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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2015
Noam Chomsky: “A pior campanha terrorista é a que está a ser orquestrada em Washington”

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Noam Chomsky: “A pior campanha terrorista é a que está a ser orquestrada em Washington”

17/04 19:15 CET   | updated at 17/04 - 21:24

 

VER VÍDEO: http://pt.euronews.com/2015/04/17/noam-chomsky-a-pior-campanha-terrorista-e-a-que-esta-a-ser-orquestrada-em/

 

Noam Chomsky é considerado uma celebridade do mundo intelectual. Um autor prolífico e assumido anarquista, que aos 86 anos de idade não dá sinais de querer abrandar o ritmo. É uma voz ativa na denúncia de várias injustiças, tendo com bastante frequência o Ocidente como alvo.

 

Discutimos estas e outras questões numa entrevista com o reputado linguista, filósofo e ativista político norte-americano, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos.

 

Isabelle Kumar, Euronews: Em 2015, o mundo parece um lugar conturbado, mas se pensarmos a nível global, sente-se otimista ou pessimista?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Estamos a caminhar, a nível global, para um precipício, no qual estamos determinados a cair, e que reduzirá nitidamente as perspetivas de uma sobrevivência decente.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Que precipício?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Na verdade existem dois precipícios. Um é a catástrofe ambiental iminente. Não temos muito tempo para lidar com isso e fazemos o percurso errado. O outro aconteceu há cerca de 70 anos, a ameaça de guerra nuclear, o que é interessante. Se fizermos uma retrospetiva é um milagre termos sobrevivido.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Falemos agora de questões ambientais. Pedimos aos nossos seguidores nas redes sociais para enviarem perguntas e recebemos imensas questões. Enea Agolli pergunta: Quando se depara com a questão ambiental e assume uma postura filosófica, o que tem a dizer em matéria de alterações climáticas?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “A espécie humana existe há cerca de cem mil anos e está agora perante um momento único na história. Esta espécie está numa posição em que decidirá, brevemente, as próximas gerações, se a chamada vida inteligente vingará ou se estamos determinados a destruí-la. Os cientistas reconhecem, surpreendentemente, que a maioria dos combustíveis fósseis têm de ficar no solo se quisermos um futuro decente para os nossos netos. Mas as estruturas institucionais da nossa sociedade fazem pressão para se extrair cada gota. Os efeitos, as consequências humanas, esperados por causa das alterações climáticas, num futuro próximo, são catastróficos e caminhamos para um precipício.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Em matéria de guerra nuclear constatamos que a possibilidade do acordo iraniano pressupõe que se alcançou uma etapa preliminar. Isso dá-lhe alguma esperança sobre o cenário de se fazer do mundo um lugar mais seguro?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Sou a favor das negociações no Irão, mas são profundamente imperfeitas. Existem dois estados em tumulto no Médio Oriente que fazem agressões, recorrem à violência, atos terrotistas, atos ilegais, constantemente. Ambos têm um grande potencial nuclear. E as armas nucleares deles não estão a ser tomadas em conta.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: A quem se refere concretamente?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Aos Estados Unidos e a Israel, os dois maiores estados nucleares do mundo. Existe uma razão para, nas sondagens internacionais, conduzidas por agências de sondagens norte-americanas, os Estados Unidos serem vistos como a maior ameaça à paz mundial por uma margem impressionante. Nenhum outro país chega sequer perto. De certa forma é interessante que os meios de comunicação norte-americanos tenham recusado publicar isto. Mas é um facto.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Não tem o presidente Barack Obama em grande conta. Este acordo fá-lo pensar melhor de Obama? O facto de estar a tentar reduzir a ameaça de guerra nuclear?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Na verdade, ele apenas iniciou um programa avultado de modernização do sistema de armamento nuclear dos Estados Unidos, o que significa expandir esse sistema. Essa é uma das razões pela qual o famoso Relógio do Juízo Final, estabelecido pelo Boletim dos Cientistas Atómicos, ficou, há apenas algumas semanas, dois minutos mais próximo da meia-noite. A meia-noite representa a destruição total. É o mais próximo que estamos desse ponto em três décadas, desde os primeiros anos de Reagan, quando existia um medo enorme de guerra.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Referiu os Estados Unidos e Israel a propósito do Irão. Agora o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu não quer, obviamente, que o acordo nuclear funcione e diz.

