Este espaço destina-se à divulgação de Noticias, Ideias e Pensamentos e ao debate de temas relacionados com o Mar, a Politica, a Cidadania, o Turismo, a Sociedade e a Cultura em geral. FOI ADICIONADO UM CONTADOR A PARTIR DE NOVEMBRO DE 2010
Sábado, 26 de Novembro de 2016
VIVA FIDEL!

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VIVA FIDEL!

Socialismo ou morte! Marxismo-leninismo ou morte!

Fidel Castro 1926 – 2016

Choro sentido a partida do CAMARADA FIDEL CASTRO com a certeza que a sua imortalidade perdurara pelos tempos continuando a inspirar os que lutam pela liberdade, contra o imperialismo, contra a exploração capitalista, por um mundo melhor!

FIDEL VIVE NO CORAÇÃO DOS QUE LUTAM POR UM MUNDO SEM EXPLORADOS E OPRIMIDOS!

António de Lemos



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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016
Thermopylae. História do Clipper mais veloz do mundo.

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 Thermopylae. História do Clipper mais veloz do mundo.

O Thermopylae foi considerado o Clipper mais veloz do mundo tendo rivalizado com o famoso Cutty Sark principalmente na corrida da Rota do Chá.

Thermopylae, construído pelo fabricante Walter Hood & Co, em Aberdeen, lançado á agua a 19 de Agosto de 1868, foi um belo navio, “ele é a mais bela e fina espécie de arquitectura naval um modelo de simetria e beleza; as suas arrebatadoras linhas e delicadas proporções, graciosidade e solidez, transportam para a ideia de perfeição, assim esta caracterizado na “National Library of Austrália – Melbourne, January 13, 1869, p.6.”

Com a chegada dos navios a vapor, o Thermopylae foi gradualmente perdendo o interesse das companhias de navegação e depois de muitas missões sobre bandeira Britânica, foi adquirido por Portugal em 1896, para ser transformado em Navio Escola da Marinha Real, com o nome de Pedro Nunes. Em 1897 entra em doca seca e verifica-se que o casco se encontra muito danificado com o teredo e que a sua reparação se tornaria muito dispendiosa, tendo-se decidido pelo desarmamento do navio.

Foi fundeado no Tejo servindo de pontão de carga para carvão, até ser afundado no dia 13 de Outubro de 1907, dia da Marinha, em frente a Cascais.

Este livro narra a história deste belo navio, o Thermopylae, é uma notável edição da Câmara Municipal de Cascais e encontra-se á venda no Museu do Mar Rei Dom Carlos em Cascais.

Edição Camara Municipal de Cascais.

Autores: Antonio Fialho, Augusto Salgado, Carmen Soares, Jean-Yives Blot, Jorge Freire.

Antonio de Lemos



publicado por António Lemos às 18:29
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016
Diana Johnstone, Hillary Clinton: Rainha do Caos

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Sobre o Livro de Diana Johnstone, Hillary Clinton: Rainha do Caos

Diana Johnstone nasceu em 1934, vive em Paris, é escritora e americana, especialista em ciência política, escrevendo principalmente sobre política europeia e política externa ocidental.

 

Diana Johnstone está entre os poucos escritores progressistas norte-americanos que tem a coragem de denunciar a estratégia de dominação planetária dos EUA como ameaça à Humanidade.

 

Diana Johnstone não é comunista, não é marxista, não é uma revolucionária e acredita nos valores da democracia ocidental. É sem dúvida uma crítica do funcionamento da engrenagem do poder, da ambição, da perversidade, da irresponsabilidade, do belicismo de uma elite liberal, oligárquica que nos EUA, controla o sistema e define a forma como se posiciona no mundo.

 

Em “Hillary Clinton: Rainha do Caos” Diana chama a atenção para o potencial negativo que a já quase presidente dos EUA representa para a Humanidade. Neste livro Diana analisa e denúncia a máquina política e militar que sustenta o imperialismo americano, o complexo militar-industrial, o poderoso lobby pró-israelita na indústria dos media e do entretenimento, essencial para o domínio e controlo do pensamento de milhões de americanos e de milhões em todo o mundo.

 

“Hillary Clinton: Rainha do Caos” é um livro de leitura obrigatória, para quem não pretende viver neste mundo de cabeça escondida debaixo da areia. António de Lemos

 

********************

 

Diana Johnstone, Hillary Clinton: Rainha do Caos, Editora Página a Página.

 

“A jornalista americana Diana Johnstone analisa neste livro a ligação entre as ambições de Hillary Clinton e a máquina que sustenta o «Império» americano: o complexo militar-industrial, o lobby pró-israelita, a opinião «liberal» (nomeadamente na indústria dos média e do entretenimento) que adopta avidamente a defesa mundial dos «direitos humanos» como uma justificação legítima para a intervenção dos EUA noutros países.”

“Passando pelos conflitos dos últimos 25 anos nas Honduras, no Ruanda, na Líbia, na Bósnia, no Kosovo, no Iraque, na Síria e na Ucrânia, a autora demonstra como o desempenho de Hillary Clinton a tornou a candidata favorita do Partido da Guerra de Washington.”

“Hillary Clinton: Rainha do Caos, independentemente de outras perspectivas de análise que são necessárias, é um livro valiosíssimo para o combate que se trava hoje.” A Editora Página a Página, http://www.paginaapagina.pt/

 

Publicado no Mar Revolto por Antonio de Lemos

 

 



publicado por António Lemos às 19:47
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016
“A Linha de Cascais Está a Morrer” A hipocrisia já não tem limites.

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“A Linha de Cascais Está a Morrer” A hipocrisia já não tem limites.

Começa assim o título do artigo de Carlos Carreiras Presidente da Camara de Cascais, hoje dia 26 de Outubro, no Jornal i.

O Sr. Presidente da Camara de Cascais que na sua despudorada agenda neoliberal para Cascais, tudo quer privatizar e essa seria sem duvida a intenção de Carlos Carreiras e do governo anterior, PSD e CDS, ou seja privatizar ou concessionar a privados a Linha de Cascais.

O anterior Governo, adiou intencionalmente a obra, pois só a pretendia lançar associada a um processo de privatização. E enquanto preparava a privatização tinha os fundos comunitários à espera, e nem o projecto lançou. Mas continuou a feazer muitas promessas tentando iludir dessa forma os utilizadores da Linha de Cascais.

Carlos Carreiras vem criticar agora o facto do actual ministro Pedro Marques, ter afirmado que a linha de Cascais seria uma prioridade, fazendo-se esquecido e numa evidente manobra de hipocrisia política, Carlos Carreiras, sabendo melhor que ninguém que o governo anterior do seu partido PSD e do CDS, também tinha colocado a Linha de Cascais nos investimentos prioritários, e tinha inclusivamente destinado 160 milhões de euros desses fundos para a concretização desse investimento, nada fez, e a degradação continuou.

É verdade que o governo do Partido Socialista fez promessas de não privatizar nem concessionar a Linha de Cascais e recorrer a fundos europeus para concretizar a modernização e remodelação da ferrovia e de mais infraestruturas, mas até ao momento nada se concretizou e a degradação continua pondo em causa a segurança dos milhares de utilizadores da Linha de Cascais.

Mais recentemente em Agosto deste ano a Administração da EMEF, Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, S.A, em Oeiras, com o apoio do Governo do PS anunciou aos ferroviários que têm estado ao serviço da EMEF, por subcontratação de uma empresa de trabalho temporário, que serão despedidos até Novembro.

Sublinho que estes trabalhadores fazem falta à empresa, e tem sido o garante da manutenção da Linha de Cascais, só estão a ser despedidos para que possam ser contratados outros pela empresa de trabalho temporário perpetuando dessa forma a relação precária desses trabalhadores com a EMEF.

Nesse sentido os eleitos do PCP na Assembleia Municipal de Cascais que tem defendido a manutenção da Linha de Cascais na esfera pública, entenderam apresentar uma moção na Reunião da AMC, realizada a 24 de Outubro, apelando á Administração da EMEF e ao Governo para que não se concretizem os despedimentos anunciados.

É no seguimento da apresentação desta moção que assistimos a mais um exercício de hipocrisia política por parte dos partidos que suportam o executivo da Camara de Cascais, PSD e CDS bem como por parte do Presidente Carlos Carreiras.

Depois de tecerem vários elogios aos trabalhadores, depois do Presidente ter afirmado que esses trabalhadores tem sido o garante da manutenção da linha, que tem feito um trabalho extraordinário utilizando peças de carruagens que já se encontram inoperacionais e chegando mesmo a fabricar peças que já não existem, considerando que os mesmos são imprescindíveis, pasme-se o PSD e o CDS votaram contra.

Em conclusão, a moção foi rejeitada com os votos contra do PSD e CDS, a abstenção do PS. e da coligação Ser Cascais, sendo que os únicos partidos que votaram favoravelmente foram o PCP e o BE.

Continuar a adiar as obras necessárias na Linha de Cascais é no mínimo criminoso, foi criminoso por parte do governo anterior e é criminoso por parte do actual governo

O artigo que Carlos Carreiras escreve no Jornal i está repleto de ataques ao PCP, partido que como já referi tem defendido ao longo dos anos a necessidade de remodelação e modernização da linha de Cascais, batendo-se em todas as frentes quer no plano autárquico, quer junto do poder central, quer na rua, alertando as populações, alertando para os graves problemas existentes.

Por sua vez, como é evidente, o Presidente Carlos Carreiras, mais não faz do que sacudir a água do capote, é um dos responsáveis pelo atraso das obras na Linha de Cascais, pois não foi capaz de resolver a grave situação existente, quando o seu partido o PSD e CDS coligação que suporta o executivo que lidera estavam no governo.

Para o PSD e para o seu alto dirigente Carlos Carreiras a hipocrisia politica já não tem limites e os utentes da Linha de Cascais se o governo não fizer nada, vão continuar a arriscar para irem trabalhar.

Antonio de Lemos

Eleito na Assembleia Municipal de Cascais

 

Moção Apresentada na Reunião da AMC, em 24 de Outubro de 2016

 

Moção

 

Os despedimentos nas Oficinas da EMEF, Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, S.A, em Oeiras, e a degradação da fiabilidade da circulação ferroviária na Linha de Cascais da CP

A Administração da EMEF, com o apoio do Governo, violando as promessas do próprio primeiro-ministro quando anunciou o combate ao «modelo de precariedade e baixos salários» anunciou em Agosto, aos ferroviários que têm estado ao serviço da EMEF em Oeiras, por subcontratação de uma ETT, (empresa de trabalho temporário), que serão despedidos até Novembro.

