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Domingo, 5 de Março de 2006
Frida Kahlo

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Frida Kahlo nasceu no ano de 1907, mas gostava de declarar ser filha da revolução mexicana ao assumir que tinha vindo ao mundo em 1910. Queria ser filha do México moderno. Todos os que a conheceram ou que conheceram um pouco da sua vida e obra sabem que ela foi sempre uma mulher marcada por tragédias e sacrificios pessoais que desde muito nova a afectaram. Ainda menina, Frida contraiu poliomielite, que a deixou com uma deficiência no caminhar, para toda a vida. Esta deficiência foi algo que a atormentou na infância, mas que, com sua força interior, conseguiu superar com o passar dos anos. Frida Kahlo era dona de uma personalidade única, dominada por um profundo sentimento de independência e de rebeldia contra os valores morais e sociais, movida pela paixão e pela sensualidade. Orgulhosa do seu México e das suas tradições culturais, lutava contra a americanização do mundo e da arte. Contudo, a sorte não parecia soprar a seu favor. Já adulta, com 18 anos, Kahlo sofreu um grande acidente de trânsito, quando o autocarro em que se deslocava chocou contra um eléctrico. Frida ficou gravemente ferida, sem poder sair da cama por um longo período de tempo, vítima de múltiplas fracturas e de uma grave lesão causada por um ferro que atravessou a sua bacia e vagina. Presa à cama e realizando cirurgias umas atrás das outras, começou a pintar. Durante a longa e penosa convalescença, a sua mãe pendurou um espelho no tecto do seu quarto, mesmo por cima da sua cama e não foi preciso mais nada. A inspiração chegou e o seu próprio corpo tornou-se no seu mais frequente modelo. Frida dizia muitas vezes: "Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que melhor conheço." Porém, Frida continuou a não ter uma vida sem dores, desta vez, não do corpo, mas da alma. A relação com o marido Diego Rivera, a sua grande paixão, foi sempre tumultuosa. Diego tinha muitas amantes e Frida não se ficava atrás, compensando as traições do marido com amantes de ambos os sexos. O maior sofrimento de Frida, segundo ela própria afirmava, foi o facto de não poder ter filhos. Embora tenha engravidado varias vezes, as sequelas do acidente de autocarro impossibilitaram-na de manter a gravidez até ao fim, o que ficou expresso na sua arte. A sua expressão artística era assim, Frida pintava os momentos que passavam pela sua vida e, embora os seus quadros se pudessem considerar bastante "fortes", ela não os considerava surrealistas: "Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, limitei-me a pintar minha própria realidade." Frida contraiu uma broncopneumonia e morreu em 1954 de embolia pulmonar. A última frase que escreveu no seu diário passou à história envolta em dúvidas, pois terá levantado a suspeita de um possível suicídio, "Espero alegremente a saída e espero nunca mais voltar, Frida." É possível que Frida já não suportasse mais as dores do corpo e da alma que marcaram toda a sua vida. Em 2002, a vida de Frida Kahlo, foi levada ao cinema. A pintora que queria ser filha da revolução acabou correndo o mundo como a mulher que revolucionou a arte mexicana. Cinquenta e um anos após a sua morte, o mistério Frida Kahlo perdura. Hoje, ela é considerada uma das artistas mais significativas do século XX e a sua vida, as suas batalhas contra a doença, o seu casamento com o pintor Diego Rivera, as suas posições extremadas e inovadoras para a altura são tão importantes como a sua obra e são contínuo objecto de estudo. O Centro Cultural de Belém traz a Lisboa uma retrospectiva da conhecida pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954). São 26 telas – algumas delas, obras-chave na carreira da artista –, objectos pessoais e fotografias. Até 21 de Maio.

*** A Não Perder***

Texto adaptado por António Lemos*** 4 de Março de 2006



publicado por António Lemos às 21:23
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2 comentários:
De Dinis Ermida a 6 de Março de 2006 às 18:49
Parabéns, António, grande texto!
Dinis Ermida


De Ana beatriz a 26 de Fevereiro de 2014 às 01:00
Muito bom!


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