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Interessante. Deveríamos perguntar porquê?”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Porquê?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Sabemos porquê. O Irão tem despesas militares bastante baixas, mesmo perante os padrões da região. A doutrina estratégica do Irão é defensiva, concebida para distanciar um ataque o tempo suficiente até ao início da diplomacia. E os Estados Unidos e Israel, os dois estados trapaceiros, não querem tolerar um estorvo. Nenhum analista estratégico com uma função cerebral acredita que o Irão usaria uma arma nuclear. Mesmo que estivesse preparado para tal, o país seria vaporizado e não há indicação de que os clérigos dirigentes queiram ver tudo o que têm destruído.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Uma última questão, sobre esta matéria, chegou-nos através das redes sociais. Morten A. Andersen pergunta: “Acredita que os Estados Unidos alguma vez chegariam a um acordo que fosse perigoso para Israel desde logo?”

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Os Estados Unidos fazem ações constantes que são perigosas para Israel, bastante sérias. Nomeadamente ao apoiar a política israelita. Nos últimos 40 anos, a maior ameaça a Israel são as próprias políticas. Se retrocedermos 40 anos, até 1970, Israel era um dos países mais respeitados e admirados do mundo. Existiam muitas atitudes favoráveis. Agora é dos países mais temidos e que geram antipatia de todo o mundo. No início dos anos 70 Israel tomou uma decisão. Tinham essa hipótese e decidiram pela expansão em vez da segurança e isso acarreta consequências perigosas. Consequências que eram óbvias na altura. Escrevi sobre isso e outras pessoas também o fizeram. Se se prefere a expansão em vez da segurança, caminha-se para a degeneração interna, raiva, oposição, isolamento e, possivelmente, para a destruição. Ao suportar tais políticas, os Estados Unidos contribuem para as ameaças com que Israel se depara.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: O que me leva ao tema de terrorismo. Porque é verdadeiramente uma mancha global e algumas pessoas dirão que se trata de uma consequência da política dos Estados Unidos em relação ao terrorismo em todo o mundo. Até que ponto os Estados Unidos e respetivos aliados são responsáveis pelo que assistimos neste momento, em termos de ataques terroristas em todo o mundo?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “É preciso lembrar que a pior campanha terrorista em todo o mundo é, de longe, a que está a ser orquestrada em Washington. É a campanha global de assassinatos. Nunca houve uma campanha terrorista a essa escala.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: O que quer dizer quando se refere a campanha global de assassinatos?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “O programa de drones é um exemplo disso. Em muitas partes do mundo, os Estados Unidos estão a conduzir sistematicamente, publicamente, abertamente – não existe segredo algum sobre o que estou a dizer, todos o sabemos – campanhas para assassinar pessoas que o governo do Estados Unidos suspeita tentarem fazer mal a alguém um certo dia. De facto é, como referiu, uma campanha gerada pelo terror. Quando se bombardeia uma aldeia no Iémen e matamos alguém – atingido, ou não, a pessoa visada e também outras pessoas de um determinado bairro – como pensa que reagirão? Irão vingar-se.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Descreve os Estados Unidos como o estado terrorista conducente. Como é que fica a Europa no meio de tudo isto?