É de sublinhar que estes trabalhadores fazem falta à empresa, e só estão a ser despedidos para que possam ser contratados outros pela ETT para assim perpetuar a relação precária.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores Ferroviários já anunciou um conjunto de jornadas de luta - na empresa e junto dos utentes - em defesa destes trabalhadores, exigindo a sua imediata contratação pela EMEF.

É conhecido o défice operacional na Linha de Cascais da CP, gerada pelo facto de sucessivos governos terem constantemente adiado investimentos inadiáveis na modernização da infraestrutura e dos comboios.

As Oficinas da EMEF de Oeiras asseguram a manutenção e reparação dos (velhos) comboios que são os únicos que circulam nesta linha. Estes despedimentos, e a luta que inevitavelmente se seguirá, degradarão ainda mais essa oferta de transportes, num caminho que vai acentuar a degradação referida, em vez de resolver os muitos e problemas herdados.

O que as oficinas da EMEF em Oeiras precisam é de contratar mais trabalhadores, e não que sejam despedidos os que nela já trabalham.

O que o país precisa, como o Senhor Primeiro-Ministro anunciou, é de combater o modelo de precariedade e baixos salários, e não de ver o próprio governo da república aplicar o referido modelo nas empresas públicas, dando por isso mesmo um mau exemplo.

Assim a Assembleia Municipal de Cascais reunida no dia 24 de Outubro de 2016 delibera:

  1. Apelar á Administração da EMEF para que trave os despedimentos nas suas oficinas de Oeiras e contrate estes trabalhadores para ocuparem o posto de trabalho efectivo a que têm direito.
  2. Exigir ao Governo que cumpra as suas promessas, e neste caso, que dê orientações à EMEF para o não despedimento destes trabalhadores e para a sua contratação para os quadros da empresa.
  3. Responsabilizar o Governo pela crescente degradação da fiabilidade da circulação ferroviária que esta decisão a persistir irá agravar.
  4. Solidarizar-se com a luta dos trabalhadores da EMEF dia 27 de Outubro de 2016.

 

Cascais 24 de Outubro de 2016

Pelo Partido Comunista Português

 Antonio de Lemos

 

 

 



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Sábado, 17 de Setembro de 2016
Faina Maior – A pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova

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Faina Maior – A pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova

Apaixonado pelo mar desde sempre, ligado ao mar desde muito novo das mais variadas formas, navegando, pescando, mergulhando, vivendo do mar durante os últimos 10 anos, tendo viajado no CREOULA para os Açores, posso dizer que na minha vida tenho tido o Mar como Horizonte.  

Sou um apaixonado pela literatura que narra a história marítima portuguesa com especial incidência na Epopeia do Bacalhau a Faina Maior, a história dos últimos heróis do mar portugueses.

Visitei este mês de Setembro 2016, o Museu Marítimo de Ílhavo, bem como o navio-museu Santo André, antigo arrastão bacalhoeiro, não foi a primeira vez que efectuei esta visita que aconselho vivamente, o museu é excelente e a visita ao navio um complemento obrigatório.

Aqui deixo mais um livro que narra a vida a bordo dos navios que em tempos idos todos os anos se dirigiam aos bancos de pesca da Terra Nova, Canadá. Por lá ficavam 5 meses enfrentando muitas adversidades em embarcações á vela como o CREOULA, GAZELA PRIMEIRO, STA. MARIA MANUELA, O HORTENSE, O ARGOS, ETC.

Antonio de Lemos

“Faina Maior – A Pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova, da autoria de Francisco Marques e de Ana Maria Lopes, dada ao prelo pela 1ª vez pela Editora Quetzal, em Junho de 1996, os Amigos do Museu Marítimo decidiram levar a cabo uma terceira edição, ipsis verbis, como era necessário e calculável. Ílhavo, 10.12.2015, Ana Maria Lopes” Blogue, Marintimidades.

 http://marintimidades.blogspot.pt/2015/12/faina-maior-pesca-do-bacalhau-nos-mares.html

 

Publicado no Mar Revolto por Antonio de Lemos

 



publicado por António Lemos às 22:37
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016
A DÚVIDA! Madre Teresa de Calcutá

A DÚVIDA! Madre Teresa de Calcutá

A DÚVIDA, o contraditório para os que não escondem a cabeça debaixo da areia, para os que pensam, para os que querem saber, para os que não se deixam instrumentalizar!

Publicado no Mar Revolto por:

Antonio de Lemos

Anjo do Inferno-Madre Teresa de Calcutá-Por Christopher Hitchens (LEGENDADO)

https://www.youtube.com/watch?v=dPEgo38Ovrc

 



publicado por António Lemos às 16:01
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Domingo, 3 de Julho de 2016
Charlie Chaplin, “O Melhor Discurso de Todos os Tempos”

 

 

 

 

Charlie Chaplin, “O Melhor Discurso de Todos os Tempos”

 

https://www.youtube.com/watch?v=K2K9519Upes



publicado por António Lemos às 19:24
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Domingo, 12 de Junho de 2016
E OS ASSASSINOS GRITAM EUFÓRICOS!

 

E OS ASSASSINOS GRITAM EUFÓRICOS! Queremos sangue muito sangue, Viva a morte, viva a barbárie!

ASSASSINOS TANTO SÃO OS QUE MATAM O ANIMAL COMO OS QUE PAGAM PARA VER MATAR!

 

Que podemos nós humanos esperar de quem se satisfaz de quem sente felicidade, alegria, euforia, assistindo a esta barbárie?

 

Publicado no Mar Revolto por :

António de Lemos

 

Vídeo Publicado no facebook por: Ahmet Alakuş

 



publicado por António Lemos às 17:23
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2016
Defender a Escola Pública

DECLARAÇÃO DE JORGE PIRES, MEMBRO DA COMISSÃO POLÍTICA DO COMITÉ CENTRAL, CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Defender a Escola Pública, garantir o acesso de todos ao ensino

23 Maio 2016

A ausência ao longo dos anos de uma política de alargamento da rede pública de ensino, conjugada com o encerramento de milhares de escolas, levou a que o Estado recorresse aos contratos de associação com Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (EEPC), assumindo estes um carácter complementar de garantia do direito à educação onde não existia resposta pública.

 

Já em 2011, o PCP, através de um Projecto de Resolução entregue na Assembleia da República, defendeu que o governo devia recorrer de forma planificada ao ensino particular ou cooperativo na medida da incapacidade pública para garantir uma resposta educativa a toda a população estabelecendo mecanismos legais e orçamentais para garantir a equidade relativa entre financiamento público, por aluno, dos estabelecimentos públicos de ensino e das instituições particulares e cooperativas de ensino, bem como das relações laborais e condições salariais dos profissionais de ambos os sectores, e da qualidade pedagógica.

 

No entanto, nos últimos quatro anos, o governo PSD/CDS não agiu de acordo com estas orientações, o que fez foi dar passos significativos na privatização da Escola Pública.

 

O desrespeito pelo quadro legal que define inequivocamente o carácter complementar do ensino privado, relativamente ao ensino público, desviou alunos da Escola Pública para os colégios privados, e criou expectativas nos trabalhadores, alunos e pais, relativamente à continuidade do ensino privado financiado pelo Estado, que este não pode, nem deve assumir.

 

O aumento da capacidade de resposta da Escola Pública deve-se em grande medida a razões demográficas que levaram a uma diminuição do número de alunos em cerca de 20%, redução que serviu de justificação para que o governo PSD/CDS concretizasse o maior despedimento colectivo de professores verificado no País, no ensino público: cerca de 28.000 em quatro anos.

 

PSD e CDS, os mesmos que sistematicamente, para justificarem a sua oposição ao crescimento do investimento público, sustentaram a tese de que «os privados fazem melhor e mais barato», celebrou contratos de associação com escolas privadas, na maioria dos casos com disponibilidade da Escola Pública, com gastos superiores em 25.000 euros por turma aos da Escola Pública.

 

O cinismo com que PSD e CDS falam de despedimentos de professores nas escolas com contratos de associação, fica bem patente no facto de serem os mesmos partidos que, durante os quatro anos da última legislatura, foram responsáveis por uma política de desvalorização da Escola Pública, com cortes no Orçamento do Estado para a Educação superiores a 3.000 milhões de euros, que teve entre outras consequências o despedimento de professores e a não contratação de milhares de outros trabalhadores fundamentais para o bom funcionamento das escolas.

 

PSD e CDS não estão verdadeiramente preocupados com a qualidade do ensino e muito menos com os professores, os funcionários, os pais ou os alunos, que agora procuram instrumentalizar apenas para obter ganhos políticos imediatos a partir da desestabilização em curso e aproveitar para cavalgar na ideia de que o que interessa é que o Estado assegure o serviço público, não importa se através da Escola Pública ou das escolas privadas, como se a lógica de funcionamento e os objectivos de uma e outras, fossem os mesmos.

 

A existência de escolas privadas não está posta em causa, os seus accionistas mantêm o direito de as constituir e não está impedida a possibilidade de os cidadãos, que por elas queiram optar, o possam fazer pagando os respectivos custos, o que não deve acontecer é essas escolas e os grupos económicos que as controlam serem subsidiados pelo erário público tendo como consequência o desinvestimento, degradação e constrangimento da rede pública. Já em 2011, um estudo encomendado pelo Ministério da Educação à Universidade de Coimbra sobre a rede, confirmou que a grande maioria dos alunos em turmas com contratos de associação, financiadas pelo Estado, podiam ser acolhidos nas escolas públicas das respectivas regiões.

 

Os que falam na qualidade do ensino ministrado nas escolas com contratos de associação e na rentabilização do investimento que o Estado faz nessas escolas omitem, propositadamente, os problemas detectados em parte dessas escolas (20 colégios do Grupo GPS), que recentemente foram alvo de investigação.

 

Para o PCP, o Estado, de acordo com o texto constitucional, deve garantir o acesso à educação e o instrumento para o fazer é a Escola Pública universal, de qualidade e gratuita em todo o ensino obrigatório, independentemente das condições económicas e sociais de cada um. Objectivo que exige um investimento adequado na rede pública e nas condições de funcionamento da Escola Pública que permitam a melhoria do processo ensino/aprendizagem.

 

Como garantia do acesso de todos ao ensino o PCP defende que se deve manter a possibilidade de celebrar contratos de associação com escolas privadas e do sector cooperativo, de acordo com as regras definidas em regiões onde a escola pública não tem condições de acolher esses alunos, com um financiamento não superior ao que se faz por turma, na escola pública e com rigorosa verificação dos contratos assinados.

