Este espaço destina-se à divulgação de Noticias, Ideias e Pensamentos e ao debate de temas relacionados com o Mar, a Politica, a Cidadania, o Turismo, a Sociedade e a Cultura em geral. FOI ADICIONADO UM CONTADOR A PARTIR DE NOVEMBRO DE 2010
Sábado, 16 de Abril de 2005
Sobrevivência dos mais aptos. Jacques Cousteau, A Odisseia Submarina
salm 32.bmp Algumas espécies, como a lixa das costas da Califórnia, enterram os ovos e praias arenosas; outras como o salmão, fazem um longo percurso em busca de um lugar de água doce para desovar, onde aja relativamente poucos predadores. Outros ovos viajam com os seus pais alguns na boca ou na parte inferior do corpo da mãe, outros numa bolsa incubadora, onde vão mais seguros. Algumas espécies incubam as suas crias no interior do corpo da fêmea, que alimenta os embriões quando estes saem da casca. Os mamíferos marinhos transportam as suas crias no seu interior, amamentam-nas durante meses e ajudam-nas a sobreviver até que sejam adultas.
Há quatrocentos milhões de anos, os peixes tinham poucas barbatanas e careciam de mandíbulas. Moviam-se torpemente pelo fundo do oceanos, sugando todos os alimentos que encontravam no meio do lodo.
De vez em quando aparecia algum peixe com mandíbulas e com barbatanas maiores. Tratava-se de casos acidentais, mas estes peixes podiam orientar-se melhor e tinham mais equilíbrio, alem de maior velocidade e da capacidade de apanhar outros peixes que não tivessem mandíbulas. Podiam encontrar mais alimentos. Dai que uma maior proporção de peixes sem mandíbulas, com barbatanas menores e um rendimento inferior fosse morrendo, enquanto que mais indivíduos pertencentes à classe mais recente conseguiram sobreviver durante mais tempo. Este segundo grupo teve assim a oportunidade de se reproduzir com mais frequência, contribuindo cada vez com mais descendentes para as gerações seguintes.
Actualmente, como consequência destes processos, desenvolveram-se milhares de variedades de peixes e cada espécie está amplamente capacitada para sobreviver no seu ambiente. Por exemplo, o peixe-papagaios alimenta-se de coral. Desenvolveu umas mandíbulas de osso duro, semelhantes a um bico, alem de uma dentadura grossa fundida pela parte interna. Mas noutra época, eram poucos os peixes-papagaios com bico e os budiões com manchas na cauda, os pregados e os linguados nadavam em sentido vertical, como os outros peixes, e os peixes-víbora não tinham estômago extensível. Todas estas características especiais evoluíram por selecção, e neste processo o ambiente desempenhou o papel de filtro, descartando os indivíduos menos adequados, cujo numero foi diminuindo de geração em geração, enquanto os mais aptos aumentavam. A sobrevivência através da morte: o salmão do oceano pacífico paga pela sua sobrevivência como espécie com uma das agonias de morte mis dolorosas que existem na natureza. E só os indivíduos superiores entre os salmões conseguem sobreviver até essa agonia.
Depois de viver quatro ou cinco anos no mar alto, o salmão dirige-se para o seu lar. Guiando-se por meios até agora não totalmente esclarecidos, o peixe adulto empenha-se em chegar ao riacho ou ao lago onde nasceu. Nada contra as mais agressivas das correntes de montanha, através de remoinhos e por cima das rochas, desafiando um exercito de predadores; e assim tremendamente esgotado, sem comer desde que inicia a ultima viagem, avança com firmeza até chegar ao local de desova. Ai, num espantoso delírio, a fêmea faz um buraco no fundo do rio ou do lago e deposita os ovos que o macho fertiliza. Poucos dias depois, morrem ambos.
Alem das exigências pavorosas que a natureza impõe ao pobre salmão, os cientistas continuam intrigados com o rápido processo de envelhecimento que caracteriza a fase terminal da sua vida. Durante as duas ultimais semanas o salmão degenera tanto como um homem ao longo de quarenta anos: as artérias engrossam, o fígado deixa de funcionar, a circulação torna-se débil e fica sujeito a todo o tipo de infecções ou de infestações. Depois da desova, converte-se, segundo as palavras do Doutor Andrew A. Benson, em «uma sombra miserável do formoso animal prateado que habita o fundo do oceano. A sua carne perdeu a cor alaranjada e adquire um tom amarelo-torrado pálido. Cresceu lhe uma corcunda e curvou-se-lhe a mandíbula. Os ossos tornaram-se cartilagíneos. A pele desprende-se. Vimos inclusivamente muitos perderem a cauda. O fígado adquire uma cor verde azeitona lívida, por causa da presença de produtos em decomposição na hemoglobina. Apenas o coração se mantém em bom estado, embora se verifique o engrossamento das paredes da artéria coronária». Esgotado pela falta de alimentos e pela penosa atrofia das suas glândulas, o salmão torna-se decrépito em poucos dias. Se bem que a história do salmão seja muito triste, representa o triunfo da espécie, pois, com a sua morte, permite que esta sobreviva. No cemitério que é simultaneamente o lugar de desova, outros peixes iram nutrir-se dos ossos maltratados deste Fénix marinho. O seu corpo servirá de alimento ás suas próprias crias, quando vierem a emergir dessas mesmas “cinzas”. (Jacques Cousteau)
Os animais no seu estado selvagem, tem uma enorme capacidade de lutar pela sobrevivência da sua espécie, a natureza em geral tem uma enorme capacidade para se regenerar. É o homem, que apesar da sua inteligência, mais contribui para extinção das espécies mais vulneráveis, se não for conseguir alterar a sua forma de estar na natureza o homem caminhará inevitavelmente para a sua própria destruição. (António Lemos)


publicado por António Lemos às 19:50
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