução das dragagens: 95 novos empregos diretos.
  • Em 2030: 141 novos postos de trabalho.
  • Em 2040: 200 novos postos de trabalho.

Como facilmente se depreende da leitura, a interpretação é ambígua e contraditória, sendo que não há absolutamente nenhuma justificação nem fundamentação de que empregos se fala, da sua natureza contratual ou da sua localização geográfica. Potencialmente poderemos estar a empregar programadores informáticos na Índia cuja tarefa se concentra em explorar algoritmos para margens de erro nos movimentos robóticos das gruas. Na prática é isto que pode acontecer.

Sendo este um parecer que está na origem de uma tomada de posição vital para a região, sendo a região a grande beneficiada por esta acção, seria de esperar dos seus responsáveis um mínimo de rigor e de lógica na fundamentação e exposição de argumentos. Na realidade, o que temos ali é um exercício de falibilidade mais próprio de uma actividade artística do que de uma actividade técnico-científica.

Em consequência, e como resposta a este devaneio vertido num documento sem alusão a  autores ou autor academicamente verificável, apresentam-se a seguir, uma série de alternativas passíveis de criação de emprego mais qualificado, em número muito superior ao proposto, com metas temporais mais curtas,  e sem qualquer impacto negativo para o meio ambiente.

 

OUTROS CAMINHOS, OUTRA VISÃO

Nas propostas que se seguem, e que constituem a ideia fundamental deste texto, valorizam-se as vantagens científicas, culturais e artísticas para a cidade e para o país. Apresentadas de forma sucinta,  as ideias constituem acima de tudo uma outra filosofia política e uma outra visão de futuro. Uma visão mais virada para o pilar da sustentabilidade ambiental em estreita ligação com o desenvolvimento científico, cultural e artística da cidade, da região, do país e do planeta.

É tempo de pararmos de pensar no ferro e seus derivados industriais, e de começarmos a pensar que essa época já passou há algumas dezenas de anos. O momento actual corresponde à época de informação, conhecimento e criatividade. Tal como precisamos de exorcizar as touradas em que se mata com o ferro, também precisamos de exorcizar a criação de empregos baseada na indústria do ferro e do metal. O mundo evoluiu desde então para cá, e as Indústrias Culturais são já uma área de investimento consolidado em todos os países desenvolvidos.

Veja-se o caso de Bilbao, em Espanha, uma cidade marcadamente industrial até aos anos oitenta e encurralada entre um passado de indústrias pesadas e um futuro incerto.

 

 

zona portuária de Bilbao, antes da implantação do Museu Guggenheim

Tendo entrado em franco declínio, com elevadas taxas de desemprego fruto da decadência da industria metalúrgica e da industria naval, consciente da crise que atravessava, Bilbao resolveu revitalizar-se, e, num autêntico golpe de rins criou aquele que é hoje um dos grandes centros de referência artística na Europa: o Museu Guggenheim. Desenhado pelo arquitecto Frank Gehry e inaugurado em 1997, o museu, para além de constituir uma das maiores referências mundiais da arquitectura, alberga constantemente exposições de artistas contemporâneos do mais alto nível, tendo-se tornado uma das mais fortes atracções turísticas de Espanha e da Europa. Três anos depois da sua inauguração, já contava com 4 milhões de visitantes geradores de 500 milhões de euros em actividades económicas.  Segundo números das autoridades locais,  foi estimado que o dinheiro gasto pelos visitantes em hotéis, restaurantes, lojas e transportes correspondeu à cobrança de cerca de 100 milhões de euros em impostos, e só no ano de 2016 o número de visitantes ascendeu a cerca de 1 milhão, algo inimaginável de acontecer 20 anos atrás (um pouco do seu historial, aqui). A média de visitas mensais anda na ordem dos 100.000 visitantes, pouco menos do que a população de Setúbal.

Ainda assim, pese embora o sucesso que viria a ter, a decisão de construir o museu pareceu demasiado ambiciosa para a altura e como sempre acontece não faltaram críticas dos mais diversos horizontes. No entanto, o caso da revitalização de Bilbao é de tal forma reconhecido e consolidado que já deu origem a um novo termo nas áreas de investimento cultural, arquitectura e planeamento urbanístico: “Bilbao Effect” (mais info aqui, aqui, aqui) . O projecto parecia demasiado arriscado para uma cidade tão empobrecida pelo desemprego e caracterizada na sua essência por uma grande ausência de sensibilidade artística e cultural.  Mas tal como se verifica em Bilbao e num sem número de cidades, a valorização artística tem desempenhado um papel vital no desenvolvimento das cidades desde os primórdios da humanidade. Fazer de conta que essa realidade não existe é ignorar uma dimensão fundamental no desenvolvimento humano, e em última análise, é mesmo uma recusa evolutiva.

Escolher hoje aqueles que eram os caminhos dos anos 70, não é evoluir, é regredir, é virar as costas ao futuro. Evoluir é muito mais do que andar a apanhar bonés e cair no engodo do negócio fácil. Evoluir é olhar para a frente e aprender com os erros do passado, tal como qualquer pai ensina aos seus filhos. Temos de mudar o paradigma antes que seja tarde demais para nós, e para a natureza que nos rodeia.

Ao longo da minha experiência de vida, tendo visitado várias dezenas de cidades um pouco por todo o mundo, de Rabat a Hong Kong, passando por Paris, Berlim, Kiev ou pelo Dubai, houve uma aprendizagem que me ficou gravada na memória como corolário de todas estas viagens: as duas grandes razões que levam as pessoas a viajar pelo mundo parecem ser (1) o turismo cultural, essencialmente orientado para a fruição da arte, e (2) o turismo geográfico, orientado para a beleza natural dos locais, em que se incluem naturalmente as suas variantes lúdicas (artesanato, cozinha local, etc.). Poderemos encontrar imensas micro variações dentro de cada género, mas invariavelmente acabarão todas por se integrar nestas duas grandes categorizações, sendo o turismo religioso o único que talvez fique a meio termo entre as duas categorias.

Pensando na cidade de Setúbal, talvez seja consensual admitir que a sua paisagem circundante e os seus parques naturais a fazem cair invariavelmente na segunda possibilidade, sendo que, relativamente à primeira categoria, a da arte, tudo está por fazer em Setúbal.

Partindo deste potencial existente, a grande pergunta que se coloca é: porquê colocar em causa o único património que temos como certo e válido para a região e para o país, havendo um porto de águas profundas em Sines, a algumas dezenas de quilómetros, em que se gastaram muito recentemente cerca de 700 milhões de euros?

Porquê fazer de conta que não se está a colocar em causa a integridade de um património natural único na Europa, literalmente entalado entre reservas naturais classificadas e aclamadas internacionalmente? Isto sem esquecer que a baía de Setúbal está classificada entre as dez baías mais belas do mundo.

Que sentido faz então toda esta atrocidade industrial e em nome de que racionalidade?

 

OUTRAS POSSIBILIDADES DE FUTURO, UM OUTRO IDEAL

1 - CRIAÇÃO DE UM PÓLO UNIVERSITÁRIO E CENTRO DE INVESTIGAÇÃO ORIENTADO PARA A NATUREZA

(ciência e investigação em vez de indústria pesada)

Há uma quantidade considerável de universidades espalhadas por esse Portugal fora. Porque não a criação de uma universidade em Setúbal? O potencial geográfico (rio, mar, serra, península) permitiria criar facilmente vários cursos de proximidade à natureza potenciados por um espaço laboratorial privilegiado, e de certa forma único em Portugal, capaz de atrair estudantes internacionais tendo em conta a tradição e vocação marítima do país. Possíveis áreas poderiam ser biologia marinha, estudos ambientais, biodiversidade, etc. Uma área possível de desenvolvimento  poderia ser também a biotecnologia, um campo de investigação em franca expansão em todo o mundo e que pode movimentar cerca de 5/6 milhões de euros/ano. Imagine-se os postos de trabalho e a massa critica que um tal espaço poderia injectar numa cidade como Setúbal. Numa dimensão mais modesta é muito frequente um centro de investigação poder movimentar valores na ordem de 300.000 €/ano e não é raro que um único investigador, ou um pequeno grupo consiga captar prémios de investigação na ordem de 1 ou 2 milhão de euros (exemplos aqui, aqui. aqui, aqui).

Logo à partida, um investimento desta natureza criaria muito mais emprego em fase de construção do que as dragagens em 10 anos, e a médio/longo prazo produziria a massa critica fundamental ao florescimento da cidade. Estudantes trazem vida e alegria ao espaço urbano, e aumentam bastante o comércio local de bens de consumo regular.  Acresce a ausência total de poluição.

A ideia tem tudo à partida para ser uma aposta ganha. Mais empregos, empregos mais qualificados e duradouros, mais massa critica, menos poluição e valorização exponencial do ambiente e dos valores da dignidade universal.

 

2 - CRIAÇÃO DE UM PROJECTO ARTÍSTICO DE GRANDE ESCALA PARA A CIDADE

(cultura em vez de indústria pesada)

A implementação desta ideia poderia ser conduzida, por exemplo,  segundo dois grandes vectores de orientação. Um deles direcionado fundamentalmente para a criação de um pólo universitário onde se produzisse reflexão que tivesse como eixo central as grandes preocupações artísticas do século XXI.

E um outro vector que apontaria para o reforço e consolidação de estruturas e actividades existentes, conferindo-lhes maior e melhor dignidade profissional. Neste caso, serão dados alguns exemplos, de entre os muitos possíveis.