 

Contratos que devem ser acompanhados da exigência da aplicação das mesmas condições de trabalho aos professores que trabalham nessas escolas com contratos de associação, nomeadamente no que respeita à carga horária lectiva.

 

O PCP reafirma o empenhamento que sempre teve na defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores da educação, estejam eles no sector público ou privado.

 

http://www.pcp.pt/defender-escola-publica-garantir-acesso-de-todos-ao-ensino

 

Publicado no Mar Revolto por: António de Lemos 

 



publicado por António Lemos às 11:04
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Telescópio Hale

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Telescópio Hale

 

3 Junho de 1948 - Inauguração do Telescópio Hale

O telescópio Hale, também chamado do Monte Palomar, local onde está instalado, a 80 km de Los Angeles, nos EUA, nasceu de uma ideia do astrofísico George Ellery Hale, que ambicionava poder dispor de um aparelho «enorme», duas ou três vezes maior do que o Hooker, do observatório do Monte Wilson, embora à época – anos 30 o século XX – nem sequer houvesse a certeza de que tal fosse possível. Hale empenhou-se na angariação de fundos e conseguiu que a fundação Rockefeller disponibilizasse seis milhões de dólares para o projecto. Foram precisos quatro anos (de 1931 a 1935) para produzir um espelho reflector de cinco metros, que uma vez concluído levou oito meses a arrefecer. Só então pôde começar a ser polido. Treze anos depois do início da obra, o enorme espelho foi transportado através de uma estrada construída especialmente para o efeito e montado no local do observatório. O famoso reflector permitia distinguir uma vela acesa a uma distância de 30 000 Km e fotografá-la a 50 000 Km. Hale não chegou a ver a concretização do seu sonho. Este telescópio foi o maior do mundo até à construção do BTA-6 russo em 1976, e o segundo maior até à construção do Keck 1/EUA em 1993. Jornal Avante.

http://www.avante.pt/pt/2218/memoria/

Publicado no Mar Revolto por: Antonio de Lemos



publicado por António Lemos às 10:54
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Terça-feira, 12 de Abril de 2016
HÁ ANIMAIS A SEREM MAL TRATADOS NO CANIL E GATIL MUNICIPAL DE CASCAIS!

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HÁ ANIMAIS A SEREM MAL TRATADOS NO CANIL E GATIL MUNICIPAL DE CASCAIS!

Em 2015 vários deputados da Assembleia Municipal de Cascais forçaram a convocatória de reuniões em sede de comissões, bem como a visita às instalações do canil e gatil municipal com a presença do vereador Nuno Piteira Lopes, responsável pelo canil e gatil municipal de Cascais.

Depois da referida visita, o citado vereador garantiu que durante o ano de 2015 se iriam realizar obras de melhoramento, quer do canil, quer do gatil.

Das obras então prometidas, entre outras, constavam como urgentes:

A melhoria geral das instalações do Canil de forma a proporcionar condições de vida mais dignificantes aos animais.

A criação das condições necessárias que possibilitassem passeio diário dos cães que habitam o canil municipal.

O fim das jaulas de metro e meio onde se encontram enjaulados os gatos resgatados da rua, sem verem o sol e de onde saem só quando morrem.

De referir que estes gatos, no exíguo espaço que habitam, comem, dormem, defecam e urinam.

Foi ainda prometido que seria construído um recreio para que os gatos pudessem apanhar ar e sol durante o dia. 

Estas seriam as obras mais urgentes, das quais pouco ou nada foi efectuado.

Em 2013, ao abrigo do Orçamento Participativo, foi atribuída uma verba para as obras do canil e gatil municipal obras que até hoje não foram efectuadas.

O canil continua a ser uma prisão de animais fria e húmida, em algumas zonas as águas das lavagens mantêm-se empoçadas, sem nunca secar, o cheiro é nauseabundo.

Os cães não são passeados todos os dias.

Uma zona de cercado, que supostamente seria para passear os cães, está a servir de habitação dormindo os animais em casotas, sujeitos a todas as intempéries.

Ao gatos continuam a viver fechados a jaulas de metro e meio até morrerem.

Uma gaiola de arame de quatro metros por quatro metros, que foi construída de forma atamancada junto ao gatil, que supostamente serviria para os gatos enjaulados poderem apanhar ar e sol, mas está a servir de habitação para cinco gatos sujeitos a todo o tipo de intempéries.

Na gaiola referida, os abrigos são practicamente inexistentes e no chão vêm-se dois pequenos recipientes para os gatos fazerem as necessidades fisiológicas que na maior parte das vezes pouca ou nenhuma areia higiénica tem e por norma estão repletos de fezes.

Pelo que refiro pode-se concluir que os animais são maltratados no canil e gatil municipal pelos que supostamente são responsáveis pelo bem-estar dos animais que têm á sua guarda, ou seja, pela Câmara Municipal de Cascais.

Enquanto deputado municipal contactei já este ano de 2016, e por diversas vezes, o Sr. Vereador Nuno Piteira Lopes que me referiu estarem já resolvidas a maior parte das situações referidas, o que é mentira, como pude verificar no local em 7 de Abril de 2016. (fotos em anexo).

Na reunião da Assembleia Municipal de Cascais de 23 de Março de 2016, interpelei o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Cascais sobre toda esta situação que respondeu, afirmando ser a Câmara de Cascais, a Câmara que melhor trata os animais, como se entende MENTIU!

A Câmara Municipal de Cascais deve concretizar as obras necessárias ao bem-estar animal, proclamadas pelo vereador Nuno Piteira Lopes, responsável pelo canil e gatil municipal de Cascais, cabe ao presidente da Camara Dr. Carlos Carreiras cumprir e fazer cumprir a Lei n.º 69/2014 de 29 Agosto que criminaliza os maus tratos aos animais!

Antonio de Lemos

Deputado Assembleia Municipal de Cascais

Cascais 12 de Abril de 2016

Contacto TM. 969734133



publicado por António Lemos às 15:43
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Sábado, 2 de Abril de 2016
40 Anos da Constituição da República Portuguesa

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40 Anos da Constituição da República Portuguesa

A aprovação da Constituição da República Portuguesa no dia 2 de Abril de 1976, é indissociável da luta e resistência do povo e dos trabalhadores, organizados no Partido Comunista Português e em outros partidos e movimentos. Homens e mulheres que resistiram ao fascismo, á prisão, á deportação e á morte, resistência que viria a culminar na revolução de 25 de Abril de 1974.

A 2 de Abril de 1976, todos os partidos menos um, representados na assembleia constituinte votaram favoravelmente a Constituição da República Portuguesa, o CDS seria o único partido a votar contra.

Apesar das alterações que foram sendo introduzidas por determinação dos partidos da direita PSD, CDS e pelo PS.

A Constituição da República Portuguesa ainda é hoje uma Constituição que, na sua génese e projecto, coloca como inseparáveis as vertentes políticas, económicas, sociais e culturais da democracia, aliadas aos desígnios da independência e soberania nacional.

A Constituição da República Portuguesa consagra os direitos dos trabalhadores como intrínsecos à democracia, reconhecendo-os, proclama a subordinação do poder económico ao poder político, lança as bases avançadas dos direitos sociais e culturais e consagra como princípios e valores inalienáveis de um Portugal independente, um Portugal de paz e cooperação com todos os povos.

Hoje passados 40 anos da sua aprovação, é dever dos partidos representados na Assembleia da República, criar legislação que obrigue o ensino da constituição nas escolas, para que as mulheres e os homens que no futuro sejam chamados a governar Portugal, conheçam bem a lei fundamental que deu origem a um Portugal livre e democrático.

Hoje é um imperativo de todas as mulheres e homens livres, de todos os democratas de todas e todos os portugueses defender a Constituição da República Portuguesa.

 

Preâmbulo da Constituição da República Portuguesa

A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.

Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.

A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.

A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.

A Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, aprova e decreta a seguinte Constituição da República Portuguesa:

Constituição da República Portuguesa, (actual):

https://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx

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António de Lemos

  

 



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Sábado, 16 de Janeiro de 2016
EU VOTO EDGAR SILVA!

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 Edgar Freitas Gomes Silva

 Candidato á Presidência da Republica Portuguesa.

 

Natural do Funchal onde nasceu em 25 de Setembro de 1962

 

Licenciado em teologia pela Universidade Católica Portuguesa

 

Exerceu as funções de Padre católico.

 

Foi responsável por diversos projectos como o “Arco”, na Madeira, e por iniciativas sociais e de desenvolvimento local em bairros marcados pelos problemas da ultra- periferia social.

 

Da obra publicada contam-se livros sobre questões de desenvolvimento humano e social como “Instrangeiros na Madeira” (2005), “Madeira-Tempo Perdido (2007), “Os bichos da corte do ogre usam máscaras de riso” (2010), “Pontes de Mudança – Sociedades Sustentáveis e Solidárias (2011).

 

Foi membro fundador do MAC – Movimento de Apoio à Criança e da Escola Aberta, integrou movimentos de apoio às crianças de rua, entre 1987 e 1992.

 

Foi professor na Universidade Católica do Funchal entre 1987 e 1992.

 

Foi Assistente Nacional do Movimento Católico de Estudantes (MEC), entre 1992 e 1995.

 

Deputado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira desde 1996. Foi membro da Assembleia Municipal do Funchal e da Assembleia de Freguesia de Santo António.

 

Membro do PCP desde 1998. Membro do Comité Central desde o XVI Congresso.

 

É responsável pela Organização do PCP na Região Autónoma da Madeira

 

Publicado no Mar Revolto por: Antonio de Lemos



publicado por António Lemos às 15:44
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Domingo, 10 de Janeiro de 2016
O ALMIRANTE PORTUGUÊS – Romance Histórico

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O ALMIRANTE PORTUGUÊS – Romance Histórico. A saga de uma esquadra portuguesa que combateu Napoleão – autoria de Jorge Moreira Silva.

 

Os eventos narrados neste excelente Romance Histórico são quase todos reais tendo o autor utilizado a ficção para preencher algumas lacunas qua a historiografia deixou a descoberto.

 

Jorge Manuel Moreira Silva nasceu em Bissau (Guiné-Bissau) em 11 de Setembro de 1970. Depois de ter frequentado o Instituto Militar dos Pupilos do Exército, ingressou na Escola Naval em 1988, tendo-se tornado oficial de Marinha em 1993.

 

Embarcou em quase todos os tipos de navio e participou na missão de resgate de cidadãos portugueses, durante a guerra civil na Guiné- Bissau em 1998. Em 2000 cumpriu uma comissão de seis meses em Timor-Leste, no conturbado período que se seguiu à ocupação Indonésia daquele país.