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “É uma boa pergunta. Recentemente, por exemplo, realizou-se um estudo. Julgo que foi feito pela Fundação Open Society. A pior foram de tortura é a rendição. Rendição significa capturar uma pessoa sobre a qual temos suspeitas e enviá-la ao ditador favorito, talvez Assad, Khadafi ou Mubarak, para que essa pessoa seja torturada, a troco de se conseguir algum elemento. É uma rendição extraordinária. O estudo fala dos países participantes. Desde logo, naturalmente, as ditaduras do Médio Oriente, porque foi para esses locais que se enviaram pessoas, e, depois, a Europa. Grande parte da Europa participou. Inglaterra, Suécia, outros países. Na verdade, apenas há uma região do mundo em que ninguém participou: a América Latina. A América Latina tornou-se agora mais independente em relação ao controlo dos Estados Unidos. Há relativamente pouco tempo, quando estava sob controlo dos Estados Unidos, era o centro mundial de tortura. Agora não participou na pior forma de tortura, que é a rendição. A Europa participou. Se o mestre ruge, os lacaios encolhem-se.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Então a Europa é um lacaio dos Estados Unidos?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Definitivamente. São demasiado cobardes para assumir uma posição independente.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Onde é que Vladimir Putin se encaixa no meio de tudo isto? É apontado como uma das maiores ameaças à segurança. É verdade?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Como a maioria dos líderes, ele é uma ameaça para o próprio povo. Fez ações ilegais, naturalmente, mas descrevê-lo como um monstro louco que sofre de doença cerebral e tem Alzheimer, além de ser uma criatura maligna, é fanatismo ao estilo orwelliano. Quero dizer, independentemente do que se pensar das políticas que adota, são compreensíveis. A ideia de que a Ucrânia pode integrar uma aliança militar ocidental seria inaceitável para qualquer líder russo. Isto remonta a 1990, quando se deu o colapso da União Soviética. Houve uma questão sobre o que aconteceria à NATO. Gorbachov permitiu à Alemanha unificar-se e integrar a NATO. Foi uma concessão bastante notável com um quid pro quo: que a NATO não se expandisse um milímetro para o leste. Essa foi a frase usada.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Então a Rússia foi alvo de provocação?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “O que aconteceu? A NATO moveu-se para a Alemanha do Leste e depois Bill Clinton expandiu a NATO diretamente até às fronteiras da Rússia. Agora, com o novo governo ucraniano, estabelecido depois da queda do anterior, o Parlamento votou por 300 votos contra 8, ou algo assim, a adesão à NATO.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Mas pode perceber-se porque querem juntar-se à NATO, porque é que o governo de Petro Porochenko olharia para isto, provavelmente, como uma forma de proteger o país?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Não, não, não. Não é proteger o país. A Crimeia foi tomada depois da queda do governo. E isto não é proteger a Ucrânia, é ameaçar a Ucrânia com uma guerra maior. Isso não é proteção. A questão é que se trata de uma ameaça estratégica séria à Rússia, a que qualquer líder russo teria de reagir. Percebe-se bem.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Se olharmos, no entanto, para a situação na Europa, existe também um outro fenómeno interessante que se está a passar. Estamos a ver a Grécia a mover-se para leste, potencialmente, com o Governo do Syriza. Também estamos ver o Podemos a ganhar poder em Espanha, na Hungria verifica-se o mesmo cenário. Considera que existe um potencial para a Europa começar a alinhar mais em função dos interesses russos?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Repare no que está a acontecer. A Hungria tem uma situação completamente diferente. O Syriza ganhou força na base de uma vaga popular, que disse que a Grécia não se devia sujeitar mais a políticas de Bruxelas e aos bancos alemães, que estão a destruir o país. O efeito destas políticas foi, na verdade, aumentar a dívida da Grécia em relação à produção de riqueza. Provavelmente, metade dos jovens estão no desemprego, 40% da população vive abaixo do limiar da pobreza e Grécia está a ser destruída.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Então a dívida deve ser perdoada?