Vector Século XXI: Criação de uma Universidade vocacionada para o ensino artístico  Num momento histórico claramente identificado como de importância vital para o desenvolvimento da criatividade, é fundamental dotar a cidade de um local de concentração e investimento no ensino artístico. Como se sabe pelos inumeráveis exemplos, sempre que uma cidade investe em cultura o seu crescimento faz-se exponencialmente. Dessa forma, considerando a proximidade à natureza, a implantação de um tal espaço poderia criar sinergias muito interessantes no domínio da investigação, podendo-se desenvolver projectos de acolhimento a artistas e investigadores que encontrariam na região o que de melhor se deseja: bom acolhimento, boa cozinha e um espaço laboratorial de excelência para estudar e trabalhar. As possibilidades de interacção com a natureza, como se sabe, constituem um aspecto crucial na vida das pessoas, e por essa ordem de ideias, representam um aspecto de enriquecimento para qualquer  estudante. Nesta vertente, a proximidade às actividades náuticas proporcionadas pela cidade poderia ser um importante factor de atracção para potenciais estudantes nacionais e estrangeiros. Por outro lado, considerando a proximidade a Lisboa, uma escassa meia hora de viagem via autoestrada, seria também relativamente fácil atrair e integrar professores residentes na capital, conseguindo-se assim um corpo docente relativamente sólido e experiente. Não menos importante, a proximidade do aeroporto para possível captação de professores visitantes estrangeiros desempenharia um papel igualmente vital na facilitação desse investimento.

Se considerarmos a possibilidade simultânea de existirem ambas as universidades (ponto anterior), poder-se-ia pensar numa parceria entre centros de investigação que visasse a investigação entre arte e natureza à semelhança de outros programas europeus de desenvolvimento científico.

A título de exemplo, posso citar o caso de Virus-Antivirus um projecto implementado em 2007 na MC2 (Maison de la Culture) em Grenoble, França, ao abrigo do programa l’Atelier Arts-Sciences e em que estive envolvido como artista-compositor. A essência do projecto consistia em explorar artisticamente um conjunto de desenvolvimentos tecnológicos (StarWatch) produzidos pelo Centro de Energia Atómica (CEA/ LETI/DCIS) por forma a levar esses mesmos desenvolvimentos ao extremo da sua utilização. Neste caso, o extremo da utilização tinha a forma de uma coreografia em que a própria coreografa/bailarina (Annabelle Bonnéry) controlava o desenvolvimento da composição de acordo com os seus movimentos. No processo de criação, em que estivemos sempre acompanhados por uma equipa de nanotecnologia do CEN chefiada pelo cientista Dominique David, foram testados vários protótipos que deram origem a novos modelos, mais resistentes, mais eficientes energeticamente e mais responsivos ao movimento.

No final do processo, o resultado da parceria teve dois outputs: um artístico (a coreografia e composição musical) e outro medico-científico (aparelhos de acompanhamento permanente ao movimento a doentes muito debilitados e terminais). O projecto percorreu imensos palcos e passou a constituir um case study na produção “arte-ciência” em França (mais informação, aqui).

Não poderia ser também uma ambição de Setúbal?

Vector Reforço e Consolidação: Criação de um Centro Cultural

Olhando para o panorama nacional é confrangedor observar que Setúbal não tem um Centro Cultural capaz de acolher espectáculos de média e larga dimensão à semelhança de tantas outras cidades nacionais. Os actuais espaços, embora dignos, não são dotados de equipamentos à altura das exigências actuais, nem estão dimensionados para as reais necessidades das actividades artísticas que seguem os standards técnicos habituais. Falta-nos por exemplo um auditório de média dimensão capaz de receber 180/250 expectadores (um formato convencional) e em que seja possível criar o modelo de black-box crucial à maioria dos espectáculos. O mesmo se pode dizer em relação a uma sala com escala de grande dimensão na ordem das largas centenas de espectadores (exemplos: Theatro Circo em Braga, ou o Centro Cultural Vila Flor em Guimarães).

Não menos importante seria criar uma equipa de programação igualmente capaz de responder aos anseios da população através de uma programação cuidada, actual e exigente. Mais uma vez, os dois casos de salas acima mencionados podem servir de referência. Só a título de exemplo, considerando o momento em que se escrevem estas palavras, dentro de 12 dias actuará no Theatro Circo o artista nórdico Nils Frahm, e há 5 dias atrás actuaram os Kronos Quartet. Seis dias antes actuou Damien Jurado. Ou seja, num espaço de 20 dias actuam em Braga, no Theatro Circo, 3 artistas de um nível e de uma contemporaneidade que Setúbal nunca foi capaz de programar e acolher.

Já é altura de se inverter esta triste política de isolamento e fechamento à realidade da criação contemporânea.

Com esta proposta, poderiam ser criados cerca de 20 postos directos e abriam-se as portas a muitas dezenas de postos indirectos. Ganhava Setúbal, ganhava a cultura e ganhavam os setubalenses que passam a vida a ir a Lisboa ver espectáculos que nunca circulam pela sua cidade natal. E com isso era menos dinheiro que os cidadãos de Setúbal gastavam em Lisboa e mais dinheiro que alimentava a economia local.

 

 

Festival Semibreve (Theatro Circo, Braga). Imagem: Adriano Ferreira Borges

Vector Reforço e Consolidação: Criação de um Festival de Artes Digitais

Se há coisas que nos nossos dias se tornam por demais evidentes, uma delas é certamente o peso que a ciência e a tecnologia digital imprimem no nosso quotidiano. Um pouco por todo o lado florescem festivais e encontros em que se comemora esta dimensão das nossas vidas. Sendo as artes digitais uma actividade em franca expansão por todo o mundo, seria de todo o interesse para os nossos jovens poderem ser confrontados com o que de mais interessante se faz na produção e criação digital. Um festival desta dimensão tem um potencial turístico gigantesco, podendo gerar receitas muito consideráveis num breve período de tempo. Lembre-mo-nos que só o festival Sónar em Barcelona é suficiente para alterar a balança de pagamentos da Catalunha. Em pouco mais do que vinte anos, o festival ganhou uma dimensão mítica e a sua organização tem já uma dimensão industrial, sendo um case study habitual no mundo das industrias criativas.

Em Portugal, o festival Semibreve, nascido em 2011, em Braga, é já tido como um dos grandes festivais europeus de novas musicas atraindo à cidade espectadores e imprensa especializada de todo o mundo (exemplo, aqui). Segundo estudos de 2017, o Impacto calculado com base na determinação do valor monetário das notícias (AVE –Advertising Value Equivalence) ascende a cerca de 660.000 euros, sendo 27% desse valor de origem internacional.

Paralelamente, a área das Indústrias Criativas está neste momento a movimentar alguns milhões de euros no Norte de Portugal através de um programa de continuidade de investimento que se estende ao longo dos próximos anos. Mais uma vez, opções que não poluem, que não destroem o ambiente e que só aumentam o nível de literacia nos cidadãos.

Os postos directos de trabalho num evento desta natureza ascenderiam a uma escassa dezena, se tanto, mas num curto espaço de tempo movimentariam muitas dezenas de milhares de euros em estadias, alimentação e serviços diversos relativos à permanência de turistas culturais na cidade. E, como se comprova em casos semelhantes, a tendência verificada é para esses mesmo visitantes trazerem novos visitantes num processo de realimentação positiva.

Vector Reforço e Consolidação: criação de uma Orquestra Filarmónica

Se se criasse uma orquestra - a Filarmónica de Setúbal - já se criavam 100 postos de trabalho. Mais postos directos do que os anunciados para 3/4 anos de obras de dragagens. Acresce que uma orquestra não destrói a natureza, antes pelo contrário, exalta-a, e em consequência há mais riqueza cultural e menos poluição. Com uma orquestra viriam os afinadores de instrumentos, os reparadores de instrumentos e mais estudantes de música, com o consequente emprego de professores de música, uma classe tão desesperadamente nos limites da sobrevivência. Sabemos o quão rico é o distrito de Setúbal em produção de músicos (Conservatório, Academia, Capricho, Caceteiros, Loureiros, etc.). Porque não empregá-los numa orquestra? Evitariam ter de sair da cidade e da região para trabalhar, tal como tem acontecido a tantos jovens e adultos. Em postos indirectos também superaríamos os mesmos 180 anunciados para 3 / 4 anos de obras. Com o desenvolvimento e consolidação da orquestra poderíamos ter uma maior projecção artística da cidade, algo que, lamentavelmente, não acontece de forma alguma.

Vector Reforço e Consolidação: criação de um Coro Profissional

Se se financiasse adequadamente um Coro de Setúbal em direcção à profissionalização dos seus membros, não seria necessário que os próprios cantores estivessem constantemente a contribuir financeiramente para as estruturas existentes. Seriam outros 30 ou 40 postos de trabalho. E com eles uma maior qualidade vocal e maior projecção artística da cidade. Mais uma vez: mais riqueza cultural, menos poluição e mais natureza.

Uma medida que faria todo o sentido na cidade que consagra o nome de uma cantora lírica à sua maior e mais icónica avenida: Luisa Todi. Essa sim, seria uma verdadeira homenagem à cantora que levou o nome de Setúbal a lugares até então “nunca antes navegados” por um setubalense.

CONCLUSÃO

O que nos impede então de fazer de Setúbal uma cidade melhor, senão a vontade de não avançar?

Como se sabe, as grandes cidades tornam a comunicação e a interacção social muito difícil. É demorado, dispendioso e bastante desmotivador passar diariamente muito tempo em deslocações de um lado para o outro, algo que começa a acontecer quando as cidades atingem os 500/600.000 habitantes. Como é sabido, Setúbal tem uma população que coincide com o número considerado ideal para se viver equilibradamente num centro urbano.

Este é, pois, o momento certo para se dizer não a algumas coisas e sim a outras. Como nos disse vezes sem conta Jean Paul Sarte, esse grande pensador da humanidade: estamos condenados a ter de escolher. É essa a nossa grande responsabilidade em vida, escolher, fazer opções. Está nas mãos de cada um, escolher o que julga ser melhor observando os exemplos que nos rodeiam.

Sem grandes pretensões, foi esse o retrato que vos quis fazer, o de uma possibilidade de escolha entre muitas outras.