 

Entre 2009 e 2012 prestou serviço em Nápoles, e de 2014 a 2015, esteve destacado em Moçambique, na missão de cooperação técnico-militar portuguesa com aquele país lusófono.

 

Mestre em História Marítima, já publicou cinco livros de pesquisa histórica e mais de uma centena de artigos técnicos e culturais em vários jornais e revistas. O Almirante Português é o seu primeiro romance.

 

http://marcador.com.pt/autor/155-jorge-manuel-moreira-silva

 

Publicado no Mar Revolto por : António de Lemos



publicado por António Lemos às 12:45
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2015
Noam Chomsky: “A pior campanha terrorista é a que está a ser orquestrada em Washington”

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Noam Chomsky: “A pior campanha terrorista é a que está a ser orquestrada em Washington”

17/04 19:15 CET   | updated at 17/04 - 21:24

 

VER VÍDEO: http://pt.euronews.com/2015/04/17/noam-chomsky-a-pior-campanha-terrorista-e-a-que-esta-a-ser-orquestrada-em/

 

Noam Chomsky é considerado uma celebridade do mundo intelectual. Um autor prolífico e assumido anarquista, que aos 86 anos de idade não dá sinais de querer abrandar o ritmo. É uma voz ativa na denúncia de várias injustiças, tendo com bastante frequência o Ocidente como alvo.

 

Discutimos estas e outras questões numa entrevista com o reputado linguista, filósofo e ativista político norte-americano, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos.

 

Isabelle Kumar, Euronews: Em 2015, o mundo parece um lugar conturbado, mas se pensarmos a nível global, sente-se otimista ou pessimista?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Estamos a caminhar, a nível global, para um precipício, no qual estamos determinados a cair, e que reduzirá nitidamente as perspetivas de uma sobrevivência decente.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Que precipício?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Na verdade existem dois precipícios. Um é a catástrofe ambiental iminente. Não temos muito tempo para lidar com isso e fazemos o percurso errado. O outro aconteceu há cerca de 70 anos, a ameaça de guerra nuclear, o que é interessante. Se fizermos uma retrospetiva é um milagre termos sobrevivido.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Falemos agora de questões ambientais. Pedimos aos nossos seguidores nas redes sociais para enviarem perguntas e recebemos imensas questões. Enea Agolli pergunta: Quando se depara com a questão ambiental e assume uma postura filosófica, o que tem a dizer em matéria de alterações climáticas?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “A espécie humana existe há cerca de cem mil anos e está agora perante um momento único na história. Esta espécie está numa posição em que decidirá, brevemente, as próximas gerações, se a chamada vida inteligente vingará ou se estamos determinados a destruí-la. Os cientistas reconhecem, surpreendentemente, que a maioria dos combustíveis fósseis têm de ficar no solo se quisermos um futuro decente para os nossos netos. Mas as estruturas institucionais da nossa sociedade fazem pressão para se extrair cada gota. Os efeitos, as consequências humanas, esperados por causa das alterações climáticas, num futuro próximo, são catastróficos e caminhamos para um precipício.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Em matéria de guerra nuclear constatamos que a possibilidade do acordo iraniano pressupõe que se alcançou uma etapa preliminar. Isso dá-lhe alguma esperança sobre o cenário de se fazer do mundo um lugar mais seguro?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Sou a favor das negociações no Irão, mas são profundamente imperfeitas. Existem dois estados em tumulto no Médio Oriente que fazem agressões, recorrem à violência, atos terrotistas, atos ilegais, constantemente. Ambos têm um grande potencial nuclear. E as armas nucleares deles não estão a ser tomadas em conta.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: A quem se refere concretamente?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Aos Estados Unidos e a Israel, os dois maiores estados nucleares do mundo. Existe uma razão para, nas sondagens internacionais, conduzidas por agências de sondagens norte-americanas, os Estados Unidos serem vistos como a maior ameaça à paz mundial por uma margem impressionante. Nenhum outro país chega sequer perto. De certa forma é interessante que os meios de comunicação norte-americanos tenham recusado publicar isto. Mas é um facto.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Não tem o presidente Barack Obama em grande conta. Este acordo fá-lo pensar melhor de Obama? O facto de estar a tentar reduzir a ameaça de guerra nuclear?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Na verdade, ele apenas iniciou um programa avultado de modernização do sistema de armamento nuclear dos Estados Unidos, o que significa expandir esse sistema. Essa é uma das razões pela qual o famoso Relógio do Juízo Final, estabelecido pelo Boletim dos Cientistas Atómicos, ficou, há apenas algumas semanas, dois minutos mais próximo da meia-noite. A meia-noite representa a destruição total. É o mais próximo que estamos desse ponto em três décadas, desde os primeiros anos de Reagan, quando existia um medo enorme de guerra.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Referiu os Estados Unidos e Israel a propósito do Irão. Agora o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu não quer, obviamente, que o acordo nuclear funcione e diz.

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Interessante. Deveríamos perguntar porquê?”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Porquê?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Sabemos porquê. O Irão tem despesas militares bastante baixas, mesmo perante os padrões da região. A doutrina estratégica do Irão é defensiva, concebida para distanciar um ataque o tempo suficiente até ao início da diplomacia. E os Estados Unidos e Israel, os dois estados trapaceiros, não querem tolerar um estorvo. Nenhum analista estratégico com uma função cerebral acredita que o Irão usaria uma arma nuclear. Mesmo que estivesse preparado para tal, o país seria vaporizado e não há indicação de que os clérigos dirigentes queiram ver tudo o que têm destruído.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Uma última questão, sobre esta matéria, chegou-nos através das redes sociais. Morten A. Andersen pergunta: “Acredita que os Estados Unidos alguma vez chegariam a um acordo que fosse perigoso para Israel desde logo?”

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Os Estados Unidos fazem ações constantes que são perigosas para Israel, bastante sérias. Nomeadamente ao apoiar a política israelita. Nos últimos 40 anos, a maior ameaça a Israel são as próprias políticas. Se retrocedermos 40 anos, até 1970, Israel era um dos países mais respeitados e admirados do mundo. Existiam muitas atitudes favoráveis. Agora é dos países mais temidos e que geram antipatia de todo o mundo. No início dos anos 70 Israel tomou uma decisão. Tinham essa hipótese e decidiram pela expansão em vez da segurança e isso acarreta consequências perigosas. Consequências que eram óbvias na altura. Escrevi sobre isso e outras pessoas também o fizeram. Se se prefere a expansão em vez da segurança, caminha-se para a degeneração interna, raiva, oposição, isolamento e, possivelmente, para a destruição. Ao suportar tais políticas, os Estados Unidos contribuem para as ameaças com que Israel se depara.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: O que me leva ao tema de terrorismo. Porque é verdadeiramente uma mancha global e algumas pessoas dirão que se trata de uma consequência da política dos Estados Unidos em relação ao terrorismo em todo o mundo. Até que ponto os Estados Unidos e respetivos aliados são responsáveis pelo que assistimos neste momento, em termos de ataques terroristas em todo o mundo?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “É preciso lembrar que a pior campanha terrorista em todo o mundo é, de longe, a que está a ser orquestrada em Washington. É a campanha global de assassinatos. Nunca houve uma campanha terrorista a essa escala.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: O que quer dizer quando se refere a campanha global de assassinatos?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “O programa de drones é um exemplo disso. Em muitas partes do mundo, os Estados Unidos estão a conduzir sistematicamente, publicamente, abertamente – não existe segredo algum sobre o que estou a dizer, todos o sabemos – campanhas para assassinar pessoas que o governo do Estados Unidos suspeita tentarem fazer mal a alguém um certo dia. De facto é, como referiu, uma campanha gerada pelo terror. Quando se bombardeia uma aldeia no Iémen e matamos alguém – atingido, ou não, a pessoa visada e também outras pessoas de um determinado bairro – como pensa que reagirão? Irão vingar-se.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Descreve os Estados Unidos como o estado terrorista conducente. Como é que fica a Europa no meio de tudo isto?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “É uma boa pergunta. Recentemente, por exemplo, realizou-se um estudo. Julgo que foi feito pela Fundação Open Society. A pior foram de tortura é a rendição. Rendição significa capturar uma pessoa sobre a qual temos suspeitas e enviá-la ao ditador favorito, talvez Assad, Khadafi ou Mubarak, para que essa pessoa seja torturada, a troco de se conseguir algum elemento. É uma rendição extraordinária. O estudo fala dos países participantes. Desde logo, naturalmente, as ditaduras do Médio Oriente, porque foi para esses locais que se enviaram pessoas, e, depois, a Europa. Grande parte da Europa participou. Inglaterra, Suécia, outros países. Na verdade, apenas há uma região do mundo em que ninguém participou: a América Latina. A América Latina tornou-se agora mais independente em relação ao controlo dos Estados Unidos. Há relativamente pouco tempo, quando estava sob controlo dos Estados Unidos, era o centro mundial de tortura. Agora não participou na pior forma de tortura, que é a rendição. A Europa participou. Se o mestre ruge, os lacaios encolhem-se.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Então a Europa é um lacaio dos Estados Unidos?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Definitivamente. São demasiado cobardes para assumir uma posição independente.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Onde é que Vladimir Putin se encaixa no meio de tudo isto? É apontado como uma das maiores ameaças à segurança. É verdade?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Como a maioria dos líderes, ele é uma ameaça para o próprio povo. Fez ações ilegais, naturalmente, mas descrevê-lo como um monstro louco que sofre de doença cerebral e tem Alzheimer, além de ser uma criatura maligna, é fanatismo ao estilo orwelliano. Quero dizer, independentemente do que se pensar das políticas que adota, são compreensíveis. A ideia de que a Ucrânia pode integrar uma aliança militar ocidental seria inaceitável para qualquer líder russo. Isto remonta a 1990, quando se deu o colapso da União Soviética. Houve uma questão sobre o que aconteceria à NATO. Gorbachov permitiu à Alemanha unificar-se e integrar a NATO. Foi uma concessão bastante notável com um quid pro quo: que a NATO não se expandisse um milímetro para o leste. Essa foi a frase usada.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Então a Rússia foi alvo de provocação?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “O que aconteceu? A NATO moveu-se para a Alemanha do Leste e depois Bill Clinton expandiu a NATO diretamente até às fronteiras da Rússia. Agora, com o novo governo ucraniano, estabelecido depois da queda do anterior, o Parlamento votou por 300 votos contra 8, ou algo assim, a adesão à NATO.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Mas pode perceber-se porque querem juntar-se à NATO, porque é que o governo de Petro Porochenko olharia para isto, provavelmente, como uma forma de proteger o país?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Não, não, não. Não é proteger o país. A Crimeia foi tomada depois da queda do governo. E isto não é proteger a Ucrânia, é ameaçar a Ucrânia com uma guerra maior. Isso não é proteção. A questão é que se trata de uma ameaça estratégica séria à Rússia, a que qualquer líder russo teria de reagir. Percebe-se bem.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Se olharmos, no entanto, para a situação na Europa, existe também um outro fenómeno interessante que se está a passar. Estamos a ver a Grécia a mover-se para leste, potencialmente, com o Governo do Syriza. Também estamos ver o Podemos a ganhar poder em Espanha, na Hungria verifica-se o mesmo cenário. Considera que existe um potencial para a Europa começar a alinhar mais em função dos interesses russos?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Repare no que está a acontecer. A Hungria tem uma situação completamente diferente. O Syriza ganhou força na base de uma vaga popular, que disse que a Grécia não se devia sujeitar mais a políticas de Bruxelas e aos bancos alemães, que estão a destruir o país. O efeito destas políticas foi, na verdade, aumentar a dívida da Grécia em relação à produção de riqueza. Provavelmente, metade dos jovens estão no desemprego, 40% da população vive abaixo do limiar da pobreza e Grécia está a ser destruída.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Então a dívida deve ser perdoada?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Sim, como aconteceu com a Alemanha. Em 1953, a Europa perdoou grande parte da dívida alemã, de forma a que a Alemanha se pudesse reconstruir dos danos provocados pela guerra.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: E em relação aos outros países europeus?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Deve acontecer o mesmo.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Então Portugal e Espanha devem ver a dívida perdoada?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Quem incorreu em dívida? A quem se deve? Em parte, a dívida foi contraída por ditadores. Na Grécia, foi a ditadura fascista, que os Estados Unidos apoiaram, quem contraiu grande parte da dívida. Julgo que a dívida foi mais brutal do que a ditadura brutal, aquilo a que se chama no direito internacional “odiosa dívida”, que tem de ser paga. E trata-se de um princípio introduzido no direito internacional pelos Estados Unidos, quando lhes interessava que assim fosse. Muito do resto da dívida, o que se chama pagamentos à Grécia, consiste, na verdade, em pagamentos aos bancos, alemães e franceses, que decidiram fazer empréstimos extremamente arriscados com juros não muito elevados e que agora estão a ser confrontados com o facto de poderem não ter o dinheiro de volta.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Gil Gribaudo, um dos nossos seguidores nas redes sociais, pergunta: Como é que a Europa se vai transformar contra as mudanças existenciais com que se depara? Porque se e certo que existe a crise económica também é certo que existe um recrudescimento do nacionalismo, e também descreveu algumas linhas, que falharam, que foram criadas pela Europa fora. Como é que vemos a transformação da própria Europa?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “A Europa tem problemas sérios. Alguns problemas resultam de políticas económicas concebidas pelos burocratas, em Bruxelas, a Comissão Europeia, etc., sob pressão da NATO e dos grandes bancos, principalmente alemães. Estas políticas têm algum sentido do ponto de vista de quem as concebeu. Porque é certo que querem receber de volta o dinheiro que apostaram em empréstimos de risco e investimentos. A outra coisa é que estas políticas estão a provocar a erosão do Estado-providência, que nunca gostaram. Mas o Estado-providência é um dos maiores contributos da Europa para a sociedade moderna. Os ricos e poderosos nunca gostaram disso e o facto de estas políticas estarem a provocar a erosão é bom do ponto de vista dessas pessoas. Existe um outro problema na Europa. É que é extremamente racista. Sempre senti que a Europa é, provavelmente, mais racista do que os Estados Unidos. Não era tão visível na Europa porque a população europeia, no passado, tendia a ser bastante homogénea. Se todos forem loiros e de olhos azuis, não se parecerá racista, mas assim que a população começa a mudar, o racismo começa-se a fazer notar. Muito depressa. E isso é um problema cultural sério na Europa.”