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Sim, como aconteceu com a Alemanha. Em 1953, a Europa perdoou grande parte da dívida alemã, de forma a que a Alemanha se pudesse reconstruir dos danos provocados pela guerra.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: E em relação aos outros países europeus?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Deve acontecer o mesmo.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Então Portugal e Espanha devem ver a dívida perdoada?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Quem incorreu em dívida? A quem se deve? Em parte, a dívida foi contraída por ditadores. Na Grécia, foi a ditadura fascista, que os Estados Unidos apoiaram, quem contraiu grande parte da dívida. Julgo que a dívida foi mais brutal do que a ditadura brutal, aquilo a que se chama no direito internacional “odiosa dívida”, que tem de ser paga. E trata-se de um princípio introduzido no direito internacional pelos Estados Unidos, quando lhes interessava que assim fosse. Muito do resto da dívida, o que se chama pagamentos à Grécia, consiste, na verdade, em pagamentos aos bancos, alemães e franceses, que decidiram fazer empréstimos extremamente arriscados com juros não muito elevados e que agora estão a ser confrontados com o facto de poderem não ter o dinheiro de volta.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Gil Gribaudo, um dos nossos seguidores nas redes sociais, pergunta: Como é que a Europa se vai transformar contra as mudanças existenciais com que se depara? Porque se e certo que existe a crise económica também é certo que existe um recrudescimento do nacionalismo, e também descreveu algumas linhas, que falharam, que foram criadas pela Europa fora. Como é que vemos a transformação da própria Europa?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “A Europa tem problemas sérios. Alguns problemas resultam de políticas económicas concebidas pelos burocratas, em Bruxelas, a Comissão Europeia, etc., sob pressão da NATO e dos grandes bancos, principalmente alemães. Estas políticas têm algum sentido do ponto de vista de quem as concebeu. Porque é certo que querem receber de volta o dinheiro que apostaram em empréstimos de risco e investimentos. A outra coisa é que estas políticas estão a provocar a erosão do Estado-providência, que nunca gostaram. Mas o Estado-providência é um dos maiores contributos da Europa para a sociedade moderna. Os ricos e poderosos nunca gostaram disso e o facto de estas políticas estarem a provocar a erosão é bom do ponto de vista dessas pessoas. Existe um outro problema na Europa. É que é extremamente racista. Sempre senti que a Europa é, provavelmente, mais racista do que os Estados Unidos. Não era tão visível na Europa porque a população europeia, no passado, tendia a ser bastante homogénea. Se todos forem loiros e de olhos azuis, não se parecerá racista, mas assim que a população começa a mudar, o racismo começa-se a fazer notar. Muito depressa. E isso é um problema cultural sério na Europa.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Robert Light, outro dos nossos seguidores nas redes sociais, pergunta: O que lhe dá esperança?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Falámos sobre várias coisas que me fazem ter esperança. A independência da América Latina, por exemplo. Tem um significado histórico. Nos encontros hemisféricos recentes, os Estados Unidos estiveram completamente isolados. É uma mudança radical em relação há 10 ou 20 anos, quando os Estados Unidos dominavam [as questões latino-americanas]. Na verdade, a razão porque Obama teve certos gestos em relação a Cuba foi para tentar superar o isolamento dos Estados Unidos. São os Estados Unidos que estão isolados, não é Cuba. E provavelmente falharão. Veremos. Os sinais de otimismo na Europa são o Syriza e o Podemos. Esperamos assistir, no fim, a um levantamento popular contra as políticas económicas e sociais esmagadoras e destrutivas, que resultam da burocracia e dos bancos. Isso dá esperança. Devia dar.”