E se alguém acha que pode negar e contrapor esta possibilidade de futuro com um outro em que grandes embarcações de contentores dominam a paisagem do estuário do Sado, então que nos apresente essa sua visão e que o faça com argumentos plausíveis. O que nos é proposto com estas Mega-Dragagens, não perspectiva qualquer possibilidade de desenvolvimento social para a cidade nem para os seus moradores.

Nesta encruzilhada que se nos oferece, para já, o que temos é um executivo camarário com maioria absoluta PCP e PS que prefere que se despejem contentores numa das dez baías mais belas do mundo, e que na primeira Sessão Pública de Câmara do mês de Outubro de 2018, chamou a essa opção desenvolvimento e progresso.

Fica-me a ideia de que estes senhores e senhoras vêm o mundo a andar para a frente, mas querem Setúbal de volta aos anos 70.

E nós, o que fazemos?

Vitor Joaquim, 4/11/2018

https://www.facebook.com/notes/sos-sado/que-futuro-um-progresso-sob-a-forma-de-retrocesso/1933482273426163/

Publicado no Mar Revolto por: Antonio de Lemos

Imagem: Museu Guggenheim Bilbao https://www.guggenheim-bilbao.eus/pt-pt/informacao-util/horarios-e-tarifas/

 

 



publicado por António Lemos às 11:52
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018
Eu estava lá e não esqueço!

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Eram 6h do dia 25 de Abril de 1974, quando o meu pai me acordou e me disse que havia algum problema em Lisboa que na radio tinha ouvido dizer que havia militares nas ruas.

Tinha de pegar ao serviço às 7.30h, no Hotel Estoril Sol, onde trabalhava mas hás 8h já estava no Terreiro do Paço acompanhado pelo meu colega Guedes

Eu e o Guedes a partir dessa hora assistimos a todos os desenvolvimentos, correndo de um lado para o outro sofregamente, querendo presenciar tudo o que se estava a passar. Nunca esquecerei aquela figura ímpar do CAPITÃO SALGUEIRO MAIA de arma ao tiracolo dando ordens de um lado para o outro, no Terreiro do Paço, de braços abertos em frente dos tanques de guerra na Rua do Arsenal, ou ainda de megafone na mão em frente do quartel da GNR no Largo do Carmo.

 Estive no Terreiro do Paço, na Rua do Arsenal, na Ribeira das Naus, no Largo do Carmo, e na rua, António Maria Cardoso, onde se encontrava a sede da PIDE/DGS e onde se registarão os únicos mortos e feridos da nossa REVOLUÇÃO no dia 25 DE ABRIL. A PIDE abriu fogo por duas vezes matando 5 pessoas e fazendo 45 feridos. EU ESTAVA LÁ! Quando fugia dos tiros ao virar de uma esquina tropecei num soldado que se encontrava deitado no chão de arma na mão, perguntou-me se eu estava ferido, respondi que não e ele disse “estes filhos da puta querem estragar tudo”. Eu não me esqueci EU ESTAVA LÁ! NÃO APGUEM A MEMORIA! 25 De ABRIL SEMPRE!

Antonio de Lemos



publicado por António Lemos às 00:09
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Sábado, 31 de Março de 2018
Faro de Cabo Ortegal

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Faro de Cabo Ortegal

Faro, (farol) de Cabo Ortegal é um farol de 10 metros de altura, sendo que junto ao cabo a altura das falésias podem atingir mais de 600m, está localizado na costa atlântica de La Coruña, no Cabo Ortegal, é o ponto mais setentrional da Espanha.

Visitámos o Faro do Cabo Ortegal em 21 de Fevereiro de 2018, num dia de alguma chuva e de muito vento em que as previsões meteorológicas indicavam a possibilidade de rajadas até 70 Km. A estrada de acesso não é larga, está ladeada em alguns locais por precipícios e estava molhada devido á chuva, o que obrigou a cuidados redobrados na condução.

Projectado em 1982, foi concluído em 1984. A torre cilíndrica padronizada é construída de cimento, medindo 3 m de diâmetro e 12,70 m de altura. É branco com uma tira vermelha, com duas varandas redondas de 4,70 m de diâmetro, localizado na província de La Coruña.

Em frente ao Cabo Ortegal têm sido muitos os naufrágios devido às formações rochosas denominadas “Aguilones”, um dos mais conhecidos e relatados ao longo dos tempos tem sido o naufrágio do Vapor "Miramar", a 9 de fevereiro de 1918, tendo morrido 10 dos 37 tripulantes.

Dados técnicos - Sinal iluminado

Número internacional: D-1686.3

Altura do plano focal (m): 124Hight

Altura do suporte (m): 10

Características da luz: L 0 5 oc 2 L 0 5 oc 4 5 L 0 5 oc 7

Ritmo de luz: GpD (2 + 1)

Período da luz (s): 15

Cor da luz: Branco:

Alcance nominal noturno (MN): 18

Nacional Nº: 03160

Latitud: 43º 46.261 'N

Longitude: 007º 52.188' W

Publicado Por: Antonio de Lemos

 

Bibliografia:

“masmar” http://www.masmar.net/esl/Gu%C3%ADas/Faros/Galicia/03160-Faro-de-Cabo-Ortegal

TALES OF A WANDERER http://www.talesofawanderer.com/blog/cabo-ortegal/

Blogue Jordi Carreño Crispín.https://jordicarreno.wordpress.com/2008/09/22/el-vapor-miramar-se-hundio-hermando-dos-pueblos-marineros/

 



publicado por António Lemos às 15:42
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Sábado, 17 de Março de 2018
Visita ao Navio Hospital Gil Eannes

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Visita ao Navio Hospital Gil Eannes

Quando navegavam na Terra Nova e nos Grandes Bancos, os navios portugueses da pesca do bacalhau até 1923, ficavam por conta própria sem qualquer assistência, quando algum tripulante adoecia ou ficava ferido com gravidade, a única solução era rumar a terra normalmente para o porto de St. John’s no Canadá.

Em 1923 a marinha de guerra portuguesa decidiu enviar um navio para os Grandes Bancos com o objectivo de prestar assistência á frota de pesca á linha.

Foi então escolhido para esta função o cruzador Carvalho Araújo, mas por infelicidade logo na sua viagem inaugural o navio encalhou devido aos nevoeiros na costa sul da Terra Nova, tendo conseguido safar-se pelos próprios meios 24 h depois do encalhe. Não é claro se o navio ainda prestou assistência á frota de pesca nessa campanha.

Depois do acidente com o Carvalho Araújo só em 1927 voltou a ser enviado um navio para assistência da frota de pesca portuguesa, tratava-se do navio Gil Eannes, ex. Lahnec, que tinha sido aprendido aos alemães, durante a primeira guerra mundial quando se encontrava fundeado no rio Tejo, tendo sido transformado em navio-hospital, missão que durou até 1954.

Em 1955 um novo navio que estava em construção ficou pronto e entrou ao serviço como navio-hospital foi-lhe atribuído, (mais uma vez), o nome de Gil Eannes e é o navio museu flutuante que pode ser visitado em Viana do Castelo terra onde foi construído.

Este moderno navio tinha uma tripulação de sessenta e dois homens. O Gil Eannes foi o primeiro navio especificamente projectado para operar nos grandes bancos como navio hospital, com dois blocos operatórios, aparelhos de radiografia, laboratório de análises, salas de isolamento, sala de estomatologia, três médicos, vários enfermeiros, elevador de dimensões suficientes para transportar macas e acamados.

Os serviços médicos do Gil Eannes estavam disponíveis para tripulantes de navios de outros países, mediante pagamento de uma taxa, à excepção dos canadianos que recebiam os serviços gratuitamente como reconhecimento pela hospitalidade oferecida á frota portuguesa no Canadá, especialmente na Terra Nova que fazia parte da confederação do Canadá.

Para além de navio hospital, o Gil Eannes também estava capacitado para fornecer abastecimentos á frota, como água, combustível, carvão para os fogões das cozinhas e frescos. A tripulação independentemente das condições climáticas e da agitação marítima tinha de transferir pacientes em macas, realizar operações, prestar todo o tipo de socorro no mar, como acorrer a naufrágios, recolhendo os náufragos. 

O Gil Eannes efectuou a sua última viagem de assistência à frota bacalhoeira em 1973, esteve parado durante algum tempo e em 1975 iniciou novamente atividade como navio comercial transportando bacalhau seco da Noruega para Lisboa, ao serviço da Comissão Reguladora do Comércio do Bacalhau.

Ainda em 1975 foi requisitado pelo Governo Português para apoiar a independência de Angola, como navio hospital, terminada essa missão voltou a ser armado para viagens comerciais, tendo navegado pela Noruega, Canadá, Nova Inglaterra, África do Sul, República dos Camarões e Espanha, terminou a sua actividade em 1984.

A partir de 1984 o navio foi-se degradando de cais em cais no porto de Lisboa, onde foi sendo sucessivamente pilhado de grande parte do seu equipamento, até ser vendido para abate em 1997, nesse mesmo ano incentivada pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, a comunidade vianense mobilizou-se, para trazer aquele ícone da história marítima portuguesa para a cidade onde nascera.

Ainda em 1997 foi constituída a Comissão Pró-Gil Eannes com o objetivo de angariar meios financeiros para resgatar o navio Gil Eannes da sucata evitando o seu desmantelamento. Em 1998, a referida Comissão deu origem à Fundação Gil Eannes, atualmente proprietária do navio e nesse ano o navio chegou à cidade que o viu nascer para ser exposto no porto de Viana do Castelo.

O histórico Gil Eannes entrou nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo ainda em 1998 para trabalhos de limpeza e reabilitação, contando com o apoio de várias instituições, empresas e da sociedade civil em geral, criando dessa forma as condições necessárias para a sua abertura ao público em Agosto desse mesmo ano.