 

Isabelle Kumar, Euronews: Robert Light, outro dos nossos seguidores nas redes sociais, pergunta: O que lhe dá esperança?

 

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Falámos sobre várias coisas que me fazem ter esperança. A independência da América Latina, por exemplo. Tem um significado histórico. Nos encontros hemisféricos recentes, os Estados Unidos estiveram completamente isolados. É uma mudança radical em relação há 10 ou 20 anos, quando os Estados Unidos dominavam [as questões latino-americanas]. Na verdade, a razão porque Obama teve certos gestos em relação a Cuba foi para tentar superar o isolamento dos Estados Unidos. São os Estados Unidos que estão isolados, não é Cuba. E provavelmente falharão. Veremos. Os sinais de otimismo na Europa são o Syriza e o Podemos. Esperamos assistir, no fim, a um levantamento popular contra as políticas económicas e sociais esmagadoras e destrutivas, que resultam da burocracia e dos bancos. Isso dá esperança. Devia dar.”

 

Publicado no Mar Revolto por, Antonio de Lemos



publicado por António Lemos às 08:26
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Sábado, 14 de Novembro de 2015
Caiu o Governo de direita, PSD/CDS

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Caiu o Governo de direita, PSD/CDS

No dia 10 de Novembro de 2015, caiu o governo de direita, PSD/CDS, que ao longo de 4 anos infernizou a vida ao povo português, provocando um enorme retrocesso social e um evidente declínio económico.

 

O governo PSD/CDS provocou no país um enorme rasto de destruição das condições socioeconómicas dos trabalhadores, dos pequenos e médios empresários e do povo em geral.

 

O desemprego real atingiu mais de um milhão de portugueses, a generalização da precariedade no emprego, baixos salários dos trabalhadores por conta de outrem, com grande incidência nos que auferem o salário mínimo nacional, a maioria das reformas são inferiores ao limiar de pobreza, o endividamento das famílias atingiu níveis record, o subfinanciamento da saúde e da educação que negam o direito de acesso pleno a milhões de portugueses, os cortes sucessivos nas prestações sociais só este ano mais 520 milhões de euros suprimidos, cerca de dois milhões e oitocentos mil portugueses em risco de pobreza.

 

De 2011 a 2015 assistimos ao aumento de dramáticos níveis de desemprego e consequente aumento da pobreza e das desigualdades sociais.

 

O país é hoje, detentor de uma grave crise demográfica, para ela contribuindo a emigração de centenas de milhares de jovens, na sua maioria altamente qualificados.

 

Ao elevado grau de enfraquecimento do aparelho produtivo e o aumento da dominação dos centros de decisão estratégica pelo estrangeiro, junta-se a fragilização de um tecido económico já de si débil tendo como consequência o encerramento recorde de micro pequenas e medias empresas e uma situação de endividamento brutal das que restam, um Estado desfeito em muitos dos seus centros de competência e saber, empobrecido de recursos humanos, desestruturado e desanimado.

 

Portugal viu nestes últimos quatro anos a sua economia recuar década e meia com a produção a cair 10 mil milhões de euros, o investimento global e público a recuar dramaticamente com pesadas e graves consequências futuras, a dívida pública a aumentar 50 mil milhões de euros.

 

Perante a perda de mais de setecentos mil votos e de 25 deputados na AR por parte da direita, foi deplorável a atitude do Presidente da República assumindo-se como representante do PSD e CDS-PP e mandatário dos interesses do grande capital que ignorando a audição aos partidos com assento parlamentar, entendeu indigitar o líder do PSD como primeiro-ministro em claro confronto com a maioria de esquerda representada no novo quadro parlamentar.

 

Por tudo isto e muito mais é bem-vinda a queda do governo PSD/CDS e a real possibilidade da formação de um governo do Partido Socialista com o apoio parlamentar do Partido Comunista Português, do Partido Ecologista os Verdes e do Bloco de Esquerda.

 

As posições assumida pelo PS e PCP para a viabilização do governo socialista pretendem dar uma resposta pronta às legítimas aspirações do povo português possibilitando a recuperação dos seus rendimentos, a devolução dos seus direitos.

 

Nas posições assumidas pelos dois partidos destaca-se: “O descongelamento das pensões; a reposição dos feriados retirados; um combate decidido à precariedade, incluindo aos falsos recibos verdes, ao recurso abusivo a estágios e ao uso de contratos emprego/inserção para substituição de trabalhadores; a revisão da base de cálculo das contribuições pagas pelos trabalhadores a recibo verde; o fim do regime de requalificação/mobilidade especial; o cumprimento do direito à negociação colectiva na Administração Pública; a reposição integral dos complementos de reforma dos trabalhadores do sector empresarial do estado; a redução para 13% do IVA da restauração; a introdução da cláusula de salvaguarda no IMI; a garantia de protecção da casa de morada de família face a execuções fiscais e penhoras; o alargamento do estímulo fiscal às PME em sede de IRC; a reavaliação das reduções e isenções da TSU; o reforço da capacidade do SNS pela dotação dos recursos humanos, técnicos e financeiros adequados, incluindo a concretização do objectivo de assegurar a todos os utentes, médicos e enfermeiros de família; a revogação da recente alteração à Lei de Interrupção Voluntária da Gravidez; a garantia, até 2019, do acesso ao ensino pré-escolar a todas as crianças a partir dos três anos; o reforço da Acção Social Escolar directa e indirecta; a vinculação dos trabalhadores docentes e não docentes das escolas; a redução do número de alunos por turma; a progressiva gratuitidade dos manuais escolares do ensino obrigatório; a promoção da integração dos investigadores doutorados em laboratórios e outros organismos públicos e substituição progressiva da atribuição de bolsas pós-doutoramento por contratos de investigador; a reversão dos processos e concessão/privatização das empresas de transportes terrestres; a não admissão de qualquer novo processo de privatização.” (jornal “Avante” – Posição Conjunta do PS e do PCP sobre soloção politica).

 

Mas nós comunistas não nos podemos iludir nem extravasar as nossas espectativas!

 

Os Comunistas portugueses não podem esquecer que o nosso partido ao apoiar um governo do PS, tem como objectivo único, a melhoria da vida dos trabalhadores, dos micro pequeno e médios empresários e a reposição de direitos retirados aos trabalhadores e ao povo, não esquecendo que este governo não é um governo do Partido Comunista Português!

 

O PCP tem como objectivo a construção em Portugal do socialismo e do comunismo, tal como consagrado no Artº 5º dos seus estatutos: “O PCP tem como objectivos supremos a construção em Portugal do socialismo e do comunismo que permitirão pôr fim à exploração do homem pelo homem e assegurar ao povo português o efectivo poder político, o bem-estar, a cultura, a igualdade de direitos dos cidadãos e o respeito pela pessoa humana, a liberdade e a paz. A acção e a identidade do Partido são inseparáveis destes objectivos e do ideal comunista.”