 

Publicado no Mar Revolto por, Antonio de Lemos



publicado por António Lemos às 08:26
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Sábado, 14 de Novembro de 2015
Caiu o Governo de direita, PSD/CDS

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Caiu o Governo de direita, PSD/CDS

No dia 10 de Novembro de 2015, caiu o governo de direita, PSD/CDS, que ao longo de 4 anos infernizou a vida ao povo português, provocando um enorme retrocesso social e um evidente declínio económico.

 

O governo PSD/CDS provocou no país um enorme rasto de destruição das condições socioeconómicas dos trabalhadores, dos pequenos e médios empresários e do povo em geral.

 

O desemprego real atingiu mais de um milhão de portugueses, a generalização da precariedade no emprego, baixos salários dos trabalhadores por conta de outrem, com grande incidência nos que auferem o salário mínimo nacional, a maioria das reformas são inferiores ao limiar de pobreza, o endividamento das famílias atingiu níveis record, o subfinanciamento da saúde e da educação que negam o direito de acesso pleno a milhões de portugueses, os cortes sucessivos nas prestações sociais só este ano mais 520 milhões de euros suprimidos, cerca de dois milhões e oitocentos mil portugueses em risco de pobreza.

 

De 2011 a 2015 assistimos ao aumento de dramáticos níveis de desemprego e consequente aumento da pobreza e das desigualdades sociais.

 

O país é hoje, detentor de uma grave crise demográfica, para ela contribuindo a emigração de centenas de milhares de jovens, na sua maioria altamente qualificados.

 

Ao elevado grau de enfraquecimento do aparelho produtivo e o aumento da dominação dos centros de decisão estratégica pelo estrangeiro, junta-se a fragilização de um tecido económico já de si débil tendo como consequência o encerramento recorde de micro pequenas e medias empresas e uma situação de endividamento brutal das que restam, um Estado desfeito em muitos dos seus centros de competência e saber, empobrecido de recursos humanos, desestruturado e desanimado.

 

Portugal viu nestes últimos quatro anos a sua economia recuar década e meia com a produção a cair 10 mil milhões de euros, o investimento global e público a recuar dramaticamente com pesadas e graves consequências futuras, a dívida pública a aumentar 50 mil milhões de euros.

 

Perante a perda de mais de setecentos mil votos e de 25 deputados na AR por parte da direita, foi deplorável a atitude do Presidente da República assumindo-se como representante do PSD e CDS-PP e mandatário dos interesses do grande capital que ignorando a audição aos partidos com assento parlamentar, entendeu indigitar o líder do PSD como primeiro-ministro em claro confronto com a maioria de esquerda representada no novo quadro parlamentar.

 

Por tudo isto e muito mais é bem-vinda a queda do governo PSD/CDS e a real possibilidade da formação de um governo do Partido Socialista com o apoio parlamentar do Partido Comunista Português, do Partido Ecologista os Verdes e do Bloco de Esquerda.

 

As posições assumida pelo PS e PCP para a viabilização do governo socialista pretendem dar uma resposta pronta às legítimas aspirações do povo português possibilitando a recuperação dos seus rendimentos, a devolução dos seus direitos.

 

Nas posições assumidas pelos dois partidos destaca-se: “O descongelamento das pensões; a reposição dos feriados retirados; um combate decidido à precariedade, incluindo aos falsos recibos verdes, ao recurso abusivo a estágios e ao uso de contratos emprego/inserção para substituição de trabalhadores; a revisão da base de cálculo das contribuições pagas pelos trabalhadores a recibo verde; o fim do regime de requalificação/mobilidade especial; o cumprimento do direito à negociação colectiva na Administração Pública; a reposição integral dos complementos de reforma dos trabalhadores do sector empresarial do estado; a redução para 13% do IVA da restauração; a introdução da cláusula de salvaguarda no IMI; a garantia de protecção da casa de morada de família face a execuções fiscais e penhoras; o alargamento do estímulo fiscal às PME em sede de IRC; a reavaliação das reduções e isenções da TSU; o reforço da capacidade do SNS pela dotação dos recursos humanos, técnicos e financeiros adequados, incluindo a concretização do objectivo de assegurar a todos os utentes, médicos e enfermeiros de família; a revogação da recente alteração à Lei de Interrupção Voluntária da Gravidez; a garantia, até 2019, do acesso ao ensino pré-escolar a todas as crianças a partir dos três anos; o reforço da Acção Social Escolar directa e indirecta; a vinculação dos trabalhadores docentes e não docentes das escolas; a redução do número de alunos por turma; a progressiva gratuitidade dos manuais escolares do ensino obrigatório; a promoção da integração dos investigadores doutorados em laboratórios e outros organismos públicos e substituição progressiva da atribuição de bolsas pós-doutoramento por contratos de investigador; a reversão dos processos e concessão/privatização das empresas de transportes terrestres; a não admissão de qualquer novo processo de privatização.” (jornal “Avante” – Posição Conjunta do PS e do PCP sobre soloção politica).