Em 2000 foram realizadas obras de beneficiação alargando o percurso de visita permitindo hoje aos visitantes, visitar a ponte de comando, quartos de oficiais, sala de radio telegrafistas, cozinha, padaria, casa das máquinas, elevador de transporte de doentes em macas, consultórios médicos, enfermarias, sala de tratamentos, gabinete de radiologia, laboratório de analises, bloco operatório, camarotes, capela, uma sala de exposições temporárias, uma sala de reuniões, uma loja de recordações.

Visitei, a 24 de Fevereiro de 2018, o Gil Eannes Navio Hospital. Este navio é hoje um museu flutuante que, não só retrata as suas funcionalidades enquanto navio hospital, mas também muito do que foi aquilo que considero ser a ultima grande epopeia marítima dos portugueses, a pesca do bacalhau nos mares da Terra Nova e Gronelândia.

Os homens que, primeiro em navios à vela e mais tarde a vela e motor, rumavam aos mares gelados e tempestuosos da Terra Nova e Gronelândia nas décadas de 50 e 60, não só eram excelentes pescadores como extraordinários marinheiros. No auge da pesca do bacalhau à linha, utilizando os Dóris, pequenas embarcações individuais para a captura dessa extraordinário peixe, usavam somente linhas de mão, navegando com a ajuda de uma pequena vela ou a força dos braços nos remos.

São esses homens, marinheiros e pescadores, os derradeiros heróis da epopeia marítima portuguesa. É um pouco da história desses heróis que o navio hospital Gil Eannes nos conta, uma história que em cada campanha era feita de sacrifícios, de perseverança, de muitos perigos, de alegrias e tristezas e de muita saudade.

Visitar o Gil Eannes Navio Hospital não é só absorver a história, o conhecimento que o navio nos transmite é também, e principalmente, homenagear todos os que foram e voltaram, e todos os que la ficaram.

Por: António de Lemos

Bibliografia:

Os Navios da Pesca à Linha, autor, Jean Pierre Andrieix, edição Fundação Gil Eannes.

Faina Maior – A Pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova

BLOGUE DO MINHO – Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza, http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/202358.html

Fotografia, António de Lemos



publicado por António Lemos às 14:45
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Sexta-feira, 2 de Março de 2018
TENDO O MAR COMO HORIZONTE OS FARÓIS COMO OBJECTIVO

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TENDO O MAR COMO HORIZONTE OS FARÓIS COMO OBJECTIVO

Uma viagem pela costa das Astúrias e da Galiza

2700,233 Km de Cascais a Ourense, de Ourense a Luanco (Asturias), de Luanco a Gijon, de Gijon a A Coruña, (Galiza) de A Coruña a Fisterra, de Fisterra á Illa de Arousa de Arousa a Cangas, de Cangas a A Guarda (Pontevedra), de A Guarda a Caminha de Caminha a Esposende de Esposende a S. Domingos de Rana, (Cascais), foram 9 dias de 17 a 25 de Fevereiro de 2018.

A partir de Gijon fizemos a rota dos faros, (faróis), até A Guarda, incluindo os faróis da costa da morte que começa no Faro de Punta Nariga e termina no Faro de Fisterra, visitamos, 27 faróis e 9 portos de pesca.

Visitamos o excelente Museu Marítimo das Astúrias, em Luanco, o Aquário em Gijon, a Torre de Hercules na A Coruña e vários pontos de interesse turístico e cultural, principalmente relacionados com o mar. Já em Portugal visitámos o Navio Hospital Gil Eannes e o Farol de Montedor entre Caminha e Viana do Castelo bem como o Forte S João Baptista onde se insere o Farol de Esposende.

Maravilhamo-nos com as muitas e belas paisagens verdes que acabam no mar, com a fauna e a flora, com as maravilhosas flores de muitas e belas cores que povoam as arribas, e até com vacas, cavalos, cabras e ovelhas que pastam livremente sem cercas de arame, sem pastores sem guardas, maravilhamo-nos principalmente com o silencio do ruido do mar.    

Um mergulho na Illa de Arousa com águas frias mas transparentes como vidro, uma floresta de algas, pouca pedra muita areia branquinha, poucos e pequenos peixes, muitos bivalves e búzios de várias espécies e outros habitantes daquele mundo subaquático que me pareceu não estar muito conspurcado pelo bicho homem.

Não descoramos a gastronomia, garantidamente o nosso segundo objectivo, das excelentes tapas de Ourense acompanhadas por bom vinho tinto, aos cachopos de Gijon regados a sidra, á Fabada Asturiana, o Pulpo á Feira, o Virrey al horno, as Lubinas, as Douradas e o Rape a la plancha, as Zamburinhas, Navallas, Mexillón, Almejas a la marinera, as gambas e os vinhos brancos e tintos.

Já em Portugal, em Vila Nova de Cerveira degustámos a bela Lampreia do rio Minho á bordalesa regada a espumante tinto de vinho verde.

Um aventura que correu bem, mesmo quando as estradas de acesso aos faros eram ladeadas por precipícios e a chuva resolveu molhar a estrada, ou o vento soprava forte, ou mesmo quando perdidos no alto da serra com nevoeiro e de noite, procurando um pequeno porto que ficava mesmo lá em baixo, ou quando o faro que procuramos teima em não aparecer e nem mesmo com Bluetooth, GPS e sei lá mais o quê, conseguimos lá chegar, vida de marinheiros em terra não é fácil.

Temos o mar como horizonte voltaremos qualquer dia mais para norte ou mais para sul, até porque:

“E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.

E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,

a vida é sempre a perder...” (Xutos & Pontapés)

 

António e Ana de Lemos

 

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publicado por António Lemos às 16:01
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Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018
Em cascais, PSD, CDS e PS concordam com a prisão e tortura de crianças em Israel!

 

 

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Esta foi a MOÇÃO pela Liberdade para Ahed Tamimi, e todas a crianças presa em Israel apresentada na Assembleia Municipal de Cascais no dia 29 de Janeiro de 2018 que os partidos PSD, CDS e PS rejeitaram. Estes partidos, PSD, CDS e PS concordam com a prisão e tortura de crianças em Israel!

Moção  “Liberdade para Ahed Tamimi”

A jovem ativista palestiniana, de 16 anos, Ahed Tamimi foi detida na madrugada do passado dia 19 de dezembro por forças do exército israelita que assaltaram a sua casa, situada na aldeia de Nabi Saleh.

O motivo apresentado para a sua detenção é um vídeo divulgado nas redes socias onde se vê Ahed e a sua prima Nur enfrentarem soldados do exército israelita, após ter sido agredida por estes mesmos soldados.

Perante a divulgação do vídeo foram diversos os altos dirigentes israelitas que se pronunciaram no sentido da prisão imediata de Ahed e sua família, que se veio verificar também com a sua mãe, que ficou detida quando a pretendia visitar na prisão, e da sua prima, que foi detida em casa no dia 20 de Dezembro.

A reação das jovens da família Tamimi é o resultado de anos de humilhação por parte do exército Israelita, tendo recentemente um seu parente, Mohammed Tamimi, de 15 anos, sido atingido na cabeça com uma bala de borracha.

 A aldeia onde estas jovens residem tem vindo ao longo dos anos a ser alvo do roubo de dezenas de hectares e de uma nascente de água em proveito de um colonato israelita.

Em função desta ocupação, ilegal à luz do direito internacional, os habitantes de Nabi Saleh têm vindo a realizar protestos pacíficos consecutivamente reprimidos pelo exército Israelita e que se estima tenha vitimado mortalmente três pessoas e ferido centenas de outras.

Para além da detenção de que foi alvo, Ahed tem vindo a ser transferida entre várias prisões de Israel, uma vez mais ao arrepio do direito Internacional.

A situação de Ahed não é única, tendo esta jovem vindo juntar-se às mais de três centenas de menores Palestinos que se encontram nas prisões de Israel.

A maioria destes jovens relata ter sido alvo de maus-tratos e forçados a assinarem «confissões», muitas delas em hebraico, apesar de não compreenderem a língua.

 

Perante esta sucessão de atropelos, em 29 de Janeiro de 2018 a Assembleia Municipal de Cascais delibera:

- Condenar a repressão e violência de Israel, em particular sobre os jovens e as crianças dos territórios ocupados da Palestina;

- Manifestar a sua solidariedade com Ahed Tamimi e todos os jovens e crianças presos por Israel e exigir a sua libertação imediata;

-Dar conhecimento da presente moção às seguintes entidades:

Missão Permanente de Portugal junto das Nações Unidas

Presidente da República

Primeiro-Ministro

Ministro dos Negócios Estrangeiros

Grupos Parlamentares da Assembleia da República

Presidente da Câmara Municipal de Cascais

Presidentes das Juntas e União de Freguesias do Concelho

Embaixada de Israel

Missão Diplomática da Palestina

Comunicação Social

Cascais 29 de Janeiro de 2018

 O Grupo Municipal do Partido Comunista Português

Publicado por: António de Lemos 



publicado por António Lemos às 11:42
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Terça-feira, 28 de Novembro de 2017
PS: UM JOGO NOVO?

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PS: UM JOGO NOVO?

A brilhante intervenção do Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares no encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2018 é a prova de que o Partido Socialista pode constituir-se como força de esquerda através da alteração da correlação de forças entre PS e PCP no quadro geral da Assembleia da República.

Agora que já tenho a vossa atenção, vejamos os 3 motivos principais por que é falsa a afirmação anterior:

 

  1. O Passado

 

O passado demonstra claramente que o PS tem uma postura discursiva variável consoante o momento histórico, para preservar a política de direita e o favorecimento da predação do trabalho pelo capital através daquilo a que chamam a "economia social de mercado"(1). A utilização de figuras como Manuel Alegre, ou as alusões de Mário Soares ao "socialismo democrático" foram afinal de contas, como a História demonstra sem margem para grandes dúvidas, apenas as máscaras e camuflagens que o PS sempre utilizou para capitalizar dividendos junto do movimento progressista português, particularmente em fases em que a hegemonia permitia alcançar conquistas e avanços para o proletariado que o próprio PS se encarregou de travar e neutralizar, impondo a política da União Europeia e o capitalismo monopolista, provocando o afastamento de Abril e a aproximação a Novembro.