 

E a continuidade do programa da revolução democrática e nacional, tal como consagrado no Artº 6º dos seus estatutos: “Actualmente, e na continuidade do programa da revolução democrática e nacional aprovado no VI Congresso do PCP e dos ideais, conquistas e realizações históricas da revolução de Abril, o PCP luta por uma democracia avançada - os valores de Abril no futuro de Portugal, simultaneamente política, económica, social e cultural, com cinco componentes ou objectivos fundamentais:

- um regime de liberdade no qual o povo decida do seu destino e um Estado democrático, representativo, participado e moderno;

- o desenvolvimento económico assente numa economia mista, moderna e dinâmica, liberta do domínio dos monopólios, ao serviço do povo e do País

- uma política social que garanta a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo;

- uma política cultural que assegure o acesso generalizado à livre criação e fruição culturais;

- uma pátria independente e soberana com uma política de paz, amizade e cooperação com todos os povos.”

 

Não nos iludamos, a implementação do ideal comunista só será possível quando o povo intender atribuir e da forma que entender atribuir plenos poderes ao Partido Comunista Português e isso será obviamente uma revolução.

 

O Partido Comunista Português tem como base teórica o marxismo-leninismo, não é um partido da burguesia dominante, é a vanguarda da classe operária e de todos os trabalhadores, o PCP tem como objectivo uma luta sem tréguas contra a exploração e a opressão capitalistas, contra o imperialismo.

 

Sabemos que nenhum partido da burguesia serve os reais interesses dos trabalhadores e do povo, sabemos que nenhum partido da burguesia que defenda esta Europa que defenda os tratados que esta Europa impõe aos estados detentores de economias mais frágeis, defende a soberania politica e económica do nosso país, são partidos subservientes a interesses políticos, económicos e financeiros e o PS, (até prova em contrário), em conjunto com a direita PSD/CDS, faz parte desse arco de subserviência aos ditames da União Europeia.

 

O marxismo-leninismo permite uma adaptação do modo de agir tendo em conta os povos e as suas especificidades culturais, bem como o espaço temporal e as estratégias dos combates a travar.

 

Os comunistas portugueses, são chamados hoje a travar grandes combates em defesa dos seus ideais, em defesa da Constituição da Republica, em defesa do povo e da Pátria.

 

A derrota da coligação de direita, PSD/CDS fez sair da toca os neoliberais convictos, os fascistas dissimulados que diariamente ouvimos vomitar o seu anticomunismo primário nos órgãos de comunicação social, sedentos de vingança, não querem aceitar a perda dos seus “tachos”, da sua influência, do seu poder de domínio e instrumentalização do povo.

 

O momento é de esclarecimento, o momento é de mobilização, o momento é de vigilância, o momento é de luta, nos locais de trabalho, nas empresas, na rua, só assim se defendem a democracia a liberdade e os ideais da Revolução de 25 de Abril de 1974.

 

O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO!

 

Antonio de Lemos

 

 



publicado por António Lemos às 09:29
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2015
Luta pela Paz, questão central do nosso tempo

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Luta pela Paz, questão central do nosso tempo

Ilda Figueiredo

No plano nacional e no plano internacional estamos a viver um tempo pleno de contradições, onde, se por um lado, se avolumam perigos, ameaças e agressões das forças do imperialismo, com destaque para a NATO, sintoma da crise estrutural do capitalismo, por outro lado, povos revoltam-se e lutam, protestam e denunciam, obrigam a recuos e, por vezes, a mudanças que pareciam inesperadas.

 

Sendo certo que cada momento na vida dos povos é único, há períodos particularmente agudos, onde o reforço da mobilização popular é decisivo para impedir a tragédia humanitária. Estamos a viver um desses momentos, como se tem alertado, nas últimas semanas, a propósito dos exercícios militares da NATO em Portugal, esse principal instrumento de agressão dos EUA e seus aliados, criado em 1949, mais visível desde a sua primeira intervenção na Europa, ao bombardear a ex-Jugoslávia há cerca de 16 anos.

 

Desde então, viu-se a destruição do Afeganistão, Iraque, Líbia, as ameaças constantes na Ucrânia e na generalidade do Médio Oriente, as intervenções criminosas e permanentes agressões de Israel à Palestina, da Turquia contra os curdos, incluindo na Síria já bombardeada por vários dos países membros da NATO. É longo o rol das ingerências, ameaças e agressões dos EUA e seus aliados europeus e de monarquias árabes, a que também não escapou o Iémen e Bahrain, as intervenções neocoloniais sobretudo da França e do Reino Unido, em vários países de África, numa tentativa de permanente desestabilização, aproveitando naturais descontentamentos, como se viu nas ditas «primaveras árabes», ou incentivando ódios, com os mais variados pretextos e sempre com o mesmo objectivo: controlar acessos a matérias-primas e a zonas geoestratégicas, impedir políticas e caminhos alternativos como se vê também na América Latina contra os países e povos que, usando o seu direito soberano, procuram o progresso e o desenvolvimento, condições indispensáveis à paz.

 

Nesta Europa, designadamente nos países da União Europeia, com o agravamento das desigualdades, as maiores dificuldades de parte significativa das populações a enfrentarem políticas ditas de austeridade, e campanhas ideológicas e mediáticas que visam esconder as verdadeiras causas e os responsáveis das crescentes agressões e guerras, nem sempre houve a resposta necessária na defesa da paz, na denúncia das agressões imperialistas aos povos, das causas e dos responsáveis por esta situação dramática que vivemos. O que também constitui um perigo para os povos da Europa, como se vê com as acrescentes forças racistas, xenófobas e partidos de extrema-direita em diversos países.

 

No entanto, várias organizações do movimento da paz, designadamente membros do Conselho Mundial da Paz – como é o caso do Conselho Português para a Paz e Cooperação – têm procurado alertar e lutar contra estas graves ameaças à paz mundial e à própria sobrevivência da humanidade, se tivermos em conta que são mais de 14 mil as armas nucleares existentes, o que teve expressão seja a propósito dos 65 anos do Apelo de Estocolmo e do Conselho Mundial da Paz, seja dos 70 anos da vitória sobre o nazi-fascismo, ou nas importantes acções de denúncia da NATO, mas também de solidariedade com a Palestina, a Síria, o povo saaraui, Cuba, a República Bolivariana da Venezuela e os refugiados, denunciando as causas e os responsáveis.

 

A campanha em curso – «Sim à Paz! Não aos exercícios militares da NATO» – envolvendo mais de 30 organizações portuguesas, incluindo o Conselho Português para a Paz e Cooperação, a CGTP-IN, o MDM e organizações da Juventude, tem-se destacado na distribuição de documentos, mobilizando-se para iniciativas públicas como em Lisboa, Porto e Setúbal, apelando à subscrição de abaixo-assinados de denúncia da NATO.

 

Os activistas da Paz em Portugal não estão sozinhos. Em diversos países do mundo activistas da paz estão empenhados na mesma denúncia, seja na Europa, incluindo Alemanha, Bélgica, Espanha, Chipre, Grécia, Reino Unido, Irlanda, Itália, República Checa e Sérvia, seja no Brasil, EUA, Turquia, Índia e outros. No entanto esta frente anti-imperialista tem de ser reforçada, sabendo-se que o futuro da humanidade depende de se impedir a guerra, exigindo a dissolução da NATO, o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a solução pacífica dos conflitos internacionais, a não ingerência nos assuntos internos dos outros estados e a cooperação para a emancipação e o progresso da humanidade, questões centrais que a Constituição da República Portuguesa consagra no seu artigo 7.º.

 

Por isso se apela a todos os homens e mulheres progressistas para que se empenhem nesta causa maior da actualidade, a luta pela Paz, condição básica para o futuro da humanidade com progresso e desenvolvimento, e que se tornou uma questão central do nosso tempo.

 

Avante: http://www.avante.pt/pt/2187/argumentos/137577/

 

Publicado no Mar Revolto por: António de Lemos



publicado por António Lemos às 19:30
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Domingo, 9 de Agosto de 2015
Hiroxima e Nagasaki o crime dos EUA

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O crime dos EUA contínua impune! Hiroxima e Nagasaki nunca mais!

A 6 e 9 de Agosto de 1945, os EUA lançaram as bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki. Mataram instantaneamente mais de 200 mil civis e muitos milhares morreram das consequências da radiação, que deixou mazelas nas gerações vindouras. Um crime que fica na história como um dos mais bárbaros e odiosos actos de agressão contra populações civis, que nenhuma consideração de ordem militar poderia justificar.

 

Um crime que os EUA procuraram justificar como sendo necessário para derrotar o Japão – país que em Agosto de 1945 já se encontrava à beira da derrota – e como alternativa para a invasão terrestre que significaria a perda de milhares de vidas de soldados norte-americanos. Assim se massacram centenas de milhares de pessoas, um crime que até hoje permanece impune.

 

Na verdade, as bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki serviram para afirmar a hegemonia militar dos EUA, pela detenção do monopólio da arma nuclear, perante o mundo e, em particular, perante a União Soviética.

 

Preocupado com uma nova ordem mundial de sentido progressista, saída da Segunda Guerra Mundial, o imperialismo procurou desta forma reafirmar o seu poderio, pela chantagem e ameaça nuclear nas relações internacionais e pelo medo. Os avanços dos processos de libertação, o prestígio e autoridade ganhos pela União Soviética pelo seu decisivo papel na derrota do nazi-fascismo, a resistência antifascista com ampla participação das massas e com grande influência dos comunistas, a vontade popular de justiça e progresso social, eram factores determinantes que levariam e levaram a profundas transformações democráticas e antimonopolistas. Avanços na emancipação social e nacional que era necessário conter. Com as bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki os EUA inauguram a «guerra fria».

 

Recorde-se que três meses antes, a 9 de Maio de 1945, na sequência da entrada do Exército Vermelho em Berlim, a Alemanha nazi havia assinado a sua rendição incondicional, marcando o fim da mais hedionda guerra de sempre que fez 60 milhões de mortos.

 

Após tantos anos de guerra, a Humanidade começou a aspirar a tempos de Paz, de vida e de esperança. A derrota do nazi-fascismo e também do militarismo japonês teve consequências profundas no curso da história. Saíram fortalecidas as forças que defenderam a paz, a democracia, a autodeterminação dos povos e o socialismo. Pelo contrário, o imperialismo saiu enfraquecido.

 

Carta das Nações Unidas

 

Apesar da guerra ainda decorrer no Extremo Oriente, na Europa começou-se a reconstruir física, política, económica e socialmente vilas, cidades e países inteiros. Da vitória sobre o nazi-fascismo cresceu a vontade e a certeza, não só nos homens e mulheres que viveram e combateram nesta guerra mas em todos os amantes da paz e da liberdade, de que jamais poderiam deixar que tal barbárie se repetisse.