 

Mas nós comunistas não nos podemos iludir nem extravasar as nossas espectativas!

 

Os Comunistas portugueses não podem esquecer que o nosso partido ao apoiar um governo do PS, tem como objectivo único, a melhoria da vida dos trabalhadores, dos micro pequeno e médios empresários e a reposição de direitos retirados aos trabalhadores e ao povo, não esquecendo que este governo não é um governo do Partido Comunista Português!

 

O PCP tem como objectivo a construção em Portugal do socialismo e do comunismo, tal como consagrado no Artº 5º dos seus estatutos: “O PCP tem como objectivos supremos a construção em Portugal do socialismo e do comunismo que permitirão pôr fim à exploração do homem pelo homem e assegurar ao povo português o efectivo poder político, o bem-estar, a cultura, a igualdade de direitos dos cidadãos e o respeito pela pessoa humana, a liberdade e a paz. A acção e a identidade do Partido são inseparáveis destes objectivos e do ideal comunista.”

 

E a continuidade do programa da revolução democrática e nacional, tal como consagrado no Artº 6º dos seus estatutos: “Actualmente, e na continuidade do programa da revolução democrática e nacional aprovado no VI Congresso do PCP e dos ideais, conquistas e realizações históricas da revolução de Abril, o PCP luta por uma democracia avançada - os valores de Abril no futuro de Portugal, simultaneamente política, económica, social e cultural, com cinco componentes ou objectivos fundamentais:

- um regime de liberdade no qual o povo decida do seu destino e um Estado democrático, representativo, participado e moderno;

- o desenvolvimento económico assente numa economia mista, moderna e dinâmica, liberta do domínio dos monopólios, ao serviço do povo e do País

- uma política social que garanta a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo;

- uma política cultural que assegure o acesso generalizado à livre criação e fruição culturais;

- uma pátria independente e soberana com uma política de paz, amizade e cooperação com todos os povos.”

 

Não nos iludamos, a implementação do ideal comunista só será possível quando o povo intender atribuir e da forma que entender atribuir plenos poderes ao Partido Comunista Português e isso será obviamente uma revolução.

 

O Partido Comunista Português tem como base teórica o marxismo-leninismo, não é um partido da burguesia dominante, é a vanguarda da classe operária e de todos os trabalhadores, o PCP tem como objectivo uma luta sem tréguas contra a exploração e a opressão capitalistas, contra o imperialismo.

 

Sabemos que nenhum partido da burguesia serve os reais interesses dos trabalhadores e do povo, sabemos que nenhum partido da burguesia que defenda esta Europa que defenda os tratados que esta Europa impõe aos estados detentores de economias mais frágeis, defende a soberania politica e económica do nosso país, são partidos subservientes a interesses políticos, económicos e financeiros e o PS, (até prova em contrário), em conjunto com a direita PSD/CDS, faz parte desse arco de subserviência aos ditames da União Europeia.

 

O marxismo-leninismo permite uma adaptação do modo de agir tendo em conta os povos e as suas especificidades culturais, bem como o espaço temporal e as estratégias dos combates a travar.

 

Os comunistas portugueses, são chamados hoje a travar grandes combates em defesa dos seus ideais, em defesa da Constituição da Republica, em defesa do povo e da Pátria.

 

A derrota da coligação de direita, PSD/CDS fez sair da toca os neoliberais convictos, os fascistas dissimulados que diariamente ouvimos vomitar o seu anticomunismo primário nos órgãos de comunicação social, sedentos de vingança, não querem aceitar a perda dos seus “tachos”, da sua influência, do seu poder de domínio e instrumentalização do povo.

 

O momento é de esclarecimento, o momento é de mobilização, o momento é de vigilância, o momento é de luta, nos locais de trabalho, nas empresas, na rua, só assim se defendem a democracia a liberdade e os ideais da Revolução de 25 de Abril de 1974.

 

O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO!

 

Antonio de Lemos

 

 



publicado por António Lemos às 09:29
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