 

O passado também demonstra que o PS tem um comportamento de poder comprometido com os grandes interesses económicos, com a estrutura proprietária e com a sua concentração num grupo cada vez mais pequeno de grandes proprietários. Igualmente, demonstra que o compromisso fundamental do PS é para com o grande capital transnacional e para com a exploração do trabalho dos portugueses, aliado a uma constante entrega de sectores fundamentais a privados, em detrimento da qualidade dos serviços e dos direitos de quem os presta e de quem deles usufrui.

 

O passado demonstra igualmente que o PS é um partido que protagoniza, quando liberto para tal, uma política eminentemente de retrocesso social e de decadência económica.

 

  1. O Futuro

 

Ao não romper, ou melhor, ao não questionar sequer, as regras do capitalismo, o PS apresenta ao país um abismo mascarado de progresso. A recente e actual recuperação de direitos e os tímidos avanços em algumas áreas fundamentais da política nacional não são compatíveis com o projecto de futuro do PS para Portugal.

 

Ou seja, a "flutuação para a esquerda" na política do Governo actual, provocada pela circunstância específica de ser necessária a viabilização do mandato do PS, é uma anomalia no comportamento do PS mas não uma alteração matricial no seu posicionamento.

 

A prova disso é a manutenção do alinhamento com o funcionamento da União Europeia e a persistência na manutenção da hegemonia de classe que o capitalismo impõe ao país. Ou seja, o PS quer vender a ilusão de que é possível conciliar o actual rumo de reposição de direitos sociais e económicos e o funcionamento capitalista da União Europeia. Tal ilusão estilhaçar-se-á nas mãos de todos quantos não a desfizerem, principalmente nas dos trabalhadores que não tomem o actual momento como um momento de ruptura mais funda e de viragem radical. A continuidade do caminho actual nos termos em que tem vindo a ser percorrido até aqui significará uma nova onda de retrocesso imposto pela força dos grandes patrões e pelo simples funcionamento da União Europeia. Isto não significa que o caminho que actualmente se percorre é o errado, significa que sem erradicar os obstáculos que o marcam, será um caminho travado a breve trecho, com custos para todos os trabalhadores portugueses e abrindo novos espaços a uma direita ainda mais retrógrada e violenta.

 

A ilusão do futuro construído sobre o actual posicionamento do PS consiste na impossibilidade da sua concretização e é ao mesmo tempo o grande agente da denúncia sobre as verdadeiras intenções do PS. Ou seja, se o PS sabe que defende a economia capitalista e pretende manter as relações sociais que lhe são inerentes, se sabe que o seu alinhamento com a União Europeia é inquebrável, então também sabe que esses seus posicionamentos são incompatíveis com a melhoria consistente e prolongada das condições de vida dos trabalhadores portugueses. O PS sabe que o actual momento é um dos raros momentos em que a melhoria das condições de vida da população se compatibiliza com o capitalismo, mas também sabe que esses momentos são fugazes. Capitalismo e bem-estar não são incompatíveis para todas as camadas populacionais durante todo o tempo, mas são incompatíveis no longo prazo. O capitalismo melhorou de forma muito substancial a qualidade de vida da Humanidade, sem que isso retire justeza a uma única crítica marxista-leninista do capitalismo e das suas consequências, limitações materiais, sociais e económicas.

 

É o compromisso do PS, presente e assumido como de futuro, com o capitalismo e a União Europeia que demonstra que não alterou em nada a sua postura no frágil mas por vezes útil referencial "esquerda-direita". O PS continua a querer o que sempre quis: integrar o conselho de administração do capitalismo português e europeu.

 

  1. A matriz passado-presente-futuro

 

A conjugação dos elementos do passado do PS, juntamente com a sua perspectiva de futuro anulam a tese de que o PS se converte à "esquerda" se pressionado pelo PCP, mas confirma que o PS restringido pelo PCP não pode ser o que lhe apetece em todas as áreas da governação.

 

A matriz do PS não é alterável pela correlação de forças institucional. O seu comportamento momentâneo, sim. Mas mesmo no actual contexto é possível afirmar que em nenhuma das dimensões fundamentais de Governo existe uma alteração matricial e ideológica no posicionamento do PS. A sua política mantém intacta a relação social capitalista, a estrutura fundiária do País, a desindustrialização, a submissão à agiotagem, o favorecimento dos grandes grupos económicos e a utilização da lei e do Estado para a manutenção do capitalismo.

 

A intervenção de Pedro Nuno Santos hoje na Assembleia da República é, não a viragem à esquerda do PS, mas a marcação pelo PS do espaço eleitoral da esquerda(2). Ou seja, o PS não quer parecer envergonhado por estar a repor direitos, quer parecer empenhado nessa recuperação, já que a ela está obrigado pela posição conjunta que assinou com o PCP e pela importância conjuntural que o PCP ocupa hoje no quadro político, considerando a força parlamentar e a força social e popular do Partido. Mostrar-se contrariado seria o pior para o PS do ponto de vista eleitoral. Mostrar-se satisfeito e empenhado é a táctica mais inteligente, colhendo assim os louros e ampliando a sua base eleitoral a todos os que esperam há décadas, quase religiosamente, um PS de esquerda. E mesmo àqueles que pensavam já não ser possível um PS de esquerda. A forma mais rápida de capitalizar apoios e de liquidar a força do PCP nas decisões futuras é abraçar as preocupações dos operários e do eleitorado do PCP e não hostilizá-las. O PS nada tinha a ganhar com a insistência num discurso anti-PCP declarado, optando por fazer um discurso anti-PCP velado, fingindo estar abraçando as posições e preocupações do PCP e alargando a sua influência às camadas que até aqui se reviam apenas no PCP e não no PS.

 

É o velho jogo do PS.

 

A ilusão sobre a natureza da política do PS e sobre o próprio PS, particularmente se atingir os trabalhadores e as suas camadas mais conscientes e interventivas, pode ter um negro desfecho e abrir muitas portas a botas cardadas. Por isso é que o papel do PCP e da luta de massas é neste contexto absolutamente determinante, para que ninguém compactue com um branqueamento político do PS e do seu projecto, para que ninguém se iluda quanto à sua natureza, enquanto partido, que não é necessariamente igual e coincidente com a natureza do actual Governo, nas actuais e pontuais circunstâncias.

 

 

(1) estranho termo porque toda a economia é social, mas nem toda é necessariamente de mercado capitalista. Mas descodifiquemos o que significa "social" naquele contexto e percebemos que a ideia não é utilizar o significado de "social" como em "relações sociais", mas sim aludir a um conceito social de "direitos sociais" e de "socialismo", tal como "mercado" também existe em socialismo mas não é a esse "mercado" que ali se alude. O termo "economia social de mercado" para se compreender a utilização que a classe dominante lhe dá teria de ser convertido em "capitalismo com preocupações sociais" o que é evidentemente uma contradição nos termos.

 

(2) "esquerda" é um termo equívoco, mas pode ser utilizado para facilitar.

 

PUBLICADO POR MIGUEL TIAGO

SEGUNDA-FEIRA, 27 DE NOVEMBRO DE 2017

 

http://manifesto74.blogspot.pt/2017/11/ps-um-jogo-novo.html



publicado por António Lemos às 10:52
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Sábado, 6 de Maio de 2017
VISITA A ESCAROUPIM, UMA ALDEIA AVIEIRA.

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VISITA A ESCAROUPIM, UMA ALDEIA AVIEIRA.

Situada no concelho de Salvaterra de Magos, (margem sul do rio Tejo), a aldeia de Escaroupim é de visita obrigatória para quem gosta e quer conhecer um pouco da historia do rio, das suas gentes, da sua fauna e flora, da sua gastronomia.

Escaroupim foi uma aldeia que se formou devido á migração durante o inverno para as margens do Tejo, de pescadores e suas famílias oriundos de Vieira de Leiria, mas também de pescadores oriundo da Murtosa, sendo que segundo opinião de alguns residentes em Escaroupim, a predominância e número de fixados seria de gentes vinda de Vieira de Leiria.

Alves Redol descrevia assim os avieiros de Escaroupim:

“Incerto o pão na sua praia, só certa a morte no mar que os leva, eles partem. Da Vieira de Leiria vêm ao Ribatejo. Aqui labutam, alguns voltam ainda, ávidos de saudade do seu mar. Muitos ficam” (Alves Redol)

Obrigatória a visita ao Edifício do Cais da Vala em Salvaterra de Magos, que alberga o Museu do Rio, bem como a Núcleo Museológico do Escaroupim, situado na aldeia AVIEIRA, que é composto pelo Museu Escaroupim e o Rio e a Casa Típica Avieira.

Gastronomia na aldeia Avieira de Escaroupim é mesmo no restaurante o Escaroupim, bom atendimento, boas entradas, bom vinho e essencialmente boas enguias e boas sobremesas.

Antonio de Lemos

 



publicado por António Lemos às 13:52
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Terça-feira, 2 de Maio de 2017
PSP de Cascais interrompe protesto contra obra ilegal

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PSP de Cascais interrompe protesto contra obra ilegal

A PSP interrompeu um protesto pacífico dos moradores da Quinta da Carreira, em São João do Estoril, esta manhã, agindo de forma violenta contra o eleito da CDU na Câmara de Cascais. Em causa, o parque de estacionamento que a autarquia começou a construir em solo da reserva ecológica nacional.

Fonte do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da Polícia de Segurança Pública explicou à Agência Lusa que Clemente Alves foi detido por «não obedecer às ordens e resistir» a abandonar o local. Contactado pelo AbrilAbril, o vereador e candidato da CDU à Câmara de Cascais, nas autárquicas de 1 de Outubro, nega a versão oficial da polícia e conta como tudo se passou.

 

«As pessoas estavam civilizadamente a contestar uma obra clandestina e ilegal, porque está situada num espaço da reserva ecológica nacional, quando chega cerca de uma dezena de agentes», conta Clemente Alves.