 

Desse ímpeto e vontade, e do momento que se vivia por todo o mundo, nasceu o texto da Carta das Nações Unidas, assinada por 51 países a 26 de Junho de 1945. Há 70 anos 51 nações comprometeram-se com o caminho da resolução pacífica de conflitos, da defesa da paz, do respeito pela soberania e igualdade entre estados (independentemente da sua dimensão), da autodeterminação dos povos e do estímulo ao progresso social. As grandes potências imperialistas que foram forçadas a assiná-la graças a uma conjuntura internacional que lhes era desfavorável, não tardaram em desrespeitar essa Carta.

 

Cria-se a NATO em 1949 sob a estrita alçada do imperialismo norte-americano, movido pela vontade de impedir qualquer transformação de carácter progressista, dividir profundamente a Europa e combater a União Soviética e restantes países socialistas do Leste Europeu. Intensifica-se a corrida ao armamento,desencadeiam-se as guerras contra os povos da Coreia e do Vietname, exerce-se uma brutal repressão sobre os povos em luta pela sua libertação do colonialismo.

 

Não obstante os esforços do imperialismo, os avanços progressistas na Europa e as forças libertadoras na Ásia e em África não foram travados. Na Europa, realizam-se revoluções populares democráticas que no seu processo de desenvolvimento se transformaram em revoluções socialistas, como na Bulgária, Checoslováquia, Hungria, Jugoslávia, Polónia, Roménia e na Alemanha de Leste, apesar da divisão e ingerência imposta pelo imperialismo, o povo alemão lança-se na edificação de uma nova sociedade. Na Ásia a luta revolucionária de libertação nacional e social leva a edificação do socialismo na China, na Coreia e no Vietname. Aprofunda-se a crise no sistema colonial do imperialismo, as lutas de libertação nacional levam à conquista da independência dos povos da Índia, da Indonésia, da Birmânia, da Síria, do Líbano e de uma série de outros povos. Alastra-se por toda a África e Ásia o ímpeto da emancipação social e nacional levando à criação de fortes movimentos de libertação que mais tarde alcançaram a independência.

 

Mas o desaparecimento da União Soviética e do campo socialista na Europa representou um novo fôlego ao imperialismo, para levar a cabo o seu objectivo maior de travar e fazer retroceder os avanços progressistas dos trabalhadores e dos povos, e uma maior instabilidade e insegurança na situação internacional. Reforça-se a NATO, subalterniza-se e instrumentaliza-se a Organização das Nações Unidas e a guerra volta ao seio da Europa. Da dita «ameaça comunista» à dita «defesa da democracia», da denominada «intervenção humanitária» à dita «luta ao terrorismo», é extenso o rol de pretextos que ao longo do tempo se sucederam para justificar o papel e acção belicistas dos EUA e da NATO e as guerras que proliferam desde os anos 90.

 

Agressividade crescente do imperialismo

 

70 anos volvidos do fim da Segunda Guerra Mundial, a par da ofensiva exploradora do grande capital, de novo o imperialismo intensifica o militarismo, a corrida ao armamento e as guerras de agressão e ocupação, com que procuram fazer face à crise estrutural do capitalismo, que se agudiza nos EUA, na UE e no Japão, seus principais centros.

 

O mundo está mais perigoso e instável. Os objectivos de desestabilização e de destruição de países, para pôr a mão nas suas riquezas, como no Afeganistão, na Líbia, no Iraque, na Síria, no Iémen e toda a desestabilização do Médio Oriente, agora a pretexto do combate ao «estado islâmico»; a ingerência do imperialismo na América Latina, procurando pôr termo aos processos de transformação social progressistas na Venezuela, Bolívia, Equador, mas também noutros países, como no Brasil; o ressurgimento do fascismo na Europa apoiado pelos EUA e UE no caso do golpe de Fevereiro de 2014 na Ucrânia, mostrando a sua face mais negra com a violência e a guerra; a tensão e confronto crescente contra a Federação Russa; a ingerência na política interna de países como a Grécia que visam impor aos povos a continuação da exploração, do empobrecimento e da submissão; a tensão eminente no Pacífico; a corrida aos armamentos e da instalação de novos sistemas de mísseis dos EUA; a proliferação das bases militares estrangeiras em pontos geoestratégicos – são expressão da crescente agressividade do imperialismo.

 

Muitos são os exemplos e os sinais de que o imperialismo se prepara para qualquer circunstância ou processo que ameace pôr fim à ordem hegemónica ditada pelo imperialismo norte-americano e que as contradições do capitalismo são muitas e perigosas para a vida da Humanidade. Veja-se como, no ano em que se assinala os 70 anos do lançamento das bombas sobre Hiroxima e Nagasaki e o fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão, país que rejeitou a utilização das suas forças militares fora das suas fronteiras, após a guerra, por força dos horrores vividos pelo seu povo, alterou recentemente a sua Constituição de forma a que possa pôr o seu poderio militar ao serviço do imperialismo e assim intervir com tropas no exterior.

 

Em suma, os EUA com os seus aliados, criando e promovendo a generalização de focos de tensão e de desestabilização em praticamente todas as regiões do mundo, fomentam a agressão e lançam a guerra contra todos aqueles que, defendendo a sua soberania e independência nacional, resistem às pretensões de imposição do seu domínio mundial.

 

Luta pela paz continua actual

 

A luta pela paz e o movimento da paz surgiu com grande fôlego no final da Segunda Guerra Mundial. Resistentes antifascistas cedo ergueram-se na denúncia e combate à violência da guerra e aos seus horrores. Com a vitória sobre o nazi-fascismo e os avanços libertadores, os povos levantaram a bandeira da paz como construtora do progresso e emancipação social e nacional.

 

Da vontade e da necessidade, tendo em conta o perigo de que a história se repetisse, nasceu de um amplo conjunto de estruturas e individualidades, o movimento mundial da paz, que teve expressão em países de todos os continentes, criando-se uma vasta frente de luta pela Paz, o desarmamento e a soberania, contra a guerra, o fascismo, o colonialismo e qualquer outra forma de opressão dos povos. O Conselho Mundial da Paz, criado entre 1949 e 1950, lança o Apelo de Estocolmo em Março de 1950, que recolheu centenas de milhões de assinaturas contra as armas nucleares em todo mundo, incluindo em Portugal. A determinação dos povos de todo mundo foi fundamental para que o horror de Hiroxima e Nagasaki não se repetisse. A expressão da solidariedade e cooperação entre os povos alargou-se intensamente. Assistiu-se em todo o lado a grandes movimentações contra as guerras na Coreia e no Vietname, contra a ocupação da Palestina, contra o regime do apartheid na África do Sul, entre outros exemplos.

 

Assinale-se que Portugal e o povo português nunca foram excepção. Mesmo sob o jugo da ditadura fascista, em várias acções legais e semiclandestinas, os partidários da paz resistiam e denunciavam as objectivos e as consequências da guerra, principalmente no caso da guerra colonial. Veio a Revolução de Abril e com ela a mais progressista Constituição na Europa capitalista, que no seu artigo 7.º consagra os ideais do desarmamento, da paz, da amizade e cooperação entre os povos.

 

Hoje, em tempos em que o mundo segue um curso tendencialmente menos democrático e mais sangrento, à custa do aprofundamento das trágicas consequências da ofensiva do imperialismo, a luta pela paz continua mais necessária e actual que nunca – sendo urgente o reforço do movimento da paz e da solidariedade para com os povos vítimas da agressão imperialista.

 

Certamente, como no passado, cabe aos comunistas contribuir para unidade e mobilização de todos os antifascistas e democratas, de todos os amantes da paz, para luta contra a ameaça do fascismo, contra o militarismo, contra a ingerência e a guerra imperialistas e pela paz, pelo desarmamento – em particular, pelo desarmamento nuclear –, pela resolução pacífica dos conflitos, pelo fim das bases militares estrangeiras, pela dissolução dos blocos político-militares, pelo respeito da soberania e independência nacional, pelo progresso social e a amizade e a cooperação entre os povos.

 

Com a consciência de que a luta pela paz e contra o imperialismo é indissociável da luta pela justiça social, pelo progresso e emancipação nacional, pelo fim da exploração do homem pelo homem, pelo Socialismo.

 

Jornal Avante – http://www.avante.pt/pt/2175/temas/136609/

 

Publicado no Mar Revolto por Antonio de Lemos



publicado por António Lemos às 21:37
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Sexta-feira, 17 de Julho de 2015
PRISÃO DE POVOS

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PRISÃO DE POVOS

Os acontecimentos dos últimos dias mostram à saciedade que a UE/Euro é incompatível com a democracia, a soberania e o bem-estar dos povos. É uma ditadura ao serviço do grande capital financeiro e uma autêntica prisão de povos. Como o PCP tem afirmado, esta UE não é reformável. Apenas sobre os seus escombros poderá haver futuro para os povos.

 

Os empréstimos ao abrigo dos programas das troikas são obra de agentes do grande capital financeiro (como o presidente do BCE, Draghi, homem da Goldman Sachs) para benefício do grande capital financeiro. A banca privada era credora de boa parte da dívida grega em 2010 e prosperava com os respectivos juros, mas decidiu pôr-se a salvo quando a crise estoirou. Tal como cá, o dinheiro das troikas nem entrou na Grécia: foi parar directamente aos credores – o capital financeiro parasitário – transferindo as dívidas para o BCE, o FMI e os bancos centrais nacionais. A «ajuda» foi para a banca. Para os povos ficaram as dívidas públicas, que explodiram nos anos das troikas. São impagáveis, mas servem de pretexto para levar os povos à miséria, aumentar a exploração e impôr relações de tipo colonial aos países endividados.