 

«Identifiquei-me enquanto vereador da autarquia e interroguei por que razão estavam ali, uma vez que as pessoas se manifestavam de forma pacífica e não estavam a obstruir a passagem. O comissário Coimbra respondeu-me: "você saia daí, não tenho nada que lhe responder". Sem explicações, empurraram-me de forma violenta, e a bastantes populares, algemaram-me e levaram-me para a esquadra. Depois disto tudo, amanhã, pelas 9h30, deverei ser presente a tribunal para uma sessão sumária de julgamento», descreve.

 

As obras do parque de estacionamento começaram há cerca de dez dias. O eleito denuncia que a intervenção, além de ilegal, está a ser feita de forma clandestina. Além de não estarem afixados avisos de obra, Clemente Alves afirma que está a ser feita «à pressa», com operários que trabalham mais de oito horas por dia. «Ontem, que era Dia do Trabalhador, esteve em curso até às 19h», acrescenta.

 

A população tem vindo a pedir explicações por parte da autarquia. «Os moradores já exigiram que alguém viesse ao local prestar depoimentos. Junto ao protesto desta manhã estiveram a polícia municipal e administradores de empresas municipais, num acto de provocação, sem dar esclarecimentos», refere Clemente Alves.

http://www.abrilabril.pt/local/psp-de-cascais-interrompe-protesto-contra-obra-ilegal

Publicado no Mar Revolto Por: Antonio de Lemos

 

PSP DE CASCAIS AGRIDE BRUTALMENTE O VEREADOR CLEMENTE ALVES

A fotografia em cima regista o momento em que Clemente Alves vereador na Camara de Cascais e candidato á presidência da Camara de Cascais pela CDU, é agredido e impedido pela PSP de Cascais de entrar numa obra da Camara, impedido de apoiar e de se manifestar junto com os moradores um direito constitucional que lhes assiste questionando a ilegalidade da obra, a construção de um parque de estacionamento em local que se encontra inserido na REN, Reserva Ecológica Nacional. Antonio de Lemos

 



publicado por António Lemos às 16:38
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Sábado, 4 de Março de 2017
A Margarida Partiu, a dor é Incomensurável

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 A última foto da Margarida em Fevereiro de 2017

 

A Margarida Partiu, a dor é Incomensurável

A Margarida como eu a tratava quando conversava com ela, a Maggie como todos a tratávamos, uma menina linda que retiramos da rua há cerca de três anos.

Conheci a Margarida na rua onde tratamos a nossa colonia, todos os dias quando ia repor ração, água e ver os meus meninos e meninas, passava por uma menina, normalmente deitada junto a um menino preto (hoje é o nosso Camões), que não se aproximava da colonia. Aos poucos começamos a oferecer-lhe uma latinha de comida húmida, primeiro a medo lá ia comendo, depois aos poucos começou a permitir mais aproximação, um dia apareceu junto ao abrigo onde colocamos a ração, a partir dai a empatia foi crescendo não só para comigo como também para com a Cristina e a Joana.

A Margarida parecia uma menina frágil, coxeava de uma das pernas traseiras, o que lhe dava um andar engraçado, pois abanava a cauda que normalmente trazia sempre levantada, mais parecendo uma antena, mas de frágil não tinha nada, quando chegava junto dos outros gatinhos era respeitada, poucos se atreviam a chegar muito perto.

Decisão tomada, a Margarida ia fazer parte da família. Não me recordo da data em que aconteceu talvez a Joana ou a Cristina saibam com precisão.

Recolhida com recurso a uma transportadora, passagem breve pelo veterinário, a Margarida chegou á nossa casa que passou a ser a casa dela e conheceu as novas irmãs a Kitty e a Satine, o Camões e o Blakie, chegariam mais tarde.

A adaptação da Margarida foi fácil, alguns medos iniciais, mas passados alguns dias já permitia festinhas já fazia ronrons dava beijinhos e gostava de morder com meiguice os nossos dedos.

Depressa se revelou um doce, um amor de menina, a todos dava encostinhos e marradinhas, de todos queria festinhas, dedicando uns miminhos especiais á Joana ou seja á mana “velha”, a Margaria acrescentou alegria e felicidade á família que agora também era a dela.

A Margarida tinha, (e tem), a sua caminha noturna, entre a minha almofada e a almofada da Cristina, dormia muitas vezes junto às nossas cabeças mesmo quando a mana “velha” estava em casa normalmente pelas 4 da manhã a Margarida lá passava por cima de mim ou encostada á minha cabeça, para se aninhar entre as nossas almofadas.

A Margarida foi sempre uma menina muito especial, fazia umas caras engraçadas, por vezes olhava para nós com uma expressão pateta, mas de pateta a Margarida não tinha nada, sistematizava tudo o que mais gostava, a hora da papinha mole, os ronrons matinais na casa de banho ou os ronrons da nossa chegada a casa, os pedidos de colinho quando nos sentávamos no sofá da sala, a sua caminha junto á lareira, de onde obrigava qualquer um a sair quando chegava.

A Margarida nunca foi uma menina com problemas graves de saúde, teve algumas vezes de ir ao veterinário, foi tratada a problemas oftalmológicos no hospital, mas na maioria das vezes os médicos atribuíam os problemas de saúde á idade, uma vez que não havendo certezas, a idade atribuída á margarida pelos veterinários seria entre os 10 e os 12 anos.

No dia 26 de Fevereiro de 2017 saímos para trabalhar pelas 7 horas da manhã, a Margarida, cumpriu todas as rotinas matinais, comeu a papinha mole da manhã, comeu alguma comida rija que está sempre disponível e dirigiu-se para o nosso quarto, não nos lembramos se ficou na casa de banho ou se ficou na nossa cama, dissemos até logo e saímos.

A Cristina regressou a casa pelas 12h, quando entrou deparou com a Margarida em convulsões no hall dos quartos, em pânico telefonou-me cheguei em 15 minutos transportamos a Margarida para as urgências do Hospital da Faculdade de Medicina Veterinária em Monsanto.

A Margarida foi assistida de imediato, depois de paradas as convoluções, disseram-nos que a Margarida teria de ficar internada, assim que acordasse seria avaliada, assim foi, declaramos que tudo, mas mesmo tudo teria de ser feito para salvar a Margarida.

A equipa médica manteve-se sempre em contacto connosco, no primeiro contacto percebemos a gravidade da situação, todos os exames possíveis tinham sido efectuados, a situação  clinica da Margarida era muito grave.

No dia 28 visitamos a margarida pelas 14h nos cuidados intensivos, a Margarida tinha acordado do coma induzido, mas não respondia como era esperado, o coração da Margarida batia, a Margarida respirava e pouco mais.

Durante a visita falei ao ouvido da Margarida, disse-lhe que a amava, que ela tinha de viver, dei-lhe muitos beijinhos, não sei se ouviu ou se sentiu, se sentiu ou ouviu ficou a saber que o pai estava ali que não estava sozinha. Constatar este estado em que a Margarida se encontrava, foi devastador, foi a maior dor da minha vida.

Pedi á médica que naquele momento estava encarregue de vigiar a Margarida, para tudo fazerem, garantiu que tudo seria feito, explicando todos os procedimentos que se iriam seguir.

Tanto eu como a Joana saímos do hospital devastados, a esperança estava a morrer.

Às 20h o telefone tocou, a chamada que não queríamos atender aconteceu, a medicina nada mais podia fazer pela Margarida, a menina estava em sofrimento e nada mais havia a fazer, o conselho dos médicos era que devíamos deixar a Margarida partir.

Às 21 h estávamos no hospital para nos despedirmos do meu amor, da minha menina, a dor é Incomensurável, a Margarida partiu, não partiu sozinha estivemos com ela até ao ultimo suspiro, a Margarida vai viver eternamente nos nossos corações.

No dia 2 de Março, de 2017, a Margarida foi cremada na ASFA em Cascais, às 16.30h a nossa menina já tinha regressado a casa.

Se existe um céu dos gatinhos é para lá que eu quero ir quando partir, assim poderei pegar de novo ao colo a minha Margarida dar-lhe muitos beijinhos e sei que ela vai retribuir com muitos ronrons.

A minha Margarida, a nossa Meggie vive em nós.

Antonio de Lemos



publicado por António Lemos às 23:02
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Sábado, 26 de Novembro de 2016
VIVA FIDEL!

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VIVA FIDEL!

Socialismo ou morte! Marxismo-leninismo ou morte!

Fidel Castro 1926 – 2016

Choro sentido a partida do CAMARADA FIDEL CASTRO com a certeza que a sua imortalidade perdurara pelos tempos continuando a inspirar os que lutam pela liberdade, contra o imperialismo, contra a exploração capitalista, por um mundo melhor!

FIDEL VIVE NO CORAÇÃO DOS QUE LUTAM POR UM MUNDO SEM EXPLORADOS E OPRIMIDOS!

António de Lemos



publicado por António Lemos às 12:05
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016
Thermopylae. História do Clipper mais veloz do mundo.

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 Thermopylae. História do Clipper mais veloz do mundo.

O Thermopylae foi considerado o Clipper mais veloz do mundo tendo rivalizado com o famoso Cutty Sark principalmente na corrida da Rota do Chá.

Thermopylae, construído pelo fabricante Walter Hood & Co, em Aberdeen, lançado á agua a 19 de Agosto de 1868, foi um belo navio, “ele é a mais bela e fina espécie de arquitectura naval um modelo de simetria e beleza; as suas arrebatadoras linhas e delicadas proporções, graciosidade e solidez, transportam para a ideia de perfeição, assim esta caracterizado na “National Library of Austrália – Melbourne, January 13, 1869, p.6.”

Com a chegada dos navios a vapor, o Thermopylae foi gradualmente perdendo o interesse das companhias de navegação e depois de muitas missões sobre bandeira Britânica, foi adquirido por Portugal em 1896, para ser transformado em Navio Escola da Marinha Real, com o nome de Pedro Nunes. Em 1897 entra em doca seca e verifica-se que o casco se encontra muito danificado com o teredo e que a sua reparação se tornaria muito dispendiosa, tendo-se decidido pelo desarmamento do navio.

Foi fundeado no Tejo servindo de pontão de carga para carvão, até ser afundado no dia 13 de Outubro de 1907, dia da Marinha, em frente a Cascais.

Este livro narra a história deste belo navio, o Thermopylae, é uma notável edição da Câmara Municipal de Cascais e encontra-se á venda no Museu do Mar Rei Dom Carlos em Cascais.

Edição Camara Municipal de Cascais.

Autores: Antonio Fialho, Augusto Salgado, Carmen Soares, Jean-Yives Blot, Jorge Freire.

Antonio de Lemos



publicado por António Lemos às 18:29
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016
Diana Johnstone, Hillary Clinton: Rainha do Caos

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Sobre o Livro de Diana Johnstone, Hillary Clinton: Rainha do Caos

Diana Johnstone nasceu em 1934, vive em Paris, é escritora e americana, especialista em ciência política, escrevendo principalmente sobre política europeia e política externa ocidental.

 

Diana Johnstone está entre os poucos escritores progressistas norte-americanos que tem a coragem de denunciar a estratégia de dominação planetária dos EUA como ameaça à Humanidade.

 

Diana Johnstone não é comunista, não é marxista, não é uma revolucionária e acredita nos valores da democracia ocidental. É sem dúvida uma crítica do funcionamento da engrenagem do poder, da ambição, da perversidade, da irresponsabilidade, do belicismo de uma elite liberal, oligárquica que nos EUA, controla o sistema e define a forma como se posiciona no mundo.

 

Em “Hillary Clinton: Rainha do Caos” Diana chama a atenção para o potencial negativo que a já quase presidente dos EUA representa para a Humanidade. Neste livro Diana analisa e denúncia a máquina política e militar que sustenta o imperialismo americano, o complexo militar-industrial, o poderoso lobby pró-israelita na indústria dos media e do entretenimento, essencial para o domínio e controlo do pensamento de milhões de americanos e de milhões em todo o mundo.

 

“Hillary Clinton: Rainha do Caos” é um livro de leitura obrigatória, para quem não pretende viver neste mundo de cabeça escondida debaixo da areia. António de Lemos

 

********************

 

Diana Johnstone, Hillary Clinton: Rainha do Caos, Editora Página a Página.

 

“A jornalista americana Diana Johnstone analisa neste livro a ligação entre as ambições de Hillary Clinton e a máquina que sustenta o «Império» americano: o complexo militar-industrial, o lobby pró-israelita, a opinião «liberal» (nomeadamente na indústria dos média e do entretenimento) que adopta avidamente a defesa mundial dos «direitos humanos» como uma justificação legítima para a intervenção dos EUA noutros países.”

“Passando pelos conflitos dos últimos 25 anos nas Honduras, no Ruanda, na Líbia, na Bósnia, no Kosovo, no Iraque, na Síria e na Ucrânia, a autora demonstra como o desempenho de Hillary Clinton a tornou a candidata favorita do Partido da Guerra de Washington.”

“Hillary Clinton: Rainha do Caos, independentemente de outras perspectivas de análise que são necessárias, é um livro valiosíssimo para o combate que se trava hoje.” A Editora Página a Página, http://www.paginaapagina.pt/

 

Publicado no Mar Revolto por Antonio de Lemos

 

 



publicado por António Lemos às 19:47
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016
“A Linha de Cascais Está a Morrer” A hipocrisia já não tem limites.

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“A Linha de Cascais Está a Morrer” A hipocrisia já não tem limites.

Começa assim o título do artigo de Carlos Carreiras Presidente da Camara de Cascais, hoje dia 26 de Outubro, no Jornal i.

O Sr. Presidente da Camara de Cascais que na sua despudorada agenda neoliberal para Cascais, tudo quer privatizar e essa seria sem duvida a intenção de Carlos Carreiras e do governo anterior, PSD e CDS, ou seja privatizar ou concessionar a privados a Linha de Cascais.

O anterior Governo, adiou intencionalmente a obra, pois só a pretendia lançar associada a um processo de privatização. E enquanto preparava a privatização tinha os fundos comunitários à espera, e nem o projecto lançou. Mas continuou a feazer muitas promessas tentando iludir dessa forma os utilizadores da Linha de Cascais.

Carlos Carreiras vem criticar agora o facto do actual ministro Pedro Marques, ter afirmado que a linha de Cascais seria uma prioridade, fazendo-se esquecido e numa evidente manobra de hipocrisia política, Carlos Carreiras, sabendo melhor que ninguém que o governo anterior do seu partido PSD e do CDS, também tinha colocado a Linha de Cascais nos investimentos prioritários, e tinha inclusivamente destinado 160 milhões de euros desses fundos para a concretização desse investimento, nada fez, e a degradação continuou.

É verdade que o governo do Partido Socialista fez promessas de não privatizar nem concessionar a Linha de Cascais e recorrer a fundos europeus para concretizar a modernização e remodelação da ferrovia e de mais infraestruturas, mas até ao momento nada se concretizou e a degradação continua pondo em causa a segurança dos milhares de utilizadores da Linha de Cascais.

Mais recentemente em Agosto deste ano a Administração da EMEF, Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, S.A, em Oeiras, com o apoio do Governo do PS anunciou aos ferroviários que têm estado ao serviço da EMEF, por subcontratação de uma empresa de trabalho temporário, que serão despedidos até Novembro.

Sublinho que estes trabalhadores fazem falta à empresa, e tem sido o garante da manutenção da Linha de Cascais, só estão a ser despedidos para que possam ser contratados outros pela empresa de trabalho temporário perpetuando dessa forma a relação precária desses trabalhadores com a EMEF.

Nesse sentido os eleitos do PCP na Assembleia Municipal de Cascais que tem defendido a manutenção da Linha de Cascais na esfera pública, entenderam apresentar uma moção na Reunião da AMC, realizada a 24 de Outubro, apelando á Administração da EMEF e ao Governo para que não se concretizem os despedimentos anunciados.

É no seguimento da apresentação desta moção que assistimos a mais um exercício de hipocrisia política por parte dos partidos que suportam o executivo da Camara de Cascais, PSD e CDS bem como por parte do Presidente Carlos Carreiras.

Depois de tecerem vários elogios aos trabalhadores, depois do Presidente ter afirmado que esses trabalhadores tem sido o garante da manutenção da linha, que tem feito um trabalho extraordinário utilizando peças de carruagens que já se encontram inoperacionais e chegando mesmo a fabricar peças que já não existem, considerando que os mesmos são imprescindíveis, pasme-se o PSD e o CDS votaram contra.

Em conclusão, a moção foi rejeitada com os votos contra do PSD e CDS, a abstenção do PS. e da coligação Ser Cascais, sendo que os únicos partidos que votaram favoravelmente foram o PCP e o BE.

Continuar a adiar as obras necessárias na Linha de Cascais é no mínimo criminoso, foi criminoso por parte do governo anterior e é criminoso por parte do actual governo

O artigo que Carlos Carreiras escreve no Jornal i está repleto de ataques ao PCP, partido que como já referi tem defendido ao longo dos anos a necessidade de remodelação e modernização da linha de Cascais, batendo-se em todas as frentes quer no plano autárquico, quer junto do poder central, quer na rua, alertando as populações, alertando para os graves problemas existentes.

Por sua vez, como é evidente, o Presidente Carlos Carreiras, mais não faz do que sacudir a água do capote, é um dos responsáveis pelo atraso das obras na Linha de Cascais, pois não foi capaz de resolver a grave situação existente, quando o seu partido o PSD e CDS coligação que suporta o executivo que lidera estavam no governo.

Para o PSD e para o seu alto dirigente Carlos Carreiras a hipocrisia politica já não tem limites e os utentes da Linha de Cascais se o governo não fizer nada, vão continuar a arriscar para irem trabalhar.

Antonio de Lemos

Eleito na Assembleia Municipal de Cascais

 

Moção Apresentada na Reunião da AMC, em 24 de Outubro de 2016

 

Moção

 

Os despedimentos nas Oficinas da EMEF, Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, S.A, em Oeiras, e a degradação da fiabilidade da circulação ferroviária na Linha de Cascais da CP

A Administração da EMEF, com o apoio do Governo, violando as promessas do próprio primeiro-ministro quando anunciou o combate ao «modelo de precariedade e baixos salários» anunciou em Agosto, aos ferroviários que têm estado ao serviço da EMEF em Oeiras, por subcontratação de uma ETT, (empresa de trabalho temporário), que serão despedidos até Novembro.

É de sublinhar que estes trabalhadores fazem falta à empresa, e só estão a ser despedidos para que possam ser contratados outros pela ETT para assim perpetuar a relação precária.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores Ferroviários já anunciou um conjunto de jornadas de luta - na empresa e junto dos utentes - em defesa destes trabalhadores, exigindo a sua imediata contratação pela EMEF.

É conhecido o défice operacional na Linha de Cascais da CP, gerada pelo facto de sucessivos governos terem constantemente adiado investimentos inadiáveis na modernização da infraestrutura e dos comboios.

As Oficinas da EMEF de Oeiras asseguram a manutenção e reparação dos (velhos) comboios que são os únicos que circulam nesta linha. Estes despedimentos, e a luta que inevitavelmente se seguirá, degradarão ainda mais essa oferta de transportes, num caminho que vai acentuar a degradação referida, em vez de resolver os muitos e problemas herdados.

O que as oficinas da EMEF em Oeiras precisam é de contratar mais trabalhadores, e não que sejam despedidos os que nela já trabalham.

O que o país precisa, como o Senhor Primeiro-Ministro anunciou, é de combater o modelo de precariedade e baixos salários, e não de ver o próprio governo da república aplicar o referido modelo nas empresas públicas, dando por isso mesmo um mau exemplo.