  

As tão badaladas «obrigações dos devedores» são à la carte. O principal jornal do grande capital inglês, o Financial Times, dedica um editorial (11.6.15) a outro país europeu que está na falência: a Ucrânia. Titula o FT: «Os credores da Ucrânia têm de partilhar a dor do país» e «têm de aceitar um haircut [perdão de dívida]». Informa que há um «pacote de apoios internacional [...] que admite a reestruturação da dívida e cortará os juros a pagar em 15,3 mil milhões de dólares nos próximos quatro anos» para que «sejam geríveis em relação à produção económica» do país. Acrescenta que há credores privados que «resistem a um perdão da dívida», mas sentencia: «terão de ceder. Têm uma obrigação moral em concordar com a reestruturação que permitirá reduzir a dívida para níveis sustentáveis». E defende «a utilização de mecanismos de indexação ao PIB», solução que considera «a melhor para todas as partes», até porque «a História mostra que, mesmo após um incumprimento [default], os investidores privados regressam rapidamente quando a economia recomeça a crescer». Remata o FT: «em matérias de tal importância geopolítica, não se pode permitir que os interesses financeiros privados ditem as políticas públicas». A adulta directora do FMI, Lagarde, já «assegurou à Ucrânia que os fundos [do FMI] continuarão disponíveis, mesmo que o país falhe nos pagamentos aos seus credores privados» (Deutsche Welle, 13.6.15). Esta duplicidade gritante de critérios é explicada pelo FT: a Ucrânia «tem o governo mais reformista desde a independência [...] que está a concretizar grandes cortes nos subsídios estatais». Se o combativo povo grego tem de ser castigado e humilhado pela sua ousadia de resistir, já os golpistas e fascistas ucranianos, que impõem políticas troikeiras do imperialismo pela violência, o terror e a guerra, merecem apoio e perdões de dívida. Medite-se ainda sobre uma terceira dívida, afastada destas considerações políticas. O FMI acaba de recusar qualquer perdão de dívida ao Nepal, país devastado em Abril deste ano por um enorme terramoto que matou 8600 pessoas e destruiu mais de 500 mil casas. A destruição não foi considerada suficiente (catholicireland.net, 30.6.15).

  

Os acontecimentos dos últimos dias são portadores de importantíssimos ensinamentos sobre a verdadeira natureza da dominação de classe, do imperialismo, da União Europeia e da social-democracia (nas suas várias expressões). A humilhação do governo grego mostra que se paga caro as ilusões de que é possível reformar esta UE.

 

Por: Jorge Cadima – Jornal Avante - http://www.avante.pt/pt/2172/opiniao/136343/

Poblicado no Mar Revolto por: António de Lemos 

 



publicado por António Lemos às 09:53
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Domingo, 31 de Maio de 2015
Entrevista com Barbara Barbosa Neves, socióloga e investigadora do laboratório Technologies for Aging Gracefully, da Universidade de Toronto.

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É socióloga e investigadora do laboratório Technologies for Aging Gracefully, da Universidade de Toronto.

Com estudos publicados sobre a relação entre a tecnologia e a população idosa, tanto do Canadá como de Portugal, alerta para a ilusão actual do domínio da tecnologia e para a necessidade de se pensar que o envelhecimento começa já.

A geração entre os 30 e os 40 está habituada à tecnologia e a uma certa rapidez na sua evolução. Isso vai fazer diferença quando esta geração chegar à velhice, está mais preparada que a anterior?

Não faço futurologia, mas tenho algumas ideias de desconstrução do futuro, no sentido em que  acho que nos iludimos com esta noção de que a nossa geração está muito à-vontade com as novas tecnologias e que portanto não vamos ter dificuldade nenhuma. A tecnologia está constantemente a mudar, a tecnologia de hoje não é a de amanhã. Muitos dos problemas que vejo nas pessoas que estudo – idosos com 80 ou mais anos de idade –, como a adopção de novas tecnologias são problemas que nós também vamos enfrentar.

O facto de a tecnologia não estar desenvolvida para eles. Os jovens continuam a ser o target das empresas tecnológicas. Nós usamos tablets, iPads nos nossos estudos e alguns dos participantes, como os que sofrem de Parkinson ou sobreviveram a um AVC, só têm o uso de uma mão, e portanto nem sequer conseguem levantar o iPad. Não interessa estarmos a desenvolver uma app ou um software acessível para esta população, que tenha ícones suficientemente grandes para se verem bem ou funcionalidades tácteis acessíveis, se depois o aparelho onde estão não está adequado a limitações motoras.

Essa realidade tende a mudar?

Ainda não se está a produzir muito, mas acho que os próximos cinco anos vão ser fundamentais para essa mudança. As projecções das Nações Unidas mostram que pela primeira vez em 2047 vamos ter, a nível global, mais pessoas idosas que crianças. Vai haver provavelmente alguma mudança na indústria tecnológica nos próximos cinco, dez anos, mas ainda não há a consciência da necessidade de se desenvolver tecnologias que possam apoiar um envelhecimento activo. No nosso laboratório, quando nos perguntam se desenvolvemos tecnologias para pessoas idosas, nós dizemos: “Não, nós desenvolvemos tecnologias para o nosso futuro eu.” O laboratório chama-se Technologies for Aging Gracefully Lab (Laboratório de Tecnologia para Um Envelhecimento Gracioso). Estamos todos a envelhecer e todos vamos perder mobilidade, quase todos quando passarmos dos 80 anos vamos ter algum tipo de problemas motores e possivelmente neurodegenerativos. Por isso não sei se vamos estar mais habituados ou não. Até porque a tecnologia é um processo social.

Social como?

Chamamos-lhe um sistema sociotécnico, porque a tecnologia é concebida, definida e construída na sociedade. Nas aulas dou como exemplo o teclado do computador. As primeiras letras são “Qwerty”. A ideia que se pode ter é que foi desenvolvido para optimizar a escrita, mas não foi_– foi para a abrandar. Quando este teclado foi desenvolvido havia um outro, ergonómico e pensado para a optimizar, só que as máquinas empencavam quando as dactilógrafas escreviam muito depressa. A sociedade tem impacto no desenvolvimento, na evolução, na adopção ou na rejeição de tecnologias, não é só a tecnologia que afecta a sociedade. Acho que as empresas tecnológicas vão começar a perceber esta mudança, mas não sei se alguma vez vamos conseguir trabalhar para o nosso futuro idoso_– a tecnologia evolui a uma velocidade estonteante. Na semana passada estávamos a ver umas novas coisas que vieram do MIT, de inteligência artificial, quase do domínio da ficção científica.

Mas o facto de a geração activa ter essa cultura de mudança não facilita a adaptação no futuro?

Não sei. Quando se vêem os estudos que referem o conceito de “nativos digitais” – pessoas que nasceram com a internet, conceito que detesto por ser simplista e redutor –, essas pessoas usam frequentemente novas tecnologias e têm alguma literacia digital mas não têm literacia crítica. Ou seja, se calhar podemos ter uma mentalidade mais aberta a esta mudança constante, mas não sei se vamos conseguir adaptar-nos a essa mudança de forma tão rápida como esperamos. Até porque, como envelhecemos, passamos pelos tais problemas que podem limitar a utilização de novas, novas, novas tecnologias.

Terá de haver um equilíbrio...

A tecnologia é parte da sociedade, como dizia. Acho que vivemos uma época de contradições muito grandes, porque, por um lado, os níveis de esperança média de vida são sinais de progresso, do século xviii até 2012 passámos de uma esperança média de vida de 30 anos para uma esperança média de vida de 70. Isto é um progresso societário enorme. Mas depois, ao mesmo tempo, olhamos sempre para o envelhecimento como um custo: o custo dos idosos, para a segurança social, para os sistemas de saúde, etc. Como sociedade, e esta inclui a tecnologia, temos de nos saber adaptar não só a uma população envelhecida, mas a uma população que vai perder crianças e jovens, sem desvalorizar e paternalizar os idosos, que também trazem vários benefícios sociais. Há um estudo feito na Austrália, onde se calculou o tempo não pago que as pessoas idosas dão de apoio à família, às comunidades, em termos de ajuda financeira, emocional, prática, etc. Conclui-se que tudo isso representava uma proporção significativa do PIB do país. Raramente se fala disso. A crise financeira em Portugal também tem mostrado a importância desse apoio dos mais velhos às famílias e às comunidades.

Como perspectiva ou gostaria que fosse a sua velhice?

Perspectivo um envelhecimento activo, que me permita continuar a ser independente e a participar de forma crítica na comunidade. Espero que seja uma fase de bem-estar, criatividade e retribuição. O director do meu laboratório tem 72 anos e é uma excelente fonte de inspiração: vem de bicicleta para a universidade, tem uma energia invejável, continua muito envolvido na investigação que fazemos, tem as melhores ideias da equipa, grande sensibilidade social e um espírito realmente inovador. E sobreviveu, recentemente, a um tumor no cérebro. Mas sou uma afortunada, tenho vários modelos a seguir, da minha avó paterna, que era uma força da natureza, aos participantes dos nossos estudos.

Vê-se a regressar a Portugal, nessa fase?

Sim, sem dúvida. Se não conseguir mais cedo, espero regressar quando me reformar. Tenho o sonho romântico de terminar os meus dias numa quinta com família, amigos e amigas e companheiros não humanos. Uma mistura da casa no campo da Elis Regina e da casa no campo da nossa Capicua. O meu marido é australiano, e pensei que talvez esses planos fossem problemáticos porque ele com certeza gostaria de regressar à Austrália. Mas é um apaixonado por Portugal e já me garantiu que partilhamos o mesmo sonho e o mesmo destino.

 

Assusta-a que a sua geração possa ter uma pensão inferior à dos pais?

Não é algo que me assuste directamente, porque acho que os sistemas de segurança social ainda podem ser sustentáveis. Assusta-me muito mais a ideia agora em voga de que as pessoas idosas apenas representam custos societários ou os discursos que alimentam conflitos de gerações. E ainda a apatia da nossa geração perante a precarização e o empobrecimento, a vários níveis, da sociedade portuguesa. E, claro, o visível desinvestimento científico dos últimos anos em Portugal.

Vamos ser idosos mais sós, pela alteração das estruturas familiares, ou construímos entretanto outras redes?

O isolamento social e a solidão das pessoas idosas é algo que já nos preocupa agora e eu tenho trabalhado nesta área aqui no Canadá. A nossa geração vai tornar-se idosa quando se projecta que o número de crianças será menor que o número de pessoas idosas da população global, o que sugere que teremos menos laços intergeracionais com a população mais jovem. Mas teremos possivelmente mais relacionamentos com a mesma geração, devido à crescente longevidade, e com a geração anterior. Acho que iremos criar outras redes. E um uso crítico das novas tecnologias, como da internet, pode ajudar a manter os nossos relacionamentos fortes, com familiares e amigos, laços fracos, como com conhecidos, e laços novos, como pessoas que conhecemos online.

Entrevista ao Jornal I

ANA TOMÁS em 23/05/2015 

 

É com orgulho de ter sido aluno da Professora Barbara Barbosa Neves no ISCSP que publico no Mar Revolto, esta entrevista reveladora de um enorme conhecimento científico sobre tão importante matéria social, como são o relacionamento com as novas tecnologias e a sua aprendizagem para a população idosa.

António de Lemos



publicado por António Lemos às 14:19
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