Assim a Assembleia Municipal de Cascais reunida no dia 24 de Outubro de 2016 delibera:

  1. Apelar á Administração da EMEF para que trave os despedimentos nas suas oficinas de Oeiras e contrate estes trabalhadores para ocuparem o posto de trabalho efectivo a que têm direito.
  2. Exigir ao Governo que cumpra as suas promessas, e neste caso, que dê orientações à EMEF para o não despedimento destes trabalhadores e para a sua contratação para os quadros da empresa.
  3. Responsabilizar o Governo pela crescente degradação da fiabilidade da circulação ferroviária que esta decisão a persistir irá agravar.
  4. Solidarizar-se com a luta dos trabalhadores da EMEF dia 27 de Outubro de 2016.

 

Cascais 24 de Outubro de 2016

Pelo Partido Comunista Português

 Antonio de Lemos

 

 

 



publicado por António Lemos às 22:50
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Sábado, 17 de Setembro de 2016
Faina Maior – A pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova

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Faina Maior – A pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova

Apaixonado pelo mar desde sempre, ligado ao mar desde muito novo das mais variadas formas, navegando, pescando, mergulhando, vivendo do mar durante os últimos 10 anos, tendo viajado no CREOULA para os Açores, posso dizer que na minha vida tenho tido o Mar como Horizonte.  

Sou um apaixonado pela literatura que narra a história marítima portuguesa com especial incidência na Epopeia do Bacalhau a Faina Maior, a história dos últimos heróis do mar portugueses.

Visitei este mês de Setembro 2016, o Museu Marítimo de Ílhavo, bem como o navio-museu Santo André, antigo arrastão bacalhoeiro, não foi a primeira vez que efectuei esta visita que aconselho vivamente, o museu é excelente e a visita ao navio um complemento obrigatório.

Aqui deixo mais um livro que narra a vida a bordo dos navios que em tempos idos todos os anos se dirigiam aos bancos de pesca da Terra Nova, Canadá. Por lá ficavam 5 meses enfrentando muitas adversidades em embarcações á vela como o CREOULA, GAZELA PRIMEIRO, STA. MARIA MANUELA, O HORTENSE, O ARGOS, ETC.

Antonio de Lemos

“Faina Maior – A Pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova, da autoria de Francisco Marques e de Ana Maria Lopes, dada ao prelo pela 1ª vez pela Editora Quetzal, em Junho de 1996, os Amigos do Museu Marítimo decidiram levar a cabo uma terceira edição, ipsis verbis, como era necessário e calculável. Ílhavo, 10.12.2015, Ana Maria Lopes” Blogue, Marintimidades.

 http://marintimidades.blogspot.pt/2015/12/faina-maior-pesca-do-bacalhau-nos-mares.html

 

Publicado no Mar Revolto por Antonio de Lemos

 



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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016
A DÚVIDA! Madre Teresa de Calcutá

A DÚVIDA! Madre Teresa de Calcutá

A DÚVIDA, o contraditório para os que não escondem a cabeça debaixo da areia, para os que pensam, para os que querem saber, para os que não se deixam instrumentalizar!

Publicado no Mar Revolto por:

Antonio de Lemos

Anjo do Inferno-Madre Teresa de Calcutá-Por Christopher Hitchens (LEGENDADO)

https://www.youtube.com/watch?v=dPEgo38Ovrc

 



publicado por António Lemos às 16:01
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Domingo, 3 de Julho de 2016
Charlie Chaplin, “O Melhor Discurso de Todos os Tempos”

 

 

 

 

Charlie Chaplin, “O Melhor Discurso de Todos os Tempos”

 

https://www.youtube.com/watch?v=K2K9519Upes



publicado por António Lemos às 19:24
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Domingo, 12 de Junho de 2016
E OS ASSASSINOS GRITAM EUFÓRICOS!

 

 

E OS ASSASSINOS GRITAM EUFÓRICOS! Queremos sangue muito sangue, Viva a morte, viva a barbárie!

ASSASSINOS TANTO SÃO OS QUE OS QUE FEREM OU MATAM O ANIMAL COMO OS QUE PAGAM PARA VER MATAR!

 

Que podemos nós humanos esperar de quem se satisfaz de quem sente felicidade, alegria, euforia, assistindo a esta barbárie?

 

Publicado no Mar Revolto por :

António de Lemos

 

Vídeo Publicado  por JoanaR22 no Youtube a 08/02/2009

 



publicado por António Lemos às 17:23
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2016
Defender a Escola Pública

DECLARAÇÃO DE JORGE PIRES, MEMBRO DA COMISSÃO POLÍTICA DO COMITÉ CENTRAL, CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Defender a Escola Pública, garantir o acesso de todos ao ensino

23 Maio 2016

A ausência ao longo dos anos de uma política de alargamento da rede pública de ensino, conjugada com o encerramento de milhares de escolas, levou a que o Estado recorresse aos contratos de associação com Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (EEPC), assumindo estes um carácter complementar de garantia do direito à educação onde não existia resposta pública.

 

Já em 2011, o PCP, através de um Projecto de Resolução entregue na Assembleia da República, defendeu que o governo devia recorrer de forma planificada ao ensino particular ou cooperativo na medida da incapacidade pública para garantir uma resposta educativa a toda a população estabelecendo mecanismos legais e orçamentais para garantir a equidade relativa entre financiamento público, por aluno, dos estabelecimentos públicos de ensino e das instituições particulares e cooperativas de ensino, bem como das relações laborais e condições salariais dos profissionais de ambos os sectores, e da qualidade pedagógica.

 

No entanto, nos últimos quatro anos, o governo PSD/CDS não agiu de acordo com estas orientações, o que fez foi dar passos significativos na privatização da Escola Pública.

 

O desrespeito pelo quadro legal que define inequivocamente o carácter complementar do ensino privado, relativamente ao ensino público, desviou alunos da Escola Pública para os colégios privados, e criou expectativas nos trabalhadores, alunos e pais, relativamente à continuidade do ensino privado financiado pelo Estado, que este não pode, nem deve assumir.

 

O aumento da capacidade de resposta da Escola Pública deve-se em grande medida a razões demográficas que levaram a uma diminuição do número de alunos em cerca de 20%, redução que serviu de justificação para que o governo PSD/CDS concretizasse o maior despedimento colectivo de professores verificado no País, no ensino público: cerca de 28.000 em quatro anos.

 

PSD e CDS, os mesmos que sistematicamente, para justificarem a sua oposição ao crescimento do investimento público, sustentaram a tese de que «os privados fazem melhor e mais barato», celebrou contratos de associação com escolas privadas, na maioria dos casos com disponibilidade da Escola Pública, com gastos superiores em 25.000 euros por turma aos da Escola Pública.

 

O cinismo com que PSD e CDS falam de despedimentos de professores nas escolas com contratos de associação, fica bem patente no facto de serem os mesmos partidos que, durante os quatro anos da última legislatura, foram responsáveis por uma política de desvalorização da Escola Pública, com cortes no Orçamento do Estado para a Educação superiores a 3.000 milhões de euros, que teve entre outras consequências o despedimento de professores e a não contratação de milhares de outros trabalhadores fundamentais para o bom funcionamento das escolas.

 

PSD e CDS não estão verdadeiramente preocupados com a qualidade do ensino e muito menos com os professores, os funcionários, os pais ou os alunos, que agora procuram instrumentalizar apenas para obter ganhos políticos imediatos a partir da desestabilização em curso e aproveitar para cavalgar na ideia de que o que interessa é que o Estado assegure o serviço público, não importa se através da Escola Pública ou das escolas privadas, como se a lógica de funcionamento e os objectivos de uma e outras, fossem os mesmos.

 

A existência de escolas privadas não está posta em causa, os seus accionistas mantêm o direito de as constituir e não está impedida a possibilidade de os cidadãos, que por elas queiram optar, o possam fazer pagando os respectivos custos, o que não deve acontecer é essas escolas e os grupos económicos que as controlam serem subsidiados pelo erário público tendo como consequência o desinvestimento, degradação e constrangimento da rede pública. Já em 2011, um estudo encomendado pelo Ministério da Educação à Universidade de Coimbra sobre a rede, confirmou que a grande maioria dos alunos em turmas com contratos de associação, financiadas pelo Estado, podiam ser acolhidos nas escolas públicas das respectivas regiões.

 

Os que falam na qualidade do ensino ministrado nas escolas com contratos de associação e na rentabilização do investimento que o Estado faz nessas escolas omitem, propositadamente, os problemas detectados em parte dessas escolas (20 colégios do Grupo GPS), que recentemente foram alvo de investigação.

 

Para o PCP, o Estado, de acordo com o texto constitucional, deve garantir o acesso à educação e o instrumento para o fazer é a Escola Pública universal, de qualidade e gratuita em todo o ensino obrigatório, independentemente das condições económicas e sociais de cada um. Objectivo que exige um investimento adequado na rede pública e nas condições de funcionamento da Escola Pública que permitam a melhoria do processo ensino/aprendizagem.

 

Como garantia do acesso de todos ao ensino o PCP defende que se deve manter a possibilidade de celebrar contratos de associação com escolas privadas e do sector cooperativo, de acordo com as regras definidas em regiões onde a escola pública não tem condições de acolher esses alunos, com um financiamento não superior ao que se faz por turma, na escola pública e com rigorosa verificação dos contratos assinados.

 

Contratos que devem ser acompanhados da exigência da aplicação das mesmas condições de trabalho aos professores que trabalham nessas escolas com contratos de associação, nomeadamente no que respeita à carga horária lectiva.

 

O PCP reafirma o empenhamento que sempre teve na defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores da educação, estejam eles no sector público ou privado.

 

http://www.pcp.pt/defender-escola-publica-garantir-acesso-de-todos-ao-ensino

 

Publicado no Mar Revolto por: António de Lemos 

 



publicado por António Lemos às 11:04
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